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Expedição Bajaj Serras do Sul: 10 dias de aventura revelam a robustez da Dominar 400

  • Publicado: 21/06/2026
  • 9 Minutos de leitura

Da Serra da Graciosa à Praia do Cassino, uma jornada inesquecível por alguns dos cenários mais impressionantes do Sul do Brasil

Quem acompanha meu trabalho sabe que passo boa parte da vida testando motocicletas. No entanto, por mais contraditório que pareça, oportunidades para realizar viagens longas de moto são relativamente raras.

Entre compromissos profissionais, lançamentos, avaliações e as responsabilidades da vida familiar, nem sempre sobra tempo para simplesmente abastecer a motocicleta, colocar a bagagem na garupa e seguir rumo ao desconhecido.

Por isso, quando recebi o convite da Bajaj para participar da Expedição Serras do Sul, uma viagem de dez dias atravessando alguns dos destinos mais icônicos do motociclismo brasileiro, aceitei imediatamente.

O cânion da Boa Vista é visita obrigatória nas serras do Rio Grande do Sil. (Foto: Kaique Lampoglia)

Além disso, havia uma curiosidade pessoal que me acompanhava desde a chegada da marca ao Brasil.

Afinal, por que a Bajaj escolheu justamente a Dominar 400, uma motocicleta de proposta essencialmente urbana e rodoviária, para protagonizar expedições que frequentemente incluem trechos de terra, pedras, areia e condições bastante desafiadoras?

A resposta viria ao longo dos mais de 2.500 quilômetros percorridos entre São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A influência da Índia na robustez da Bajaj Dominar 400

Antes de embarcar a viagem, eu já tinha algumas pistas.

Durante duas visitas à Índia, país de origem da Bajaj, tive a oportunidade de conhecer uma realidade completamente diferente daquela que encontramos no Brasil.

Se o trânsito das grandes cidades impressiona pelo volume e pela intensidade, as regiões montanhosas desafiam qualquer veículo. Muitas estradas apresentam pavimentação precária, erosões, trechos destruídos pelas chuvas e mudanças climáticas constantes, um verdadeiro laboratório a céu aberto.

A Bajaj tem ótimo nível de conforto para longas viagens. (Foto: Divulgação)

Em um país com essas características e que vende mais de 20 milhões de motocicletas por ano, robustez não é um diferencial. É uma necessidade.

Foi justamente essa filosofia que comecei a enxergar na prática durante a Expedição Bajaj Serras do Sul.

O início da aventura com a Bajaj: São Paulo, Ilha Comprida e Serra da Graciosa

Nossa expedição começou no dia 6 de abril, com saída da concessionária Bajaj Carrera, no Butantã, em São Paulo.

O grupo era formado pelas influenciadoras Giovanna Pilhalarmi e Gisele Favaro, do Café Rota Livre, além dos criadores de conteúdo Daniel Paiva, do canal Papo de Carona, Kaique Lampoglia e este jornalista representando a Revista MOTOCICLISMO.

Depois do café da manhã na concessionária Carrera, partimos para esta viagem épica. (Foto: Kaique Lampoglia)

A primeira parada aconteceu em Ilha Comprida, no litoral paulista, onde aproveitamos um almoço à base de peixes e frutos do mar antes de seguir viagem. Mas o primeiro grande desafio estava logo adiante.

A descida da Serra da Graciosa aconteceu sob chuva. O tradicional trecho de paralelepípedos, cercado pela Mata Atlântica preservada, exigiu atenção redobrada.

Ainda assim, mesmo sob tempo fechado, a serra impressiona, a vegetação densa forma um túnel verde sobre a estrada, enquanto a névoa que frequentemente cobre a região cria uma atmosfera quase cinematográfica. Cada curva parece revelar uma nova paisagem escondida entre as montanhas.

Ao final do dia, chegamos a Morretes para descansar na Estância Maktub.

Serra do Rio do Rastro: chuva, vento e frio em uma das estradas mais bonitas do Brasil

No dia seguinte, cruzamos Matinhos, embarcamos no ferry boat para Guaratuba e seguimos rumo a Bom Jardim da Serra, em Santa Catarina.

