Testes Triumph

Testamos a Triumph Speed 400: pontos fortes, consumo e o que pode incomodar

  • Publicado: 22/07/2026
  • 8 Minutos de leitura

O segmento das motos de 400 cilindradas nunca esteve tão competitivo no Brasil. Nos últimos anos, diversas fabricantes passaram a disputar espaço em uma categoria que reúne diversos tipos de motociclistas.

A Triumph entrou nessa briga em 2024 com a chegada da Speed 400 e da Scrambler 400 X. Depois, a família cresceu com a chegada da Scrambler 400 XC e, recentemente com a confirmação, das inéditas Thruxton 400 e Tracker 400 para o mercado brasileiro.

Triumph Speed 400
Triumph Speed 400 – Foto: Gustavo Epifanio

Mas foi justamente a pioneira da linha, a Speed 400, que passou uma semana na garagem da Motociclismo Online.Foram mais de 500 quilômetros rodados, incluindo trânsito urbano, rodovias e estradas sinuosas.

O objetivo foi simples: descobrir como a Speed 400 se comporta no uso real e responder às principais dúvidas de quem pensa em comprar a naked de entrada da Triumph.

Visual e acabamento de primeira

Logo no primeiro contato, a Speed 400 chama atenção pelo equilíbrio entre o clássico e o moderno.

Seu tanque musculoso, o farol redondo em LED, o escapamento curto e as linhas limpas remetem às tradicionais roadsters inglesas, enquanto detalhes como as suspensões invertidas douradas e os espelhos nas pontas do guidão acrescentam um toque esportivo.

Triumph Speed 400
Triumph Speed 400 – Foto: Gustavo Epifanio

Nossa unidade de teste era uma bela opção de tanque branco, com detalhes em preto e dourado que valorizavam ainda mais o conjunto.

Entretanto, o visual bonito não é seu único destaque. Ao observar a moto de perto, fica evidente o cuidado da Triumph com os acabamentos. 

Triumph Speed 400
Speed 400 agrada no acabamento – Foto: Gustavo Epifanio

O banco possui excelente revestimento, os comandos dos punhos transmitem qualidade e praticamente todos os encaixes passam sensação de produto premium.

Motorização e itens de série

A Speed 400 é equipada com motor TR-Series de 398,15 cm³, monocilíndrico, DOHC, quatro válvulas e arrefecimento líquido. Ele produz potência de 40 cv a 8.000 rpm e torque de 3,82 kgf.m a 6.500 rpm, aliado com câmbio de seis marchas e embreagem assistida e deslizante.

Triumph Speed 400
Motor rende 40 cv – Foto: Gustavo Epifanio

Além disso, a Speed 400 oferece como itens de série:

  • Controle de tração
  • ABS de dois canais
  • Iluminação Full LED
  • Acelerador eletrônico
  • Retrovisor no guidão

Como a Triumph Speed 400 se comporta na cidade?

Durante boa parte do teste, a Speed 400 foi utilizada em deslocamentos urbanos. E foi justamente nesse ambiente que ela mostrou um de seus maiores pontos fortes.

Com apenas 170 kg em ordem de marcha, entre-eixos de 1.377 mm e rodas de 17 polegadas, a naked é extremamente ágil nas mudanças de direção e permite realizar manobras em ruas e corredores apertados com facilidade.

Triumph Speed 400
Speed 400 é ágil nas mudanças de direção – Foto: Gustavo Epifanio

Outro destaque fica por conta do motor.

O torque aparece cedo e garante arrancadas rápidas nos semáforos e retomadas bastante eficientes, sem exigir reduções constantes de marcha. Na prática, é uma moto fácil de pilotar e divertida até mesmo em trajetos curtos.

Suspensão absorve bem as irregularidades

Outro ponto positivo foi o conjunto de suspensões.

Na dianteira, a Speed 400 conta com garfo invertido Big Piston de 43 mm com 140 mm de curso. Já na traseira, o sistema utiliza monoamortecedor a gás com reservatório externo e ajuste de pré-carga.

Triumph Speed 400
Destaque para a suspensão invertida em dourado – Foto: Gustavo Epifanio

Mesmo eu pesando mais de 100 kg, durante todo o período de testes não houve fim de curso em lombadas ou buracos.

A atenção fica para os trechos de paralelepípedos. Nesse tipo de piso, foi possível perceber a suspensão trabalhando com mais intensidade. Embora o conjunto não tenha chegado a ser desconfortável, as irregularidades são transmitidas com maior evidência ao piloto. Fica claro que a Speed 400 se sente mais à vontade no asfalto.

O painel merece atenção

Se existe um ponto que exige adaptação é o painel.

Triumph Speed 400
Painel Speed 400 – Foto: Gustavo Epifanio

O velocímetro analógico ocupa boa parte do conjunto, porém os números são pequenos. Durante o dia já é preciso dedicar alguns instantes para conferir a velocidade. À noite, essa leitura fica ainda mais difícil.

Como o motor acelera com facilidade, é comum atingir velocidades acima do permitido nas vias urbanas sem perceber, exigindo atenção redobrada ao passar por radares.

