O Brasil comemora 50 anos da Abraciclo! Conheça a trajetória da associação que transformou a motocicleta em ferramenta de cidadania e lidera a vanguarda tecnológica e de segurança no Brasil
Texto: Lucia Camargo Nunes | Fotos: Divulgação
A trajetória da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), completa meio século em abril de 2026, consolidando um dos capítulos mais bem–sucedidos da industrialização brasileira.
Fundada em 1976, a entidade nasceu em um momento de transformação para o país, inicialmente focada na representação dos fabricantes de ciclomotores. Pouco tempo depois, em 1980, com a adesão dos fabricantes de motocicletas, a associação expandiu seu escopo de atuação para abraçar também as bicicletas, motonetas e veículos similares.

Ao longo desses 50 anos, a Abraciclo tornou-se o fio condutor de um ecossistema que hoje coloca o Brasil como o sexto maior produtor de motocicletas do mundo e o quarto maior produtor de bicicletas.
O presidente da entidade, Marcos Bento, conta que a Abraciclo foi fundada com o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável e a competitividade do setor de duas rodas, apoiando e defendendo a indústria nacional estabelecida no Polo Industrial de Manaus (PIM), por meio dos pilares de política industrial, segurança viária e técnico.
Esse apoio institucional foi fundamental para que Manaus se transformasse no maior polo de produção de duas rodas fora do eixo asiático, um feito que orgulha a indústria nacional e garante a soberania produtiva do setor no continente.
Abraciclo 50 anos: articulação é um de seus legados
O papel da entidade como articuladora técnica e política é, sem dúvida, um dos maiores legados deste cinquentenário que se aproxima. Com sede em São Paulo e filiais estratégicas em Brasília e Manaus, a Abraciclo monitora as políticas públicas em discussão no poder executivo, bem como atua no acompanhamento de projetos de lei que tramitem no Congresso Nacional e que promovam impacto na competitividade e evolução tecnológica dos produtos fabricados pelas empresas do setor de duas rodas.
Esse trabalho é imprescindível para a manutenção da viabilidade de operação das 15 empresas associadas: Audax/Houston, Bajaj, BMW Motorrad, Caloi, Dafra, Ducati, Harley-Davidson, Honda, JTZ, Kawasaki, Oggi, Sense, Suzuki, Triumph e Yamaha. Esta importante articulação setorial e coordenada permite a entrega de subsídios e informações técnicas aos tomadores de decisão, visando superar os desafios regulatórios e tributários que poderiam onerar a produção nacional, frente à forte concorrência dos países asiáticos.

Um dos exemplos mais contundentes desse protagonismo técnico e político foi a atuação da Abraciclo durante as discussões sobre a reforma tributária.
Bento detalha que o trabalho foi intenso e exigiu uma mobilização sem precedentes da equipe técnica e jurídica da associação: “A Abraciclo trabalhou bastante porque sabia que esse tema era fundamental, primordial para as empresas, e a regulamentação traria a segurança jurídica necessária para assegurar a continuidade do fluxo de investimentos para melhorias nos processos industriais até 2073.”
Ferramenta de transformação social e econômica
Nestas cinco décadas de atuação da Abraciclo, a percepção da motocicleta no Brasil passou por uma mudança de paradigma.
“O veículo que, nos anos 1970 e 1980, era visto majoritariamente sob a ótica do lazer e da liberdade juvenil, evoluiu para se tornar a principal ferramenta de mobilidade urbana e trabalho para milhões de brasileiros”, comenta.
Hoje, a frota nacional de motocicletas ultrapassa 37 milhões de unidades, e a produção anual caminha para superar a marca histórica de 2 milhões de unidades em 2026. Esse crescimento, além de numérico, representa a democratização do transporte em um país de dimensões continentais.
A Abraciclo tem sido a voz que valoriza a motocicleta como instrumento de inclusão produtiva. Marcos Bento observa que a continuidade da demanda é uma consequência direta dos atributos da motocicleta, como a economia de combustível, a agilidade nos deslocamentos urbanos e o baixo custo de manutenção.
Para o executivo, a utilização profissional da motocicleta é um pilar econômico cada vez mais poderoso, sustentando a logística das cidades e a renda de milhares de famílias. A motocicleta permite que o cidadão tenha autonomia e mobilidade, muitas vezes sendo o único meio de transporte capaz de alcançar áreas remotas ou enfrentar o trânsito saturado das grandes metrópoles.
Além do impacto econômico direto na ponta, a indústria representada pela Abraciclo é um gigante gerador de empregos. A fabricação nacional de motocicletas ultrapassa 21 mil empregos diretos em Manaus e mais de 150 mil em todo o território nacional.
Esse alcance social é o que motiva a entidade a atuar como articuladora entre governo, indústria e sociedade. A associação entende que cada motocicleta vendida representa uma nova oportunidade de renda e uma solução de mobilidade para o brasileiro.
Compromisso inegociável com a segurança
A trajetória da Abraciclo é marcada por um compromisso ético e técnico com a vida no trânsito. A entidade entende que seu papel não termina quando o veículo sai da linha de montagem em Manaus.
“Nossa estratégia de segurança viária é baseada em ações proativas de educação, formação e conscientização durante todo o ano. Tratamos a segurança como um valor inegociável da indústria nacional, que investe continuamente em inovação tecnológica e na educação do condutor”, explica Sergio Oliveira, diretor-executivo da entidade.
A associação trabalha para atingir a meta do PNATRANS de reduzir a mortalidade no trânsito em 50% até 2028.
Esse esforço é coordenado por meio de uma participação ativa nas câmaras temáticas de assuntos veiculares e educação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