O destino já seria especial por si só, entretanto, o clima resolveu transformar a chegada em uma verdadeira prova de resistência.

Subimos a Serra do Rio do Rastro à noite, enfrentando chuva intensa, vento forte e temperatura baixa.

A escuridão escondia parte da paisagem, mas ampliava a sensação de aventura, por isso cada curva parecia conduzir a um cenário diferente. O frio atravessava as camadas de roupa, enquanto a combinação entre chuva e neblina exigia máxima concentração.

Quando finalmente chegamos quase congelados ao Hotel Fazenda Terra do Gelo, fomos recebidos por um tradicional barreado que teve sabor de recompensa, depois de um dia tão intenso, poucos momentos poderiam ser mais reconfortantes.

Serra do Corvo Branco e Morro da Igreja: paisagens de outro mundo

Assim, na manhã seguinte, o cenário havia mudado completamente. O céu limpo revelou algumas das paisagens mais impressionantes de toda a expedição.

O roteiro incluiu a Cascata do Avencal, a Serra do Corvo Branco e o Morro da Igreja.

A Serra do Corvo Branco impressiona pela grandiosidade dos paredões de pedra que foram talhados à mão, na picareta, nos anos 1940. A sensação é a de estar numa gigantesca fenda aberta no coração da montanha.

Já no Morro da Igreja, o horizonte parece não ter fim. Os campos de altitude se estendem até onde a vista alcança, enquanto os cânions surgem como verdadeiras esculturas naturais moldadas ao longo de milhões de anos.

Foi também nesse dia que encaramos um trajeto praticamente integral de off-road, com muitas pedras soltas, irregularidades e trechos de baixa aderência, que colocaram a Bajaj Dominar 400 à prova.

E foi justamente nessas condições que a motocicleta começou a revelar sua verdadeira vocação.

O pôr do sol na Serra do Rio do Rastro em nossa aventura de Bajaj

Ao final da tarde, paramos novamente no mirante da Serra do Rio do Rastro. O espetáculo que se desenrolou diante de nós foi daqueles que nenhuma fotografia consegue reproduzir completamente.

O sol desaparecia lentamente atrás das montanhas, tingindo o céu de tons dourados, laranja e vermelho. Assim, pouco a pouco, as luzes da estrada começaram a surgir na escuridão, desenhando o traçado sinuoso da serra como uma obra de arte iluminada.

Foi um daqueles momentos que pedem silêncio e contemplação. Um dos momentos que lembram por que gostamos tanto de viajar de moto.

Cambará do Sul e os cânions mais impressionantes do Brasil

Sendo assim, de Bom Jardim da Serra seguimos para Cambará do Sul, já no Rio Grande do Sul. Ali conhecemos dois dos cenários mais impressionantes de toda a viagem: o Cânion da Boa Vista e o Cânion Fortaleza.

Diante daqueles gigantes de pedra, qualquer pessoa se sente pequena. O vento constante, os campos verdes e os paredões verticais criam uma paisagem quase surreal.

É difícil encontrar palavras que façam justiça à grandiosidade daquele lugar.

Também fomos em trajeto 100% off-road até o famoso Passo do S, onde fizemos a travessia do rio mais famoso entre os motociclistas aventureiros e que dá nome uma cacheira mais adiante.

A travessia é um desafio, pois as pedras do rio são muito lisas e no dia que o atravessamos, como a água estava um pouco mais funda do que o habitual, a visibilidade era nula do fundo do rio.

Assim, para que a jornada fosse 100% completa, fizemos o trajeto de ida e de volta, onde pudemos desafiar nossos limites, em vez de limitá-los.

Após o almoço no excelente Paraíso dos Pampas, em São José dos Ausentes, seguimos para nossa hospedagem nas aconchegantes Cabanas Charme da Serra.

Foram dias de contemplação, muitas estradas de terra secundárias e quilômetros percorridos sem pressa.

O off-road em alguns trechos foi exigente, mas a Bajaj Dominar 400 surpreendeu e se saiu muito bem. (Foto: Kaique Lampoglia)

Gramado, Canela e uma pausa para recarregar as energias

A etapa seguinte nos levou até Canela e Gramado, duas cidades que figuram entre os principais destinos turísticos do Brasil.

