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Procura-se piloto de teste de moto! Minha experiência nos bastidores da Pirelli

  • Publicado: 21/02/2026
  • 5 Minutos de leitura

Pilotar uma moto já é especial, mas assumir o papel de piloto de testes de pneus é uma experiência de outro nível.

Foi exatamente isso que eu vivi ao passar um dia dentro da estrutura da Pirelli, uma das maiores fabricantes de pneus do mundo, no Circuito Panamericano.

No teste de pneus é preciso responder e dar nota a cada um dos quesitos exigidos. (Foto: Pirelli)

A vivência mostrou como cada detalhe na pilotagem influencia diretamente no desenvolvimento de um produto que no fim das contas, define segurança desempenho você confiança para você pilotar sua moto.

O que faz um piloto de testes de pneus

Embora muitos imaginem que o trabalho seja apenas “pilotar e se divertir na pista”, a realidade é bem diferente. O piloto de testes é responsável por “sentir” a moto em um nível que poucos conseguem.

Além disso, ele precisa traduzir essas sensações em relatórios técnicos que ajudam os engenheiros a entender se um pneu está melhor, pior ou apenas diferente, e o porquê.

Edu Zampieri, o Minhoca, dando dicas para melhorar a percepção do pneu. (Foto: Pirelli)

Por isso, a sensibilidade é essencial. Mesmo pequenas mudanças na carcaça, no composto ou no desenho podem alterar totalmente o comportamento da moto.

Um dia como piloto de testes da Pirelli

A moto escolhida: Honda CB 300F Twister

Assim, o nosso teste foi feito apenas com o pneu traseiro, o dianteiro não foi trocado. Teria que concluir então qual dos dois pneus funcionaria melhor.

Por isso, depois de um briefing detalhado, sobre o quê, e como deveríamos observar o comportamento dos pneus no teste, Eduardo Zampieri, o Minhoca, piloto de testes da Pirelli para motos no Brasil, também detalhou como preencher o relatório com as notas de cada quesito.

Primeiro, rodei com o pneu traseiro original, avaliando o comportamento geral como: nas manobras em baixa velocidade, conforto na pista irregular, facilidade no direcionamento e reações nas curvas e mudanças de direção.

Em seguida a equipe trocou o pneu por uma versão modificada, sem revelar quais alterações haviam sido feitas. Depois, repetimos o processo com uma segunda versão.

A cada rodada, eu precisava responder a um questionário e dar nota de avaliação em diferentes quesitos como:

  • Estabilidade em linha reta;
  • Agilidade nas mudanças de direção;
  • Comportamento em curvas;
  • Conforto;
  • Feedback do conjunto.

Com base nessas percepções e nas notas dadas, os engenheiros (hipoteticamente) avaliariam se as mudanças em cada uma das versões do pneu foram bem sucedidas ou não, e assim chegar a conclusão de qual pneu deve ser produzido ou não.

Ao contrário, a segunda versão do pneu mostrou-se menos preciso, exigindo mais força para o direcionamento da moto e imprecisão ao contornar curvas. O que o Zampieri havia classificado como inaceitável.

Na última volta, foi nítida a mudança na troca do pneu, pois ele se comportou de forma mais uniforme e fluida na pilotagem e o se destacou na rapidez com que a moto respondia às inclinações, mostrando-se muito mais esportivo. Assim, para o padrão exigido pela fábrica não foi aprovado também.

Por que a opinião do piloto ainda é indispensável?

Embora a tecnologia tenha avançado muito, especialmente com o uso da inteligência artificial, os testes em pista continuam fundamentais. Hoje, a IA acelera simulações, prevê comportamentos e até substitui algumas etapas laboratoriais.

No entanto, ela ainda não consegue reproduzir a sensibilidade humana ao guidão. Além disso, fatores como textura do asfalto, temperatura, estilo de pilotagem e até o humor do piloto podem influenciar a percepção.

O importante reconhecimento dos exercícios para avaliação dos pneus. (Foto: Pirelli)

Por isso, mesmo com algoritmos poderosos, a validação final depende de alguém pilotando de verdade a motocicleta para chancelar se as mudanças sugeridas são válidas.

Fase 1: pesquisa e simulação

A IA analisa compostos, desenhos e estruturas, prevendo desgaste, aderência e comportamento dinâmico.

Fase 2: prototipagem e laboratório

Os primeiros modelos são produzidos e testados em máquinas que simulam as situações reais de uso como: frenagem, curvas e impactos.

Fase 3: teste em pista

É aqui que entra o piloto. Ele confirma ou refuta o que a tecnologia previu, garantindo que o pneu funcione perfeitamente no mundo real.

Fase 4: ajustes finais

Com base nos relatórios dos testes em pista, os engenheiros refinam ou reformulam o produto até chegar ao equilíbrio ideal entre segurança, durabilidade e desempenho.

A complexidade de um teste de pneu é enorme, por isso a importância da atenção às dicas do piloto oficial Pirelli, Edu Zampieri. Foto: Pirelli)

Por que a experiência de piloto de testes de pneus foi tão marcante?

Participar desse processo mostrou como cada detalhe importa. Mudanças nos pneus que parecem mínimas podem transformar completamente a sensação na pilotagem. Além disso, ficou claro que o trabalho do piloto de testes é uma mistura de técnica, sensibilidade e muita responsabilidade.

Afinal, o que ele avalia hoje pode ser o que garante a segurança de milhares de motociclistas amanhã nas ruas e estradas mundo afora.

Conclusão

Ser piloto de testes é muito mais do que somente acelerar na pista, é preciso interpretar o comportamento da moto, entender as reações dos pneus e traduzir as sensações em dados para ajudar a construir produtos melhores.

Mesmo com toda a tecnologia disponível, a experiência humana continua sendo o elemento decisivo. Se você já imaginou como é participar dos bastidores do desenvolvimento de um pneu, saiba que esse universo é tão técnico quanto apaixonante – e cada volta na pista faz diferença.

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