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Opinião: Bicicletas, patinetes e a mobilidade com segurança

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  • Publicado: 17/06/2019
  • Atualizado: 17/06/2019 às 11:03
  • Por: Ismael Baubeta

A mobilidade urbana é assunto do momento. Como nosso transporte público está longe de ser de primeiro mundo, muitas opções de transporte alternativo apareceram em pouco tempo e ajudaram as pessoas a ir e vir pela cidade através de outros meios.

Do Uber ao compartilhamento de carros e do aluguel de bicicletas para os patinetes elétricos foi um pulo, ideias geniais que merecem o sucesso conquistado, mas cabem ressalvas.

Os novos meios de transporte, além de bacanas e servirem para fazer com que as pessoas se tornem mais ativas fisicamente, também parecem bastante divertidos, até começarem a se tornar perigosos.

Consciência pessoal

A lei que obriga o uso de capacete para as motocicletas deveria servir para os ciclistas também. É comum ver os ciclistas com bicicletas próprias utilizando o equipamento, mas com as bicicletas alugadas a coisa é diferente. Como elas geralmente são utilizadas para a mobilidade urbana, visando percorrer trajetos curtos e com a roupa do trabalho, não se vê os usuários destas bikes equipados com o casco, afinal carrega-lo para cima e para baixo é um transtorno.

Outro dia utilizei pela primeira vez a ciclovia aqui na cidade de São Paulo, percorrendo boa parte de uma avenida sem a faixa de bicicleta, até a avenida Luis Carlos Berrini. O local é bonito e arborizado, mas para encurtar a história, digo que achei perigoso, pelo menos no meio da semana, quando andei ali.

Foto Jose Cordeiro SPTuris

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A faixa é bastante estreita, ela cruza o canteiro de um lado a outro em determinados locais, passa por detrás dos pontos de ônibus, tem buracos, desníveis, pedestres olhando para seus celulares, enfim, é preciso estar muito atento para não engolir um do obstáculos pela frente. Portanto, para mim, o uso de capacete não é opcional, e sim, questão de bom senso.

Isto foi com a minha bicicleta, com a qual estou acostumado e está regulada para mim e por mim. Agora, imagine quando alguém se senta em uma bike de aluguel, em que você apenas adapta altura do banco, e olhe lá.

Aparentemente inofensivos, os patinetes elétricos enganaram os usuários e as autoridades e tiveram que ser proibidos até segunda ordem. Afinal, apesar da aparente facilidade para se equilibrar e conduzi-los, causaram grande número de acidentes e machucaram muita gente, caso contrário não teriam sido penalizados.

Física e habilidade corporal

Para que conhece de motocicletas e um pouco de física, o assunto é bem lógico. Os patinetes com suas rodas minúsculas tornam suas reações de mudanças de direção muito rápidas, e a perda de controle acaba sendo fácil, como nos scooters de rodas pequenas, nos quais é preciso pilotar com mais cautela e ter cuidado com os buracos.

Se você somar ao diminuto tamanho das rodas de borracha maciça e de pouca aderência dos patinetes, a posição de pilotagem, a propulsão elétrica, que os faz chegar próximo aos 20 km/h (que pode parecer pouco, mas não é), apesar das advertências de limitação de velocidade nas calçadas (6 km/h) e ciclofaixas (20 km/h).

Basta passar por uma pedra solta, buraco ou mesmo um desnível de calçada rebaixada, situações corriqueiras, pode ser perigoso. E aí, mesmo que esteja a 15 km/h um tombo é, no mínimo, dolorido, se não for preciso chamar o resgate.

Portanto estender a obrigatoriedade do uso do capacete às bicicletas e patinetes é o único caminho de torná-los mais seguros e contribuir para a mobilidade urbana crescer sem machucar.

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Oportunidade

Um dos empecilhos para a utilização do capacete é, sem dúvida, o desconforto de ter que carregar o volume, digamos, incômodo.

Pensando nisto a Scheeeins fez uma pesquisa e chegou a conclusão que as pessoas acham que não é preciso utilizar o capacete em trajetos curtos (25% dos entrevistados), nem querem carregar algo tão volumoso (32%), e 91% dos entrevistados usariam o capacete se ele fosse seguro, prático e leve de carregar.

Com os dados da pesquisa, a empresa bolou um capacete de “papel”, feito com fibras de celulose, com formato de favo de mel, desenhado para ser dobrável, fechado ele cabe facilmente em qualquer bolso, bolsa ou mochila sem deixá-los pesados.

A invenção foi batizada de KP7 e parece que pode ser um sucesso. Afinal, se a prefeitura começar a autuar e multar quem não estiver usando casco, vai sair mais caro, embora o capacete ainda não tenha o preço definido (ele também poderia ser oferecido pelas locadoras).

Para mim e todos aqui na redação, a utilização de equipamentos de segurança não é optativo, é consciencioso, obrigatório pela nossa própria segurança e não por força de lei, feita para quem não tem consideração com a própria vida.