Quando a Yamaha Ténéré 700 desembarcou no mercado mundial, ela foi aclamada por sua “rusticidade honesta”. Era uma moto analógica em um mundo de naves espaciais. Mas o tempo passa, as normas anti poluição apertaram o cerco e a Yamaha se viu diante de um abismo: como injetar tecnologia eletrônica sem castrar a agilidade e a pureza que fizeram desta moto um ícone de vendas?

Nós passamos uma semana testando a nova big trail média nas estradas sinuosas e nas trilhas de terra para trazer o veredito real.
Impressões ao pilotar
A grande interrogação desse teste estava no desempenho do motor. Ao dar a partida, o ronco do motor bicilíndrico de 690 cm³ com intervalo de ignição a 270 graus continua idêntico ao da irmã naked MT-07: encorpado, grave e ritmado. Mas a mágica acontece quando você gira a manopla direita.

A conexão entre a mão direita e a roda traseira é milimétrica. O motor cresce rápido, principalmente a partir das 3.500 rpm, entregando os 68,9 cv de potência com muita saúde nas 9.000 rpm, e o torque máximo de 6,6 kgf.m a 6.500 rpm. O câmbio de seis velocidades tem engates secos, precisos, e você consegue fazer reduções agressivas sem que a alavanca apresente resistência.

No bom asfalto das rodovias o motor rende perfeitamente o suficiente para manter velocidades de cruzeiro com torque de sobra, proporciona ultrapassagens seguras e alcançando altas velocidades sem esgoelar. Ela gosta de viajar, alí, entre os 140 e 160 km/h, mais do que isso ela vai muito bem, mas você percebe que é desnecessário.

Ao entrar na terra notei a entrega de potência linear, com a curva de torque nitidamente plana e disponível mais cedo, por volta das 3.500 rpm. Em subidas de pedrisco solto, a Ténéré 700 sobe com um fôlego impressionante em segunda marcha, quase em marcha-lenta, tracionando como um trator de um cilindro.

Dinâmica de ciclística: como a suspensão se comporta
Desenvolvida e castigada no severo programa de Rali-Raid da marca, a Yamaha Ténéré 700 entrega a simbiose perfeita entre robustez estrutural e leveza dinâmica através de seu chassi de berço duplo em aço tubular. A arquitetura estreita do conjunto, combinada a um entre-eixos curto, garante uma agilidade ciclística impressionante nas mudanças rápidas de direção e em baixas velocidades.

Para engolir o fora de estrada sem reclamar, o modelo ostenta 240 mm de vão livre em relação ao solo e generosos 210 mm de curso na suspensão. Na dianteira, o imponente garfo invertido com tubos de 43 mm traz regulagem de pré-carga, trabalhando em total sintonia com o amortecedor traseiro ajustável com reservatório remoto (piggyback).

Pronta para o pior cenário, a moto vem de fábrica com pedaleiras amplas para pilotagem em pé, assento plano de rali e proteções robustas de motor e mãos. O toque final de resistência fica por conta das rodas raiadas de alumínio, nos diâmetros puristas de 21 polegadas na frente e 18 atrás, calçadas com os pneus Michelin Anakee Adventure, garantindo tração cirúrgica e alta durabilidade tanto na terra quanto no asfalto.

A mesa inferior em liga forjada e a superior em liga fundida deixaram a frente incrivelmente rígida. Ao atacar curvas fechadas no asfalto ou nas velocidades mais altas, a moto não oscila. Você aponta e ela mantém a linha com precisão cirúrgica de uma naked.

Na terra, ao saltar pequenas lombadas ou encarar costelas de vaca, o link progressivo do amortecedor traseiro trabalha com muito mais suavidade. A suspensão lê o terreno sem repassar o impacto seco para as pedaleiras. Mesmo com o peso total de 208 kg em ordem de marcha, a moto passa a impressão de leveza.

Erros e acertos eletrônicos no uso real
O painel TFT de 6,3 polegadas montado na vertical (estilo torre de navegação) é belíssimo, conta com dois temas e tem excelente contraste sob luz solar direta. O painel conta com conectividade Bluetooth através do aplicativo Yamaha Motorcycle Connect, o Y-Connect, que desbloqueia uma série de funcionalidades, incluindo atender chamadas, ouvir música e utilizar a navegação “turn-by-turn”. O joystick de cinco direções no punho esquerdo facilita a navegação pelos menus, mesmo usando luvas grossas de motocross.

O sistema de freios é sem novidades e conta com dois discos na dianteira e disco único na traseira. O grande acerto de engenharia foi o botão físico “ABS” no painel. Dar um toque longo e ver o ABS e o controle de tração serem desativados de uma só vez poupa o piloto de ficar navegando por submenus no meio da trilha enquanto o motor está ligado.

A Ténéré 700 oferece ABS e TCS (controle de tração) ajustáveis por um botão. O ABS tem três modos, permitindo desativar a atuação na roda traseira, nas duas rodas ou ligado nas duas rodas, enquanto o controle de tração pode ser desligado diretamente no painel.

Por outro lado, o contra fica para a autonomia. Para passar no estrangulamento do Promot5, o mapa de injeção trabalha mais rico em algumas faixas, o que derrubou a média de consumo para a casa dos 23 km/l. Com o tanque redesenhado de 16 litros, a autonomia real de segurança fica na casa dos 340 km, mas que o piloto de longas expedições precisa planejar. Por R$ 67.590 mais R$ 1.828 do frete, nas cores azul metálico como a do nosso teste, azul sólido e cinza fosco.