Na parte digital do painel, a moto conta com as demais informações, como marcador de combustível, indicador de marcha, hodômetro e um minúsculo conta-giros. 

E na estrada? A Triumph Speed 400 vibra muito?

Essa talvez seja a dúvida mais pesquisada por quem pretende comprar a Speed 400.

Durante nosso percurso até Luiz Carlos, utilizando a Rodovia Ayrton Senna, foi possível avaliar esse comportamento. A resposta é: depende da velocidade.

Triumph Speed 400
Triumph Speed 400 – Foto: Gustavo Epifanio

Até aproximadamente 100 km/h, praticamente não há incômodo.

Na faixa entre 100 e 120 km/h, a moto continua extremamente confortável para viajar, embora já seja possível sentir a vibração característica do motor monocilíndrico nas pedaleiras. 

Acima disso, a vibração aumenta gradativamente. Não chega a incomodar a ponto de inviabilizar uma viagem, mas fica evidente que esse propulsor trabalha melhor em velocidades de cruzeiro entre 100 e 120 km/h.

Um ponto positivo é que os espelhos nas extremidades do guidão praticamente não vibram, permitindo excelente visão do trânsito atrás da moto.

Curvas são o grande espetáculo da Speed 400

Na volta para São Paulo, optamos por seguir via Mogi das Cruzes até a Estrada Velha do Mar. Foi ali que a personalidade divertida da Speed 400 apareceu.

Triumph Speed 400
Speed 400 gosta de fazer curva – Foto: Gustavo Epifanio

Em curvas de média e alta velocidade, a moto transmite enorme confiança. O conjunto ciclístico conversa perfeitamente com o motor. Ela muda de direção rapidamente, mantém ótima estabilidade e incentiva uma pilotagem mais esportiva.

São aqueles momentos em que o motociclista termina a curva com um leve sorriso por debaixo do capacete.

A posição de pilotagem é confortável?

Apesar das pedaleiras levemente recuadas, a ergonomia agrada, no geral.

O guidão fica em posição natural, o banco possui espuma macia e boa densidade, enquanto a altura de apenas 790 mm facilita apoiar os pés no chão. Permitindo que pilotos de diferentes estaturas deverão se adaptar rapidamente.

Triumph Speed 400
Banco confortável – Foto: Gustavo Epifanio

No meu caso, com mais de 1,80 m de altura e mais de 100 kg, a ergonomia se manteve confortável durante grande parte da viagem. No entanto, em percursos mais longos, as dimensões compactas da Speed 400 acabam cobrando seu preço, já que a posição deixa as pernas excessivamente flexionadas, o que pode causar cansaço.

E quem vai na garupa?

Como o conjunto é compacto e tenho porte físico avantajado, o espaço disponível para o passageiro ficou bastante limitado no meu caso. 

Triumph Speed 400
Espaço para o garupa pode ser limitado – Foto: Gustavo Epifanio

Em deslocamentos urbanos, levar garupa é viável. Já em viagens mais longas, especialmente quando piloto e passageiro são mais altos ou pesados, o conforto diminui de forma perceptível. 

Na minha avaliação, a Speed 400 é uma motocicleta que privilegia quem prefere pilotar sozinho.

Qual é o consumo da Triumph Speed 400? 

Outro destaque durante os testes foi a eficiência.

Com tanque de 13 litros, obtivemos médias bastante interessantes.

Consumo registrado durante o teste

  • Cidade: 23 km/l
  • Estrada: 28 km/l

Na prática, isso garante boa autonomia para passeios no estilo bate-volta nos finais de semana e reduz a frequência das paradas para abastecimento no uso urbano.

Como funcionam as revisões da Triumph Speed 400?

Talvez este seja um dos maiores diferenciais da linha 400 da Triumph.

Enquanto boa parte das concorrentes exige revisões com intervalos menores, a Speed 400 possui manutenção programada a cada 16.000 km após a primeira revisão.

O cronograma funciona assim:

  • 1ª revisão: 6 meses ou 1.000 km
  • 2ª revisão: 1 ano ou 16.000 km
  • Demais revisões: anuais ou a cada 16.000 km

Outro atrativo é o preço promocional divulgado pela Triumph. As duas primeiras revisões custam R$ 200 cada.

Vale a pena comprar a Triumph Speed 400?

Triumph Speed 400
Detalhe Speed 400 – Foto: Gustavo Epifanio

A Speed 400 entrega bom acabamento, excelente ciclística, motor bastante divertido e um conjunto que agrada tanto no uso urbano quanto em viagens curtas. Os longos intervalos entre revisões são um dos grandes diferenciais desse modelo.

Os principais pontos de atenção ficam para a leitura do painel, que poderia ser mais intuitiva, e para pilotos muito altos ou quem costuma viajar frequentemente com garupa, já que o porte compacto acaba limitando o conforto.

Por fim, a Speed 400 cumpre com competência o papel de porta de entrada para o universo Triumph. A motocicleta tem preço sugerido de R$ 29.990 na cor preta e R$ 30.490 na opção branca. Todas as configurações oferecem garantia de dois anos.

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