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Entrevista: Flávio Villaça, executivo da Harley-Davidson América Latina

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  • Publicado: 11/04/2019
  • Atualizado: 15/04/2019 às 15:34
  • Por: Marcelo Barros

Desde 2014 como gerente de marketing na Harley-Davidson do Brasil, Flávio Villaça conversou com a MOTOCICLISMO sobre os planos da fabricante de motos norte-americana para o futuro e o seu posicionamento no mercado de motos brasileiro. A operação da marca foi unificada na América Latina em 2018 e a atual fase de gestão da marca, batizada de More Roads to Harley-Davidson, promete trazer muitas novidades ao mercado de motos mundial e aos motociclistas.

A operação da Harley Davidson agora está unificada na América Latina. O que muda com isso para a atuação da marca no Brasil?

Nosso compromisso em oferecer uma experiência diferenciada para clientes e admiradores no Brasil permanece inalterado. Na perspectiva de organização interna, fortalecemos a integração entre as atividades, o intercâmbio de melhores práticas e contamos com o conhecimento das equipes dos escritórios de São Paulo e Monterrey, México, responsáveis pelo fortalecimento da operação da América Latina.

Por questão de estratégias globais, a marca se uniu em grandes e importantes regiões visando fortalecer a operação e aumentar o grande potencial de áreas em que a companhia tem grandes possibilidades de crescimento. Esse movimento possibilita também que a imagem da Harley-Davidson no mundo todo fique ainda mais forte.

Após Triumph, Honda e Yamaha tirarem de linha suas custom, veio a Indian, que não deu certo no Brasil. Mas a Harley-Davidson explora bem essa categoria. Como você explica isso?

O segmento de motos custom é caracterizado por clientes apaixonados e que valorizam as tradições e valores essenciais do motociclismo, como a liberdade, a comunidade, os relacionamentos genuínos, a customização e o estilo de vida baseado na autenticidade. A Harley-Davidson vivencia esses mesmos valores de forma consistente ao longo dos últimos 115 anos, então é natural que exista uma grande conexão com os clientes desse segmento. Essa identificação, juntamente com as significativas atualizações da nossa linha de produtos, são os fatores fundamentais para nossa liderança absoluta de mercado nos segmentos que atuamos.

A linha Harley-Davidson é bem diversificada nas familias Sportster, Softail e Touring. Para a marca, qual é a mais importante? Quais sao as mais vendidas em cada familia hoje no Brasil?

Para a Harley-Davidson do Brasil todas as famílias de motos disponíveis no País hoje são importantes, pois têm propostas diferentes, baseadas na interpretação de liberdade individual de públicos distintos. A linha Sportster traz motocicletas de perfil urbano, focada no público jovem e cheio de atitude, que preza pelo minimalismo e agilidade na locomoção, mas sem nunca perder a autenticidade da marca. A família Softail, completamente renovada no ano passado, é a que conta com mais opções de motos na gama brasileira e, apesar de compartilhar o mesmo chassi para todas as motos, elas são muito diferentes entre si, tanto em termos de design e ciclística quanto na proposta oferecida. Já a família Touring congrega as nossas motocicletas estradeiras, de grande porte e conforto inigualável. Essas motos levam motociclistas e garupas a qualquer lugar e atingem o público viajante e que nunca dispensa uma rodovia, não importa quando seja. Portanto, as três famílias de motos são essenciais para atendermos à nossa diversificada gama de clientes. Os modelos mais vendidos por família são, respectivamente: a Iron 883, a Fat Boy e a Ultra Limited.

No México, vimos a Street 750 na concessionária. Por que não temos a moto no Brasil ainda?

A Harley-Davisdon analisa constantemente o mercado e a viabilidade de comercialização dos produtos no Brasil. Especificamente sobre a Harley-Davidson Street 750, a motocicleta não faz parte dos planos no mercado brasileiro a curto e médio prazo, por uma questão mercadológica.

No Brasil, marcas grandes como a Harley-Davidson lidam com o problema do sistema tributário, que deixa as peças de reposição caras. Como vocês lidam com essa questão?

Desde o estabelecimento da subsidiária no país, há oito anos, a Harley-Davidson do Brasil fez importantes avanços para oferecer uma experiência premium e estabelecer uma relação de longo prazo com seus clientes. Focamos em um atendimento de pós-vendas eficiente e com melhorias continuas, disponibilizando peças genuínas, acessórios e equipamentos que, por serem importados, estão sujeitos à variação cambial e à carga tributária brasileira. Por isso temos trabalhado também em outros aspectos que compõem o custo total de propriedade. Temos, hoje, um custo de seguro reconhecido publicamente como competitivo dentro do segmento premium e também temos investido na capacitação e treinamento dos profissionais de pós-venda de toda a Rede de Concessionárias, visando aumentar a eficiência e qualidade do serviço prestado diretamente aos clientes.

Você sempre é visto pilotando. Qual é a sua moto preferida hoje e por que?

Desde que entrei na Harley-Davidson abandonei o carro definitivamente e adotei a praticidade da mobilidade em duas rodas. Para o dia-a-dia na cidade, minha moto preferida é a nova Softail Sport Glide, pela sua proposta de versatilidade com alforjes removíveis, excelente ciclística e a força do motor Milwaukee-Eight 107. Para a estrada, apesar da Sport Glide ser uma ótima pedida, minha escolha é a Road Glide Ultra, pelo conforto, potência do motor e pelo exclusivo sistema de Infotainment com GPS, conectividade por bluetooth e Apple CarPlay.

Como você espera ver a marca no Brasil nos próximos 5 anos?

A marca estará ainda mais forte, com os novos produtos do nosso programa More Roads to Harley-Davidson. Estamos liderando e continuaremos na dianteira da revolução de mobilidade elétrica em duas rodas. Estenderemos a nossa atuação para novos segmentos e seguiremos fortalecendo os segmentos atuais onde a marca já detém liderança. Isso significa ampliarmos nossa base de clientes e levar a experiência única da marca para novos públicos onde enxergamos grande potencial. Isso nos dá ainda mais energia e motivação para seguirmos trabalhando com a marca.

Por qual motivo você gostaria que a Harley-Davidson fosse lembrada entre os motociclistas?

Por ser fiel à sua proposta de realizar sonhos de liberdade individual e, dessa forma, continuar transformando a vida de nossos clientes, através de experiências únicas que só uma marca que gera tamanho envolvimento emocional com os entusiastas pode fazer.