Primeiras impressões da trail BMW G 310 GS

Autor: Carlos Bazela


A trail BMW G 310 GS foi lançada em novembro de 2016, no EICMA, o Salão de Milão – evento mais importante do planeta para o mercado de motos – e na última semana fomos até Barcelona, na Espanha, para a apresentação mundial do modelo para a imprensa especializada, com direito a provar a moto pelas estradas da bela região da Catalunha, por exatos 240 quilômetros em uma sexta-feira de sol e céu azul. A reportagem completa você confere na próxima edição da MOTOCICLISMO, mas a seguir estão nossas primeiras impressões da moto.

O design não nega. Pelas carenagens, grafismo e bagageiro, a inspiração dela foi a R 1200 GS, referência na categoria maxitrail no mundo e a mais vendida no Brasil.  Salvo alguns mínimos detalhes de solda perto da pedaleira do garupa, a moto é impecável. Ela é o segundo modelo criado em parceria com a indiana TVS e é na Índia que ela é fabricada e despachada para montagem em outros países, como em breve, no Brasil.

A primeira foi a naked G 310 R, que compartilha painel todo digital e o motor, que tem o cilindro e cabeçote rotacionados em 180º do padrão (rotação no sentido horizontal) dos motores monocilíndricos. Com isso, a admissão do motor é pela frente da moto. Além do aumento em eficiência e redução de peso, esta disposição deixa a moto mais estreita, compacta. O que é ótimo para um modelo que se propõe a ser boa para qualquer situação. Os pneus de uso misto Metzeler Tourance foram os escolhidos para esta trail, que tem rodas de liga leve, sem câmara de ar. Na dianteira, aro 19” e na traseira, aro 17” e tem boa aderência no asfalto e fora dele.

Saindo para o teste, encaramos uma congestionada Barcelona, com poucos espaços e muitos semáforos. A moto é compacta e passa com tranquilidade pelo espaço entre os carros. A posição de pilotagem é bem confortável, o assento em dois níveis tem espuma bem macia, e as respostas do motor, que rende 34 cv de potência e torque de 2,8 kgf.m, bem satisfatórias para a proposta da moto. Para quem tem as trail tradicionais brasileiras Yamaha Ténéré 250 e Honda XRE 300, poderá sentir a necessidade de acelerar um pouco mais nas saídas de semáforo, mas após alguns quilômetros, a adaptação é rápida e nem se percebe essa diferença na tocada da moto.

Saindo da cidade, entramos em estrada bem sinuosa e com perfeito pavimento, o que permitiu analisar as respostas do motor em retomadas, o comportamento das suspensões (com 180 mm de curso na dianteira e traseira) e a eficiência dos freios. Quando realizamos frenagens, apenas com o freio traseiro, era possível ver a suspensão dianteira abaixando, resposta de um leve acionamento do freio dianteiro. Curiosamente a marca não deixou claro essa ação combinada na apresentação. Nas estradas abertas, com longas retas, comprovamos que, assim como na G 310 R, seu foco não é velocidade final. Lembrando que em 120 km/h, velocidade máxima das vias brasileiras, ela anda bem, e tem boas retomadas, permitindo ultrapassagens sem perigo. A moto tem um para-brisa de fábrica, que, praticamente, é só decorativo de tão baixo. Seria para nós a primeira troca a ser feita , para aumentar o conforto contra vento e chuva leve em velocidades mais altas.

No off-road, desligamos o ABS e rodamos por estradas com pouca areia, mas muitas pedras soltas. Com 1,85m de altura, senti a falta de um guidão mais alto para a pilotagem em pé, mais adequada, confortável e segura para terrenos irregulares. Um outro guidão ou um elevador da mesa resolvem. A roda aro 19” na dianteira limita um pouco a absorção das irregularidades do piso, exigindo do motociclista um maior domínio das técnicas de pilotagem na terra para andar mais rápido, aproveitando ao máximo a capacidade da moto e ter controle sobre ela. Um aro 21” seria perfeito e tornaria a moto nessa condição mais fácil de ser conduzida.

Entendemos após conversar com profissionais que participaram do projeto que a proposta da moto é ser mais equilibrada,  boa para o asfalto e fora dele. Mas, claro, com a balança tendendo mais para o uso no on-road, onde a maioria esmagadora dos usuários utiliza essas motos. Ela sem dúvidas tem a essência das GS maiores, que fizeram a fama da BMW pelo mundo todo. A diferença é que ela é acessível tanto financeiramente, quando pela sua pilotagem fácil, agradável e sem exigir tanto domínio das técnicas para muito mais pessoas que suas irmãs maiores.

A moto não tem uma previsão para aterrissar no nosso mercado, mas sua chegada é praticamente certa. Esperamos vê-la no Salão Duas Rodas, em novembro. O preço deve ficar na faixa da trail Kawasaki Versys-X 300, sua concorrente direta no Brasil e da crossover Honda CB 500X, na casa dos R$ 25.000. Mas, nossa aposta é que ela venha com o preço de R$ 24.000,  mais alinhado ao que ela oferece e ao custo das opções no Brasil. Vamos esperar e ver.

Texto: Marcelo Barros – Editor de Testes da MOTOCICLISMO

Fotos: Daniel Kraus


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