Quem escolhe uma moto elétrica busca economia no uso diário, praticidade para se deslocar pela cidade e uma experiência de pilotagem mais silenciosa.
No scooter AIMA X6, essas características aparecem logo nos primeiros quilômetros: basta girar o acelerador para sair do lugar praticamente sem ruído, enquanto o porte compacto facilita as manobras e a ausência de câmbio torna a condução simples.
Mas a experiência com um veículo elétrico também envolve autonomia, tempo de recarga, relevo e velocidade. Foi nesses aspectos que o X6 mostrou, durante os testes em São Paulo, tanto suas qualidades quanto os limites de sua proposta.

O scooter tem motor elétrico de 3.000 W, velocidade máxima declarada de 90 km/h e autonomia de até 80 km. A versão avaliada custa R$ 23.990 e inclui duas baterias de 60 V e 29 Ah, cuja recarga leva entre seis e sete horas. Chave presencial, alarme, carregador e bauleto também fazem parte do pacote.
Por trás do X6 está a AIMA, fabricante chinesa especializada em veículos elétricos de duas rodas. A empresa produziu 11,56 milhões de unidades em 2025 e está presente em mais de 80 países. No Brasil, a marca vem ampliando sua operação e avalia investimentos para expandir sua presença no mercado, inclusive com a instalação de uma fábrica no país.
Um velho conhecido?
É difícil olhar para o X6 e não lembrar do EV1. O desenho dos dois scooters é idêntico, embora a AIMA não confirme oficialmente que se trata do mesmo produto. Já antiga Voltz, por sua vez, afirmava que seus modelos tinham design próprio e exclusivo para o mercado brasileiro.

Compacto nas dimensões, confortável na condução
O X6 tem dimensões compactas, desenho contemporâneo e acabamento bem cuidado. O conjunto óptico de LED e a lanterna traseira são destaques, enquanto a balança robusta, as rodas de 12 polegadas, os apliques de metal escovado no assoalho e o pequeno para-brisa completam o conjunto.
Apesar do porte reduzido, o scooter me acomodou bem, com 1,77 m e 112 kg. Foi necessário recuar no banco e apoiar o quadril junto ao ressalto traseiro para evitar que os joelhos ficassem muito próximos do escudo frontal. O espaço é suficiente, mas o formato do banco faz o corpo escorregar gradualmente para a frente, exigindo alguns reposicionamentos.

Silêncio e facilidade de condução
Uma das características que mais chamam atenção é o silêncio. Depois de ligar o sistema, basta acelerar para começar a rodar praticamente sem ruído mecânico. A experiência é diferente daquela de um scooter convencional e torna o deslocamento mais tranquilo.
O silêncio, porém, exige atenção. Pedestres e outros usuários da via podem não perceber a aproximação do veículo, especialmente em locais movimentados.
O porte compacto também favorece a condução. O X6 muda de direção com facilidade e é simples de manobrar no trânsito. A suspensão dianteira telescópica trabalha bem, embora pisos muito irregulares transmitam parte das imperfeições ao guidão. Na traseira, o amortecedor hidráulico absorve bem os impactos.

Motor tem três modos
O motor de 3.000 W pode ser utilizado em três modos de pilotagem. O primeiro limita a velocidade a 35 km/h; o segundo permite chegar a 60 km/h; e o terceiro libera os 90 km/h declarados pela AIMA.
A aceleração é progressiva e suficiente para os deslocamentos urbanos. As limitações aparecem principalmente nas subidas. Em aclives mais fortes, a velocidade cai e o scooter precisa de mais tempo para vencer o trecho. Quanto maior o peso transportado, maior também tende a ser o esforço do motor e o consumo de energia, independentemente do modo selecionado.

Por isso, os 90 km/h representam mais o limite de desempenho do X6 do que sua condição ideal de uso. O scooter se mostra mais à vontade em trajetos urbanos, especialmente quando predominam trechos planos e velocidades moderadas.
Com a carga das baterias mais baixa, o desempenho também pode ser afetado, tornando ainda mais perceptíveis as limitações em aclives.
Freios e comportamento do AIMA X6
Os discos nas duas rodas têm acionamento combinado (CBS) e apresentaram boa capacidade de frenagem, com resposta rápida e tato adequado. É preciso, entretanto, dosar a força no manete esquerdo: uma atuação brusca pode travar a roda traseira, especialmente sobre pisos de baixa aderência.

As rodas de 12 polegadas ajudam a manter o comportamento previsível, mas a pequena distância do conjunto em relação ao solo limita uma condução mais esportiva. Durante a avaliação, o cavalete chegou a raspar no asfalto em curvas para a direita feitas com maior inclinação.

Equipamentos fazem diferença
A chave presencial permite ligar o scooter sem inserir uma chave convencional no contato, enquanto o alarme acrescenta segurança quando o veículo está estacionado.

O X6 é entregue com três chaves: uma presencial, que também funciona como controle do alarme; uma física, para situações em que a bateria da chave presencial se esgote; e outra destinada à abertura do bauleto. Instalado de fábrica, amplia a capacidade de transporte.

Há ainda dois porta-objetos atrás do escudo, gancho para sacolas e espaço sob o assento, acima da bateria, suficiente para uma jaqueta leve e pequenos objetos. O scooter também oferece marcha a ré e sistema de som com conectividade Bluetooth.








Autonomia pede planejamento
A AIMA declara até 80 km de autonomia. O alcance real, entretanto, depende de fatores como velocidade, peso, relevo e estilo de condução.
As duas baterias de 60 V e 29 Ah levam entre seis e sete horas para uma recarga completa. Elas podem ser carregadas instaladas no scooter ou removidas individualmente para recarga em uma tomada residencial com o carregador que acompanha o produto.

Para quem consegue deixar o X6 conectado durante a noite ou o expediente, o tempo de recarga tende a ser menos relevante. Já quem depende do scooter durante todo o dia precisa incorporar esse intervalo à rotina.

AIMA X6: vale a pena?
Com duas baterias e preço de R$ 23.990, o AIMA X6 é uma alternativa voltada principalmente à mobilidade urbana. O porte compacto, o silêncio, a facilidade de condução e os equipamentos favorecem o uso cotidiano.
Por outro lado, subidas acentuadas, vias de trânsito rápido e percursos longos deixam mais claras as limitações do conjunto. O X6 não deve ser encarada como substituta direta de qualquer scooter convencional, mas como uma opção para quem tem um percurso compatível com suas características.

Para trajetos urbanos, curtos e predominantemente planos, o conjunto mostra coerência. Nesse cenário, silêncio, simplicidade de condução e praticidade são seus principais argumentos.
Assine a MOTOCICLISMO e acelere sua paixão por motos!
Receba todos os meses a revista MOTOCICLISMO, além de conteúdos exclusivos, lançamentos, testes e edições especiais para assinantes. Escolha entre os planos e faça parte da nossa comunidade. Assine agora e fique ainda mais perto do universo das motos!