
Mais ‘simpático’ que as motos, o scooter acaba sendo visto de forma diferente no trânsito, principalmente por quem não anda de moto. Nele, o design sempre é caprichado, e atrai olhares admirados. No SH 300i não é diferente, ele agrada bastante. É mais compacto e estreito que o Dafra Citycom 300i, principal concorrente e nitidamente mais atual no quesito design. Durante a nossa viagem-teste, muitos elogios para sua beleza, ainda mais na cor escolhida, o chamativo vermelho perolizado (o sóbrio cinza metálico é opção). Destaque para a iluminação frontal em LED, simplesmente linda, e o mais importante: é funcional e ajuda muito a ver melhor as vias à noite e, é claro, a ser visto. A lanterna traseira também é em LED.

Quem se interessa por scooter é normalmente fã de tecnologia, e um dos diferenciais do SH300i é não ter uma chave física, convencional. Ele tem chave eletrônica, por presença (Smart Key). Basta se aproximar do scooter com ela no bolso que a chave seletora, abaixo do painel, do lado direito, é liberada para operação. Por ela, se habilita o acionamento do motor, a trava da direção, e a abertura do compartimento sob o assento, onde também está o acesso ao tanque de 9,1 litros.
Só que, como tudo que é eletrônico e sem fio, ela funciona a bateria. E essa bateria, com o tempo, pode ter sua carga consumida e você pode não conseguir ligar o scooter! Adivinhe com quem aconteceu isso. A dica é deixar uma bateria (o modelo é CR 2032, custa cerca de R$ 5,00) nova, sempre por perto. A própria chave de presença tem um sistema simples para verificar a carga dessa bateria: aperte um dos botões do controle, se a luz verde acima deles não acender, está na hora de trocá-la.

Um divisor de opiniões sem dúvida é o para-brisa. Ele aumenta a altura da moto a 1 600 mm e o peso total do scooter em 2 kg (de 162 kg para 164 kg) e sua posição em relação ao motociclista é no mínimo “controversa”, para o uso nas vias brasileiras, tão variáveis quanto uma montanha-russa. Se usar o SH na cidade, andando entre carros, mudando de faixa, em subidas, descidas, enfim, em qualquer situação que tenha que naturalmente pôr o corpo para frente, você vai bater o capacete no para-brisa. Na cidade, ele incomoda mesmo e perdi a conta de quantas vezes o acertei. Mas na estrada ele foi bem útil para me proteger do vento forte, reduzindo o cansaço da viagem, e das intempéries rotineiras da estrada. A sujeira e a coleção de insetos grudados no para-brisa foram prova da sua eficiência. Colocar um menor não resolve, pois na estrada ele vai jogar o vento direto na parte inferior do capacete, gerando desconforto em alta velocidade. Como é possível removê-lo, usando sem, é mais fácil lidar com essa situação — a remoção não é simples e deve ser feita na concessionária ou oficina de confiança. O ideal seria que a curvatura dele fosse diferente, deixando-o mais afastado da cabeça do motociclista.

Para dar conta das irregulares vias brasileiras, as suspensões precisam ser boas, para ga rantir o conforto e, é claro, segurança na pilotagem. No SH, como em todo scooter, as suspensões têm curso reduzido. São 115 mm na dianteira e 114 mm na traseira, que é biamortecida. Não ignore o ajuste de pré-carga em cinco níveis disponível. Ele faz toda a diferença. Para nós, o melhor ajuste é deixá-la no 5, mais dura. Assim andou bem na estrada, com estabilidade em curvas e na cidade a diferença foi mínima em relação ao ajuste mais macio. As rodas aro 16 ajudam no conforto, mas, mesmo assim, com a calibragem e curso das suspensões, não garantem vida fácil na buraqueira — assim como nenhum scooter, com exceção, talvez, do X-Adv, que vêm aí.

Na estrada, não precisar trocar de marcha é realmente muito prático e torna a viagem mais fácil e confortável. Nos trechos sinuosos, ele se comportou bem, com estabilidade, principalmente após endurecer ao máximo a suspensão traseira. Na subida de serra, entre Ubatuba e São Luiz do Paraitinga, trecho que costuma ser o mais divertido, sentimos falta de um câmbio, para ter melhores respostas. Automático, ele foi devagar e sempre, com retomadas racionais, sem a emoção das motos. As viagens com o SH 300i não podem ser muito longas, pois a posição de pilotagem, sentado, não permite variação da posição da perna. Isso gera um cansaço extra.

O SH 300i tem três anos de garantia, sem limite de quilometragem e custa R$ 20 990 (preço sem despesas de frete e seguro). A Honda pede no SH exatamente o dobro do PCX 150. Sim, está caro, mesmo com tudo que oferece. 30% mais barato seria mais coerente, mas está dentro do que a concorrência está cobrando no Brasil. Mas, mesmo custando mais de R$ 20 000, muita gente não vai abrir mão do desempenho extra dele, principalmente se for trafegar com frequência por rodovias e com garupa, ponto onde os scooter 150 falham.
CONCLUSÃO
Muita gente quer apenas uma boa opção para deixar o carro em casa e ir do ponto A ao ponto B, com o menor esforço e preocupação possível. Claro, gastando menos também e se não sujar o calçado, perfeito! Nessa receita, a emoção das motos perde para a razão e os scooter dão banho na concorrência. Com o SH 300i fiz o Superteste menos cansativo que me recordo, porém, sem aquele prazer de estar na estrada acelerando. Na sua categoria, oferece o melhor custo-benefício, mas não deveria custar exatos dois PCX 150. Por R$ 18 000 seria um upgrade dos 150 mais natural…
Texto: Marcelo Barros
Fotos: Gustavo Epifano








