Testes AIMA X6

AIMA X6: scooter elétrico aposta em silêncio e praticidade

  • Publicado: 03/09/2026
  • 7 Minutos de leitura

Quem escolhe uma moto elétrica busca economia no uso diário, praticidade para se deslocar pela cidade e uma experiência de pilotagem mais silenciosa. 

No scooter AIMA X6, essas características aparecem logo nos primeiros quilômetros: basta girar o acelerador para sair do lugar praticamente sem ruído, enquanto o porte compacto facilita as manobras e a ausência de câmbio torna a condução simples.

Mas a experiência com um veículo elétrico também envolve autonomia, tempo de recarga, relevo e velocidade. Foi nesses aspectos que o X6 mostrou, durante os testes em São Paulo, tanto suas qualidades quanto os limites de sua proposta.

Scooter elétrico AIMA X6 na porta do estádio do Pacaembu
AIMA X6 – Foto: Gustavo Epifanio

O scooter tem motor elétrico de 3.000 W, velocidade máxima declarada de 90 km/h e autonomia de até 80 km. A versão avaliada custa R$ 23.990 e inclui duas baterias de 60 V e 29 Ah, cuja recarga leva entre seis e sete horas. Chave presencial, alarme, carregador e bauleto também fazem parte do pacote.

Por trás do X6 está a AIMA, fabricante chinesa especializada em veículos elétricos de duas rodas. A empresa produziu 11,56 milhões de unidades em 2025 e está presente em mais de 80 países. No Brasil, a marca vem ampliando sua operação e avalia investimentos para expandir sua presença no mercado, inclusive com a instalação de uma fábrica no país.

Um velho conhecido?

É difícil olhar para o X6 e não lembrar do EV1. O desenho dos dois scooters é idêntico, embora a AIMA não confirme oficialmente que se trata do mesmo produto. Já antiga Voltz, por sua vez, afirmava que seus modelos tinham design próprio e exclusivo para o mercado brasileiro.

Scooter elétrico AIMA X6 na porta do estádio do Pacaembu
Foto: Gustavo Epifanio

Compacto nas dimensões, confortável na condução

O X6 tem dimensões compactas, desenho contemporâneo e acabamento bem cuidado. O conjunto óptico de LED e a lanterna traseira são destaques, enquanto a balança robusta, as rodas de 12 polegadas, os apliques de metal escovado no assoalho e o pequeno para-brisa completam o conjunto.

Apesar do porte reduzido, o scooter me acomodou bem, com 1,77 m e 112 kg. Foi necessário recuar no banco e apoiar o quadril junto ao ressalto traseiro para evitar que os joelhos ficassem muito próximos do escudo frontal. O espaço é suficiente, mas o formato do banco faz o corpo escorregar gradualmente para a frente, exigindo alguns reposicionamentos.

Scooter elétrico AIMA X6 em movimento
Foto: Gustavo Epifanio

Silêncio e facilidade de condução

Uma das características que mais chamam atenção é o silêncio. Depois de ligar o sistema, basta acelerar para começar a rodar praticamente sem ruído mecânico. A experiência é diferente daquela de um scooter convencional e torna o deslocamento mais tranquilo.

O silêncio, porém, exige atenção. Pedestres e outros usuários da via podem não perceber a aproximação do veículo, especialmente em locais movimentados.

O porte compacto também favorece a condução. O X6 muda de direção com facilidade e é simples de manobrar no trânsito. A suspensão dianteira telescópica trabalha bem, embora pisos muito irregulares transmitam parte das imperfeições ao guidão. Na traseira, o amortecedor hidráulico absorve bem os impactos.

Foto: Gustavo Epifanio

Motor tem três modos

O motor de 3.000 W pode ser utilizado em três modos de pilotagem. O primeiro limita a velocidade a 35 km/h; o segundo permite chegar a 60 km/h; e o terceiro libera os 90 km/h declarados pela AIMA.