Ao longo dos anos, a Abraciclo construiu um histórico robusto de campanhas educativas que se tornaram referência nacional. Oliveira destaca que a estratégia de segurança viária da associação e de suas 15 associadas é baseada em ações proativas de educação, formação e conscientização.
Um exemplo prático e de grande impacto são os Pit Stops Educativos. Somente em 2025, foram realizadas oito edições desses eventos, reunindo mais de 15 mil participantes. Nessas ocasiões, os motociclistas assistem a palestras e participam de atividades interativas que reforçam a importância do respeito às leis de trânsito e o uso correto dos equipamentos de proteção.
Faixa Azul e Visão Zero
Outro marco do protagonismo técnico da Abraciclo no campo da segurança é o apoio à implementação da Faixa Azul em grandes centros como São Paulo. Inspirada nos princípios internacionais de Visão Zero e Sistemas Seguros, a Faixa Azul reorganiza o espaço viário para proporcionar mais segurança aos motociclistas e harmoniza a convivência entre os diferentes modais de transporte. Atualmente, milhares de motociclistas são beneficiados diariamente por esse projeto em seus deslocamentos, provando que a articulação técnica entre a indústria e os órgãos de trânsito salva vidas.

Avanços regulatórios e evolução técnica
A atuação técnica da Abraciclo é o que permite que a indústria brasileira de duas rodas permaneça na vanguarda tecnológica. A associação participa de debates regulatórios fundamentais, como os que definiram as regras para o uso de bicicletas elétricas e a implementação de itens de segurança obrigatórios em motocicletas.
O departamento técnico da entidade estimula constantemente a evolução tecnológica em temas como segurança veicular e preservação do meio ambiente. Desta forma, a entidade contribui tecnicamente em pautas de extrema relevância global, como a descarbonização e o cumprimento rigoroso das normas do Programa de Controle da Poluição do Ar por Motociclos e Veículos Similares (PROMOT), que define limites rigorosos de emissões de poluentes e ruídos para veículos de duas rodas no Brasil.
Essa liderança técnica também se reflete na preparação para as novas modalidades de mobilidade, como as novas regras para ciclomotores elétricos que exigem emplacamento e habilitação. Para a Abraciclo, informar o mercado sobre as novas regras é estratégico: o objetivo é evitar que a burocracia se torne uma barreira de acesso e a transição seja um facilitador para a mobilidade.
Olhar para o futuro: desafios, recordes e sustentabilidade
Ao completar 50 anos de história, a Abraciclo olha para o futuro com uma combinação de otimismo e cautela estratégica. As projeções para 2026 são históricas: a expectativa é que a produção de motocicletas ultrapasse a marca de 2 milhões de unidades, atingindo 2.070.000 veículos produzidos, um crescimento de 4,5% sobre o ano anterior. No varejo, o licenciamento deve chegar a 2,3 milhões de unidades.
“Acreditamos que a demanda pela motocicleta deverá seguir em alta devido aos atributos da motocicleta e, fundamentalmente, à crescente utilização profissional, que é um motor de inclusão produtiva”, explica o presidente Marcos Bento. Ele afirma que, se o setor continuar nesse ritmo, a marca de 2 milhões será consolidada, mas ressalta que isso exigirá novos investimentos das fabricantes em suas linhas de produção e na ampliação da capacidade produtiva para atender à demanda crescente.
No entanto, o horizonte não é isento de desafios macroeconômicos. A entidade monitora atentamente o aumento de políticas protecionistas e a evolução dos conflitos internacionais, que poderiam aumentar significativamente os custos logísticos. Em relação ao cenário nacional, fatores como a manutenção das taxas de juros, a evolução de políticas cambiais e o avanço da inflação, que impactam diretamente o poder de compra do brasileiro, são citados como temas de atenção.
O desafio para as próximas décadas será continuar atendendo às demandas do mercado com produtos que unam tecnologia, segurança, qualidade e, acima de tudo, respeito ao meio ambiente.
A Abraciclo encerra seu primeiro meio século de vida como uma instituição madura, respeitada e indispensável para o desenvolvimento do Brasil. Desde a defesa da competitividade da Zona Franca de Manaus (ZFM), até a educação do condutor nas ruas das metrópoles, a associação provou ser o elo necessário para que a indústria de duas rodas floresça de forma sustentável.
A história que começou em abril de 1976 continua sendo escrita diariamente por milhares de trabalhadores em Manaus e milhões de motociclistas e ciclistas em todo o país.
A celebração destes 50 anos é, portanto, um tributo à determinação industrial e ao compromisso social de uma entidade que nunca parou de acelerar em direção ao progresso.