Visitamos a unidade de Hangzhou, na China, e conhecemos os bastidores de uma fabricante que combina tecnologia, flexibilidade industrial e ambições globais para crescer no mercado brasileiro de motocicletas.

O que existe por trás de uma motocicleta CFMOTO? Para responder, visitamos a fábrica da marca em Hangzhou, na China, e encontramos uma operação que vai muito além das linhas de montagem.
A fabricante investe em tecnologia, controle de qualidade e desenvolvimento de produtos. Além disso, sua estratégia internacional considera as particularidades de cada mercado em suas motocicletas, o que inclui o Brasil.
CFMOTO quer conquistar novos mercados
Embora muitos brasileiros ainda associem a marca principalmente às motocicletas, a CFMOTO já atua há dez anos no país por meio do Grupo Unique, com quadriciclos, ATVs e UTVs. Agora, a expansão para as motos representa uma nova etapa dessa presença.

Durante o encontro internacional da empresa, Ferdinando Klauser, executivo da CFMOTO, explicou que ser global não significa apenas produzir em um país e vender em vários outros. É preciso compreender os hábitos, as condições de uso e as preferências dos consumidores de cada região.
Sendo assim, é preciso pesquisar primeiro as preferências do público local (o que a marca vem fazendo nos eventos como o Festival Interlagos), as particularidades dos motociclistas e da utilização das motos, para a partir daí, adaptar os modelos escolhidos ao mercado local.
O grupo também reúne a Zeeho, marca de veículos elétricos de duas rodas, além da GOES, dedicada aos veículos de quatro rodas (que já estão no Brasil). Dessa forma, amplia sua atuação para diferentes segmentos da mobilidade.

Tecnologia, competições e desenvolvimento
As pistas também fazem parte da estratégia da fabricante. Segundo Samantha Liu, gerente-geral de competições da CFMOTO, as corridas permitem testar processos e desenvolver tecnologias que podem chegar às motocicletas de produção.

Além disso, a empresa mantém parcerias com fornecedores internacionais de componentes, como Akrapovič, Brembo, Pirelli e Öhlins, que desenvolvem componentes para as motos CFMOTO.
Assim, a combinação entre engenharia, competição e colaboração técnica ajuda a orientar o desenvolvimento dos produtos.

por sua vez, os dados apresentados pela empresa mostram que a CFMOTO vendeu mais de um milhão de motocicletas em 2025 e alcançou consumidores em mais de cem países.
Assim, para sustentar essa expansão e se manter na vanguarda de design e tecnologia, a marca informou ter destinado quase 6% do faturamento à pesquisa e ao desenvolvimento, com investimento estimado em US$ 168 milhões em 2025.
Como é a fábrica da CFMOTO em Hangzhou?
Um dos aspectos que mais chamaram nossa atenção foi a flexibilidade das linhas de montagem. Apesar do porte da operação, a fábrica consegue produzir diferentes modelos na mesma linha, conforme a demanda.

O controle de qualidade também ocupa um papel fundamental. Por exemplo, na produção de motores, todos os propulsores produzidos passam por teste em dinamômetro de bancada.
Além disso, depois da finalização da montagem de cada modelo, todas as motocicletas passam pelo shake down, um teste em dinamômetro de rolo que ajuda a identificar possíveis irregularidades.
Outro destaque foi a estrutura de monitoramento da operação global. Em uma sala onde não era permitido fotografar ou filmar, grandes telas exibiam dados de vendas dos modelos em diferentes mercados, em tempo real.
A fábrica também acompanha indicadores de consumo de água e energia. Assim, a empresa monitora tanto o desempenho comercial quanto aspectos relacionados à eficiência industrial e ambiental.
Mobilidade elétrica e pista de testes
A eletrificação é outra frente importante para o grupo. Por meio da Zeeho, a CFMOTO desenvolve veículos elétricos de duas rodas e amplia sua atuação para além das motocicletas convencionais.

A CFMOTO possui cinco unidades industriais no mundo localizadas em Hangzhou, Chongqing e Jiaxing, na China, e mais duas; uma na Tailândia e a outra no México. Segundo os dados apresentados pela empresa, a capacidade conjunta supera quatro milhões de motocicletas por ano.
O complexo industrial de Hangzhou também conta com um circuito de testes. Durante a visita, fomos informados de que a pista estava em processo de homologação pela Federação Internacional de Motociclismo (FIM). A expectativa apresentada é de que ela possa receber a MotoGP como grande prêmio da China em futuro próximo.

O que a visita revela sobre o Brasil?
Ao final da visita, nossa impressão foi bastante positiva. Encontramos uma fabricante com estrutura industrial organizada, investimento em desenvolvimento e planos que vão além da expansão comercial.
Naturalmente, conhecer uma fábrica não substitui a avaliação de cada motocicleta na prática. Desempenho, conforto, segurança, confiabilidade, pós-venda e custos de manutenção continuam sendo fatores essenciais para o consumidor.

Ainda assim, a visita ajuda a entender a dimensão dos planos da CFMOTO. Segundo Markus Ferch, vice-presidente de vendas para a Europa, o Brasil está entre as prioridades da marca.
A experiência internacional também oferece exemplos interessantes. Em Portugal, segundo relato de jornalistas do país, a CFMOTO 450MT — comercializada no Brasil como Ibex 450 —, é o modelo mais vendido entre as motos e a terceira moto no ranking geral, do mercado de motocicletas português.

Será que a marca conseguirá repetir esse desempenho por aqui? Depois de conhecer de perto sua estrutura, tecnologia e ambições, fica claro que a CFMOTO pretende disputar um espaço cada vez maior no mercado brasileiro.
E você, o que acha da chegada da CFMOTO ao Brasil?
