A indústria brasileira de motocicletas segue acelerando em 2026. Segundo dados divulgados pela Abraciclo, as fabricantes instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM) produziram 745.824 motos entre janeiro e abril, volume 10,6% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando mais de 674 mil unidades deixaram as linhas de produção. O resultado representa o melhor desempenho para um primeiro quadrimestre desde 2008.
Antes de mais nada, vale lembrar que os dados da Abraciclo contabilizam somente as informações de suas associadas. Isso significa que os números de fabricantes como Shineray, Mottu e Avelloz não integram este levantamento.

Somente em abril foram produzidas 184.376 unidades, maior volume já registrado para o mês nos últimos 18 anos. Na comparação com abril de 2025, período em que foram fabricadas 173,2 mil motos, o crescimento foi de 6,4%, embora tenha havido retração de 13,3% frente a março deste ano (212,7 mil unidades produzidas).
Segundo o presidente da Abraciclo, Marcos Bento, o desempenho reflete o aumento da demanda no país. “As fabricantes operam em ritmo forte para atender ao mercado”, afirma o executivo.
Street segue líder absoluta na produção
Entre as categorias, as motocicletas Street continuam dominando a produção nacional. Nos quatro primeiros meses do ano, foram fabricadas 383.485 unidades, equivalentes a 51,4% do total produzido no país. Na sequência aparecem os modelos Trail, com 148.785 motos (19,9%), e as Motonetas, com 97.800 unidades (13,1%).
O levantamento mensal manteve praticamente o mesmo cenário. Em abril, a categoria Street respondeu por 93.145 unidades produzidas, seguida pelas Trail, com 36.754 motos, e pelas Motonetas, que registraram 24.200 unidades.

Outro destaque do mês ficou para os scooters, que cresceram 24,1% na comparação com abril do ano passado, alcançando 18.165 unidades produzidas. Já as motocicletas Super Sport apresentaram o maior salto percentual do período, com alta de 680% em relação a abril de 2025.
Alta cilindrada cresce mais de 43%
No recorte por cilindrada, os modelos acima de 450 cm³ foram os que mais cresceram em 2026. Nesse sentido, a produção dessa faixa avançou 43,6% no acumulado do ano, somando 21.366 motocicletas fabricadas.
Segundo Marcos Bento, o avanço está ligado ao aumento da oferta de modelos voltados ao lazer e às viagens, impulsionado pelos recentes lançamentos no segmento.

Apesar disso, as motocicletas de baixa cilindrada seguem como maioria absoluta da produção nacional. Entre janeiro e abril, saíram das linhas de montagem 581.723 unidades de até 160 cm³, o equivalente a 78% de toda a fabricação nacional. As motos médias, entre 161 cm³ e 449 cm³, responderam por 142.735 unidades.
Emplacamentos de motocicletas batem recorde histórico
O mercado também registrou forte crescimento nas vendas. Entre janeiro e abril, foram licenciadas 782.364 motocicletas no Brasil, alta de 19,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo a Abraciclo, esse foi o melhor resultado já registrado para um primeiro quadrimestre.
Em abril, os emplacamentos totalizaram 210.636 unidades, crescimento de 15,3% na comparação com o mesmo mês de 2025. Em relação a março, houve queda de 5%, movimento atribuído ao menor número de dias úteis no mês.

Os dados regionais mostram equilíbrio entre Nordeste e Sudeste, que lideraram as vendas no acumulado do ano com participações praticamente idênticas: 32,5% e 32,4%, respectivamente.
Exportações de motocicletas também avançam em 2026
As exportações de motocicletas produzidas no Polo Industrial de Manaus também cresceram no primeiro quadrimestre. Entre janeiro e abril, foram embarcadas 14.925 unidades, avanço de 22,7% sobre o mesmo período de 2025.
Somente em abril, os embarques somaram 3.484 motocicletas, volume 38% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado, embora abaixo do resultado de março.

Mercado mantém projeção de crescimento
Por fim, de acordo com a Abraciclo, o setor deve seguir em alta ao longo do ano. A projeção da entidade indica produção próxima de 2,07 milhões de motocicletas em 2026, acima das 1,98 milhão fabricadas em 2025. Já o varejo pode atingir 2,3 milhões de unidades vendidas até o fim do ano.