A Royal Enfield utilizou a mesma base mecânica de motor dois cilindros da Interceptor e Continental GT para construir a Bear 650, uma moto de caráter e especificações diferenciadas das suas irmãs.
A Bear é uma scrambler, ou seja, uma moto que segue a história das antigas motocicletas de rua modificadas pelos proprietários para encarar competições de todo terreno.
Contudo, seu nome homenageia um moleque de 16 anos, Ed Mulder, que venceu uma das provas mais icônicas de fora de estrada da Califórnia, a Big Bear Run, com uma Royal Enfield de 500 cm³.

Modificação na fábrica
Sendo assim, é o que a Royal Enfield fez com a Interceptor, modificou as características da moto, começando pelo chassi que foi reforçado para aguentar os “trancos” da pilotagem em todo terreno.
As suspensões também mudaram. Na dianteira, a Bear recebeu bengalas invertidas Showa, tipo SFF BP, de 43 mm de diâmetro e funções separadas, onde uma age na compressão e a outra no retorno hidráulico.
As bengalas têm curso de 130 mm.

Por sua vez, a suspensão traseira recebeu dois amortecedores mais robustos com regulagem na pré-carga da mola, porém sem reservatório de gás. Ela também ganhou curso maior (115 mm) para a proposta scrambler.
Do mesmo modo, com essa configuração mais off-road, a distância do solo e a altura do banco também aumentaram para 184 mm e 830 mm respectivamente.
Design customizado
Por sua vez, os engenheiros devem ter se divertido para realizar esta Scrambler, afinal era como se estivesse na garagem de casa procurando peças para transformar a moto, só que com muito mais recursos.

Assim, mantiveram alguns componentes origianais como o farol, o tanque de 13,7 litros e os punhos foram mantidos, mas a diversão certamente foi “depenar” a moto.
Nesse sentido, as tampas laterais da moto viraram number plates, o banco foi modificado e ficou mais confortável que o de suas irmãs e essas mudanças deixaram o chassi mais à amostra.
O guidão é mais largo e mais alto para facilitar a pilotagem off-road, inclusive de pé sobre as pedaleiras. Assim, a posição de pilotagem também está mais relaxada e confortável.

Os engenheiros também pensaram na modernização e instalaram o painel Tripper Dash em TFT, assim como na Himalayan e na Guerrilla. A traseira ganhou uma lanterna redonda que lhe dá mais personalidade.
Na rodagem os ingleses trocaram as rodas raiadas de 18 polegadas da Interceptor, por uma roda de 19 polegadas na dianteira e de 17 atrás. Por sua vez, os pneus foram substituídos pelos de uso misto.
Desempenho
O motor da Interceptor é muito comportado para a proposta e scrambler da Bear, daí os engenheiros apimentaram o desempenho com um novo escape dois em um e remap eletrônico do motor.

Com isso, o motor ganhou quase 0,5 kgf.m a mais de torque, o que já lhe rende uma pegada um pouco melhor. Assim o torque subiu para 5,7 kgf.m e a potência foi mantida em 47 cv..
Não contentes com isso, os engenheiros instalaram uma coroa com três dentes a mais e encurtaram a relação final.
Assim, essa nova configuração mudou completamente o temperamento e a pegada do motor. É fácil se empolgar girando o punho do acelerador.
Em nosso rolé, o consumo instantâneo do motor, mostrado no Painel de TFT, ficou entre 19/20 km/l, o que faz que sua autonomia fique em torno dos 280 quilômetros com o tanque de 13,7 litros.

Sistema de freios
Pouco mudou o que diz respeito a freios, na dianteira o disco é o mesmo de 320 mm com pinça de dois pistões, atrás o disco é maior que o da Interceptor, tem 270 mm e pinça de pistão único por conta da proposta todo terreno.
O sistema é assistido por ABS, que pode ser desligado na roda traseira e tem bom funcionamento. A sensação ao acionar o manete é um pouco borrachuda, é preciso fazer um pouco de força para sentir sua pegada, mas é eficiente.
Sensações na pilotagem
A Bear 650 me surpreendeu positivamente tanto pela pegada nas respostas do motor ao giro do acelerador, quanto pela ciclística e sensação de leveza do conjunto.
Embora não possa ser considerada uma moto agressiva nas respostas do motor, ela é bem mais empolgante do que a Interceptor, o torque bastante imediato permite rodar em marcha alta com leve giro do punho.

Apesar dos 214 quilos de peso em ordem de marcha, não sendo para manobrá-la, a sensação de leveza na pilotagem também é ponto de destaque.
As suspensões têm excelente capacidade de absorção de impactos mantendo ótimo nível de conforto, com posição de pilotagem bastante neutra.
Por outro lado, em alta velocidade, a moto oscila um pouco quando há o movimento das suspensões, como se fosse uma leve flutuação, nada que desabone a segurança.
A pilotagem de pé exige a regulagem do guidão para você se acomodar melhor nessa situação.
Outro ponto para se acostumar, se você costuma andar com os pés bem colados às tampas do motor, é com o acionamento do pedal de freio.
É comum, ao movimentar o pé para acionar o freio traseiro, você pisa na aba lateral do pedal, e, por vezes não consegue frear a moto direito, é preciso se acostumar para frear naturalmente.
A Bear 650 é uma moto que se destaca na família da cilindrada e chega em três versões com preços muito competitivos. Confira os valores da nova Bear 650:
- Wild Honey (branco, amarelo e azul) R$ 33.990;
- Golden Shadow (preto, cinza e branco) R$ 34.490;
- Two Forty Nine (249) com chassi verde e tanque branco com grafismo quadriculado e o numeral 249 na lateral da moto.
As motos estarão nas concessionárias da marca a partir de março. Vale a pena você se organizar para fazer um test ride!