A aceleração é progressiva e suficiente para os deslocamentos urbanos. As limitações aparecem principalmente nas subidas. Em aclives mais fortes, a velocidade cai e o scooter precisa de mais tempo para vencer o trecho. Quanto maior o peso transportado, maior também tende a ser o esforço do motor e o consumo de energia, independentemente do modo selecionado.

Foto: Gustavo Epifanio

Por isso, os 90 km/h representam mais o limite de desempenho do X6 do que sua condição ideal de uso. O scooter se mostra mais à vontade em trajetos urbanos, especialmente quando predominam trechos planos e velocidades moderadas.

Com a carga das baterias mais baixa, o desempenho também pode ser afetado, tornando ainda mais perceptíveis as limitações em aclives.

Freios e comportamento do AIMA X6

Os discos nas duas rodas têm acionamento combinado (CBS) e apresentaram boa capacidade de frenagem, com resposta rápida e tato adequado. É preciso, entretanto, dosar a força no manete esquerdo: uma atuação brusca pode travar a roda traseira, especialmente sobre pisos de baixa aderência.

Foto: Gustavo Epifanio

As rodas de 12 polegadas ajudam a manter o comportamento previsível, mas a pequena distância do conjunto em relação ao solo limita uma condução mais esportiva. Durante a avaliação, o cavalete chegou a raspar no asfalto em curvas para a direita feitas com maior inclinação.

Cuidado para não raspar o cavalete nas curvas à direita – Foto: Gustavo Epifanio

Equipamentos fazem diferença

A chave presencial permite ligar o scooter sem inserir uma chave convencional no contato, enquanto o alarme acrescenta segurança quando o veículo está estacionado.

Foto: Gustavo Epifanio

O X6 é entregue com três chaves: uma presencial, que também funciona como controle do alarme; uma física, para situações em que a bateria da chave presencial se esgote; e outra destinada à abertura do bauleto. Instalado de fábrica, amplia a capacidade de transporte. 

Bateria e carregador scooter elétrico AIMA X6
Foto: Gustavo Epifanio

Há ainda dois porta-objetos atrás do escudo, gancho para sacolas e espaço sob o assento, acima da bateria, suficiente para uma jaqueta leve e pequenos objetos. O scooter também oferece marcha a ré e sistema de som com conectividade Bluetooth.

Autonomia pede planejamento

A AIMA declara até 80 km de autonomia. O alcance real, entretanto, depende de fatores como velocidade, peso, relevo e estilo de condução.

As duas baterias de 60 V e 29 Ah levam entre seis e sete horas para uma recarga completa. Elas podem ser carregadas instaladas no scooter ou removidas individualmente para recarga em uma tomada residencial com o carregador que acompanha o produto.

Plug para carregar as baterias no scooter AIMA X6
Foto: Gustavo Epifanio

Para quem consegue deixar o X6 conectado durante a noite ou o expediente, o tempo de recarga tende a ser menos relevante. Já quem depende do scooter durante todo o dia precisa incorporar esse intervalo à rotina.

baterias scooter elétrico AIMA X6
Foto: Gustavo Epifanio

AIMA X6: vale a pena?

Com duas baterias e preço de R$ 23.990, o AIMA X6 é uma alternativa voltada principalmente à mobilidade urbana. O porte compacto, o silêncio, a facilidade de condução e os equipamentos favorecem o uso cotidiano.

Por outro lado, subidas acentuadas, vias de trânsito rápido e percursos longos deixam mais claras as limitações do conjunto. O X6 não deve ser encarada como substituta direta de qualquer scooter convencional, mas como uma opção para quem tem um percurso compatível com suas características.

Scooter elétrico AIMA X6 em movimento
Foto: Gustavo Epifanio

Para trajetos urbanos, curtos e predominantemente planos, o conjunto mostra coerência. Nesse cenário, silêncio, simplicidade de condução e praticidade são seus principais argumentos.

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