Em Canela, visitamos o Skyglass, uma plataforma suspensa de vidro que avança sobre o vale proporcionando uma vista espetacular.

Já Gramado ofereceu uma pausa merecida, boa gastronomia, ruas charmosas e uma noite de descanso que renovou as energias para a etapa final da expedição.

Praia do Cassino: 230 quilômetros de areia e superação

Se a Serra do Rio do Rastro representou o desafio das montanhas, a Praia do Cassino apresentou um desafio completamente diferente.

Foram mais de 230 quilômetros percorridos sobre areia. Logo nos primeiros metros, minha motocicleta atolou em um trecho de areia movediça, com a massa de areia chegando até as pedaleiras.

Tanto na areia batida da Ilha Comprida quanto na Praia do Cassino, a Dominar 400 se sobressaiu. (Foto: Kaique Lampoglia)

Foram quase quarenta minutos de trabalho para resgatá-la. Hoje a situação rende boas risadas, naquele momento, porém, parecia cena de filme.

Ao longo do percurso enfrentamos areia compactada, areia fofa, conchas e diversos tipos de terreno arenoso. As condições mudavam constantemente e, ainda assim, a Bajaj Dominar 400 seguiu avançando.

Mesmo equipada com pneus Pirelli Diablo Rosso II, claramente desenvolvidos para uso em asfalto, a motocicleta demonstrou um nível de resistência e versatilidade surpreendente.

Na praia do Cassino visitamos as ruínas do antigo Hotel El Eduar, parcialmente engolido pela areia ao longo dos anos, além do Farol Sarita e da região próxima ao Chuí.

A imensidão da Praia do Cassino impressiona. Em alguns momentos, céu, mar e areia parecem se fundir em uma única linha infinita no horizonte.

Os 230 km de comprimento da Praia do Cassino escondem algumas belas surpresas. Até um esqueleto de baleia nós vimos.

Como a Bajaj Dominar 400 se comportou durante a expedição?

Ao longo de toda a Expedição Bajaj Serras do Sul, a Dominar 400 enfrentou chuva, frio intenso, longos deslocamentos, asfalto bom e ruim, estradas de terra, pedras soltas e areia profunda e enfrentou tudo isso sem demonstrar fragilidade.

O motor manteve funcionamento consistente durante toda a viagem, enquanto a ciclística transmitiu confiança mesmo em condições adversas.

Mais do que uma motocicleta de uso urbano ou rodoviário, a Dominar 400 mostrou ser uma parceira confiável para quem deseja explorar novos destinos sem abrir mão da simplicidade mecânica e da robustez.

Viajar no cartão-postal do Rio Grande do Sul é uma experiência memorável. Até o aroma do lugar é sublime.

O que aprendemos após 10 dias na estrada?

Foram dez dias de estrada, companheirismo, desafios e descobertas. Mas, como acontece nas melhores viagens de moto, a maior descoberta não estava nos destinos, estava no caminho.

Assim, ao final da expedição, compreendi definitivamente o propósito dessas aventuras promovidas pela Bajaj. Elas não existem apenas para mostrar do que uma motocicleta é capaz.

Elas existem para mostrar do que nós somos capazes quando decidimos sair da zona de conforto. Voltei para casa com muito mais do que fotos, vídeos e anotações para uma reportagem.

A região dos cânions tem beleza surreal, é fácil gastar horas observando sua grandiosidade. (Foto: Kaique Lampoglia)

Voltei com a certeza de que ainda existem lugares capazes de nos surpreender e experiências capazes de nos transformar.

As curvas da Serra do Rio do Rastro, os paredões da Serra do Corvo Branco, a grandiosidade dos cânions gaúchos e a imensidão quase infinita da Praia do Cassino continuarão comigo por muito tempo.

Porque algumas viagens terminam quando desligamos o motor, outras continuam viajando dentro de nós e talvez essa seja a maior lição da Expedição Bajaj Serras do Sul.

Os limites da Bajaj Dominar 400 eram muito maiores do que eu imaginava.

E os meus também.

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