Card image
Especiais
Honda CB 750 comemora 50 anos

5 Minutos de leitura

  • Publicado: 03/07/2019
  • Atualizado: 04/07/2019 às 16:09
  • Por: Alexandre Nogueira

A história da saudosa Honda CB 750 tem início nos anos de 1960, mesclando o furor do mercado por máquinas de grande cilindrada com as experiências da Honda nas pistas de corrida não só de motocicletas, mas da fórmula 1 também.

Já faziam muito sucesso as americanas Harley Davidson com seus motores V Twin de 1.300 cilindradas e as inglesas Triumph com seus motores de dois cilindros paralelos de 750 cilindradas. A Honda já disponibilizava no mercado a CB 450 bicilíndrica com duplo comando de válvulas e que era capaz de atingir quase 180 km/h, mas só a alta velocidade não encantava os americanos, que era o principal e mais forte marcado da época, mas que exigia motocicletas grandes e com motores de grande capacidade cúbica.

Foto: Honda

Intrigado com a situação o próprio fundador e dono da marca da asa, Soichiro Honda, viajou até a Suíça em busca de respostas. Daí surgiu a ideia de um novo projeto, à princípio de um bicilíndrico, mas entra em cena o gerente de serviços da Honda nos Estados Unidos, Bob Hansen, e então ele trouxe toda sua experiência e insistiu com o Sr. Honda que uma motocicleta com motor de quatro cilindros deveria ser a prioridade do projeto, pois ele já sabia de um projeto de motor de três cilindros dos ingleses da Triumph, a futura Trident 750. Então Hansen insistiu que uma motocicleta maior causaria mais impacto ainda.

Assim, em fevereiro de 1968, uma equipe foi montada para projetar a nova motocicleta de quatro cilindros com mais cavalaria que as Harley Davidson da época, que dispunham de 67 cavalos de potência. Foi desenvolvido em seis meses um motor de quatro cilindros em linha com 736 cilindradas e comando único com acionamento central por corrente para abrir as oito válvulas do cabeçote. O virabrequim era lubrificado sob pressão, com cárter seco, daí o famoso reservatório de óleo na lateral.

Foto: Honda

Veja também:
Honda CB650R e CBR650R: Base renovada
Equipe homenageia 60 anos da Honda no Mundial de Motovelocidade
Honda registra no Brasil patente de uma nova CB

Inicialmente o motor de funcionamento suave e cheio de potência foi testado no Japão e no deserto de Nevada, nos Estados Unidos, em um chassis de CB 450, mas ele se mostrou limitado e instável, mas principalmente os freios a tambor eram muito ineficientes. Foi quando surgiram os primeiros freios a disco em motos de rua.

Também foram feitos testes junto com as melhores motos da época como Harley FL, Norton Commando e Triumph Trident e todas ficaram para trás, não só em velocidade final, como também em desempenho em curvas.

Em 28 de outubro de 1968 a Honda CB 750 Four é apresentada no Salão de Tóquio e em 15 de março de 1969 ela é lançada oficialmente ao público custando US$ 1.295 dólares, quase mil dólares mais barata que as principais rivais. Para se ter uma ideia da loucura que foi o lançamento da CB 750 Four em 1969 (a única motocicleta de rua capaz de alcançar a marca dos 200 km/h reais), a projeção de 1.500 motocicletas anuais foi revista para 3.000 unidades mensais e então, numa ação para tentar conter a demanda, o valor foi aumentado para US$ 1.495 dólares.

A Honda espalhou muito rápido a novidade pelo mundo e atacou primeiramente o mercado japonês, americano e europeu. No Brasil, as primeiras versões de 1969 e 1970 denominadas K0, desembarcaram em setembro de 1969 e depois apenas as K1 de 1970 e 71 e as K2 de 1972 que foram oferecidas até 75, foram comercializadas. As K3, K4 e K5 não vieram e depois, a K6 retornou pouco antes do governo Geisel acabar com as importações.

Foto: Reprodução/Google Imagens

Ainda com a proibição das importações chegou no mercado brasileiro a CBX 750 F em 1986, uma versão toda em preto e muito famosa pelo aro dianteiro de dezesseis polegadas e pelas ponteiras de escapamento em cromo preto. Como inovação ela trazia suspensão traseira monoamortecida Pro-Link e semicarenagem e semiguidões e era capaz de ultrapassar a barreira dos 200 km/h. Competia na época com a famosa RD 350 LC que também acabava de aportar no Brasil em meados de 1986. De 1988 até 1990 a CBX 759F foi nacionalizada e produzida na zona franca de Manaus nas famosas e belas versões vermelha, conhecida como Hollywood e azul, apelidada de Rothmans. Em 1990 chegou a CBX 750 Indy com carenagem integral, que permaneceu no mercado brasileiro até 1994, com pouco mais de 11.300 unidades vendidas. Um sucesso para o, até então inovador, segmento das motos de grande cilindrada no Brasil.

Foto: Reprodução/Google Imagens

Em 1975 surgiu uma versão F (em alusão a four de quatro cilindros ou a fun de diversão?) com tanque de 19 litros, a inédita trava de guidão incorporada ao contato, escapamento 4X1, freio à disco na traseira e pequenas alterações no comando de válvulas e no carburador capazes de fazer o motor render 73 cavalos, potência extraordinária para uma motocicleta da época.

Foto: Reprodução/Google Imagens

Entre 1976 e 1978 surgiu a versão CB 750A com câmbio automático para atrair os olhares dos americanos que são os maiores apaixonados por esse tipo de transmissão.

Em 1979 estreia a versão KZ, uma motocicleta totalmente nova com um design bem semelhante ao da irmã com motor de seis cilindros em linha lançada no ano anterior, a CBX 1050. Equipada então com o novo motor de 749 cilindradas com cabeçote de dezesseis válvulas e duplo comando. Sua produção foi encerrada em 1983 com a fama de péssima dirigibilidade e grande fragilidade mecânica.

Em resposta à Kawasaki Z1 de 900 cilindradas, a Honda lançou a CB 900F e uma versão CB 750 FZ Super Sport que utilizava como base o chassi da CB 900. Outra versão curiosa é a CB 750 Custom Exclusive de 1979 que vinha equipada com guidão mais alto, assento marrom em dois níveis e algumas peças cromadas, tentando nitidamente atrair os compradores das custom americanas, obviamente sem o sucesso alcançado pelas outras versões.

Foto: Reprodução/Google Imagens

A Honda CB 750 K0 inaugurou o segmento das Superbikes, uma motocicleta à frente do seu tempo e que reina até hoje, absoluta, como a motocicleta do século, levando seu legado ainda por muitas gerações.