Testamos a Kawasaki Vulcan S, uma bela surpresa
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Testamos a Kawasaki Vulcan S, uma bela surpresa

6 Minutos de leitura

  • Publicado: 29/04/2016
  • Por: jmesquita

<p>O visual da <strong>Kawasaki Vulcan S</strong> não revela o quanto ela é versátil.<strong> Custom? Ela provou ser mais do que isso na nossa avaliação.</strong></p>

<p>Tenho que confessar: depois de realizar testes com eficientes maxitrail como a <strong>Kawasaki Versys 1000</strong> e a <strong>Triumph Tiger 800 XCa</strong>, quando vi uma <strong>Kawasaki Vulcan S</strong> na garagem da redação, para realizar mais uma avaliação, torci o nariz. Sabe como é, motos custom não são as melhores para longas viagens, ainda mais no nosso percurso, repleto de curvas. Mas eu paguei a língua, foi puro preconceito.</p>

<p><img alt="À primeira vista não conseguimos acreditar no que ela é capaz de fazer em movimento. Parece cus­tom, mas é muito mais versátil" height="467" src="http://carroonline.terra.com.br//motociclismoonline/staticcontent/images/uploads/motociclismo.kawasaki_.vulcan_.s_.custom_.2016_.6__620x467.jpg" style="margin:0 auto; display:block;" width="620" /></p>

<p>O visual é simples para uma custom. O que seria de lata e cromado em uma <strong>Harley-Davidson</strong>, por exemplo, na V<strong>ulcan S</strong> é de plástico preto, e isso, de certa forma, apaga as ricas qualidades dinâmicas dela. Mas nem precisei rodar 1 000 km para engolir meu veneno. Nos primeiros quilômetros, ainda dentro da cidade, percebi que a <strong>Vulcan S</strong> é magra e tem torque abundante em médios giros, faixa que mais utilizamos.</p>

<p>Passou fácil entre os carros e não exigiu muitas trocas de marchas. Chama a atenção como ela é baixinha (o assento é 705 mm distante do solo) e fácil de pilotar. As mulheres vão adorar. Meu preconceito tinha fundamento, pois, quando vi o assento baixo, as pedaleiras lá na frente e um guidão enorme bem esticado para trás, logo imaginei que a moto deveria ser pesada e que a traseira seria uma tábua. Mas não acontece nada disso com a <strong>Vulcan S</strong>.</p>

<p><img alt="O assento do piloto é baixo e confortável, mas o do garupa poderia ser melhor" src="http://carroonline.terra.com.br//motociclismoonline/staticcontent/images/uploads/motociclismo.kawasaki_.vulcan_.s_.custom_.2016_.4__620x467.jpg" style="margin: 0px auto; display: block; width: 620px; height: 467px;" /></p>

<p>A suspensão dianteira é tão macia que até parei num posto para conferir a calibragem do pneu. O amortecedor traseiro não tem tanto curso, mas ele conta com links e possui sete regulagens de pré-carga da mola. Trabalha com eficiência e tem colaboração do banco com bastante espuma. </p>

<p>Por incrível que pareça, a frente é leve e a dirigibilidade é ágil para uma custom. Talvez esteja aí o atrativo da<strong> Vulcan S</strong>, pois ela apenas se parece com uma custom, já que o seu comportamento dinâmico é de roadster. Não é à toa que no site da <strong>Kawasaki</strong> ela aparece na categoria cruiser & touring, junto com <strong>Ninja 1000</strong> e <strong>Concours 14</strong>. Exagero? Nem um pouco.</p>

<p><img alt="O guidão alto e o banco baixo com bastante espuma proporcionam uma posição de pilotagem bem relaxada " height="467" src="http://carroonline.terra.com.br//motociclismoonline/staticcontent/images/uploads/motociclismo.kawasaki_.vulcan_.s_.custom_.2016_.1__620x467.jpg" style="margin:0 auto; display:block;" width="620" /></p>

<p>A <strong>Vulcan S</strong> realmente tem um motor delicioso para viajar. É o mesmo bicilíndrico em linha da <strong>Versys 650</strong> e da <strong>ER-6n</strong>, DOHC, com oito válvulas e arrefecimento a líquido, mas propositalmente, o mapa de injeção e o trabalho do cabeçote estão menos focados na potência máxima (61 cv a 7 500 rpm) e muito mais no torque disponível em média (6,4 kgf.m a 6 600 rpm). Esse motor sempre foi confiável e empolgante, mas na <strong>Vulcan S</strong> se encaixou como uma luva.</p>

<p><img alt="Motor é o mesmo da Versys e da ER-6n, mas com mais torque em baixos giros" height="467" src="http://carroonline.terra.com.br//motociclismoonline/staticcontent/images/uploads/motociclismo.kawasaki_.vulcan_.s_.custom_.2016_.9__620x467.jpg" style="margin:0 auto; display:block;" width="620" /></p>

<p>Ela não tem mapas diferentes de injeção nem diferentes níveis de controle de tração e nada disso faz a mínima falta. Ela é uma moto pura, que oferece vento no rosto, com aceleração contundente, freios excelentes e até inclina bastante para uma moto da categoria. A 120 km/h ela está a 6 000 rpm e tudo funciona com suavidade, sem vibrações ou ruídos exagerados. Câmbio bem escalonado e embreagem macia. </p>

<p>A posição de pilotagem, que parecia cansativa antes do começo da jornada, se mostrou bem confortável, apesar de o maior mérito estar no guidão alto e no assento baixo. Os braços ficam bem flexionados e relaxados, e os comandos são simples e fáceis. Os manetes contam com regulagens de altura.</p>

<p>Um senão só mesmo para as pedaleiras, muito adiantadas e altas. Ainda bem que elas estão fixadas em silent blocks (borrachas à vontade), assim como o motor e o guidão. Para quem achar a posição das pedaleiras muito distante, há a opção de recuá-las em 25 mm. </p>

<p><img alt="O painel da Vulcan S é eficiente, com ótima visualização das informações" height="467" src="http://carroonline.terra.com.br//motociclismoonline/staticcontent/images/uploads/motociclismo.kawasaki_.vulcan_.s_.custom_.2016_.3__620x467.jpg" style="margin:0 auto; display:block;" width="620" /></p>

<p>O conta-giros indica que até podemos levá-la até os 9 000 rpm, mas a melhor velocidade de viagem está entre 120 km/h e 130 km/h. Mais do que isso, já começamos a sentir demasiada vibração. Nesse ritmo pacato de pura curtição, ela faz 22 km/litro. Existe essa informação no painel, mas temos que tirar a mão do guidão e pressionar um botãozinho lá na frente. Esse painel é bem interessante, traz conta-giros analógico e velocímetro digital com fundo azul. </p>

<p><img alt="Não é uma naked, mas inclina mais do que o habitual para uma custom" src="http://carroonline.terra.com.br//motociclismoonline/staticcontent/images/uploads/motociclismo.kawasaki_.vulcan_.s_.custom_.2016_.2__620x467.jpg" style="margin: 0px auto; display: block; width: 620px; height: 467px;" /></p>

<p>Quando chegam as curvas, evidentemente temos que considerar que estamos ao comando de uma moto de 2 310 mm de comprimento, com 31° de inclinação de cáster. E mais uma vez ela nos surpreendeu e mostrou boa estabilidade quando inclinada e até leveza para jogá-la de um lado para o outro. Mérito das leves rodas de liga e dos pneus Dunlop Sportmax, com medidas 120/70 R18 na dianteira e de 160/70 R17 na traseira.</p>

<p><img alt="O disco dianteiro é grande (300 mm), mas, como em toda custom, recomendamos utilizar o traseiro em conjunto. O ABS é eficiente e os pneus es­­por­­ti­­vos colaboram " height="467" src="http://carroonline.terra.com.br//motociclismoonline/staticcontent/images/uploads/motociclismo.kawasaki_.vulcan_.s_.custom_.2016_.7__620x467.jpg" style="margin:0 auto; display:block;" width="620" /></p>

<p><span style="line-height: 1.6em;">Na frente só tem um disco de freio, mas ele é grande, tem 300 mm de diâmetro e é auxiliado por um competente sistema Nissin, que traz pinça de dois pistões e bomba poderosa no manete. Como toda custom, o freio dianteiro, quando trabalha em conjunto com o traseiro, oferece um poder surpreendente de frenagem. A versão avaliada tinha ABS e em nenhum momento sentimos o manete ou o pedal vibrar.</span></p>

<p>As pedaleiras podem raspar no chão antes do total uso da banda de rodagem dos pneus, mas você vai ter que inclinar muito para isso acontecer, não é como em outras custom. Na verdade, não estamos dizendo que ela é precisa em curvas como uma naked curta ou uma superesportiva, mas chama a atenção o que podemos fazer com ela. </p>

<p><img alt="A traseira é estreita, e a lanterna parece simples, mas conta com LED" src="http://carroonline.terra.com.br//motociclismoonline/staticcontent/images/uploads/motociclismo.kawasaki_.vulcan_.s_.custom_.2016_.5__620x467.jpg" style="margin: 0px auto; display: block; width: 620px; height: 467px;" /></p>

<p>Percebemos realmente que ela é uma moto comprida e que as suspensões são macias demais, mas o vigor das respostas do motor compensa. Basta acelerar, sem a necessidade de reduções de marchas, que a Vulcan S responde imediatamente. Até o ruído do escape se torna mais esportivo.</p>

<p>Aliás, é esse escape que a deixa com ar de moto pequena quando a olhamos por trás. Como a ponteira sai embaixo da moto, bem perto do pneu, quem olha desse ângulo só vê uma grande placa de licença e uma pequena lanterna, parece até que o piloto está em cima de uma 250 cm³. De lado ou de frente ela até exagera. Um frentista chegou a perguntar se era uma 1200.</p>

<p><img alt="O farol não é apenas bonito, ele mostrou-se bem eficiente à noite" height="467" src="http://carroonline.terra.com.br//motociclismoonline/staticcontent/images/uploads/motociclismo.kawasaki_.vulcan_.s_.custom_.2016_.10__620x467.jpg" style="margin:0 auto; display:block;" width="620" /></p>

<p>O tanque em forma de gota é bonito, mas tem apenas 14 litros de capacidade. É suficiente para viajarmos pouco mais de 250 km sem nos preocupar com abastecimento, mas bem que ele poderia ter uns 16 ou um pouco mais, para passarmos tranquilamente dos 300 km de autonomia.</p>

<p>Durante a noite reconhecemos a ótima qualidade do farol e a boa visualização do painel. E agradecemos também por ela ser simples nos comandos, com tudo no seu devido lugar, buzina no lugar tradicional, seta, farol alto, tudo onde aprendemos que estaria. Nada de comandos moderninhos com botões invertidos. </p>

<p>O excesso de plásticos e guarnições pretas maquia um pouco o quadro tubular de aço, mas é muito bom lembrar que se trata de um quadro tipo diamante, sem berço. Uma aplicação um tanto quanto notável para uma custom. Outra questão visual muito bem resolvida é o acabamento lateral do radiador.</p>

<p><img alt="A diversão não para com a mudança climática. As luzes são eficientes e o ABS garante a segurança necessária" height="467" src="http://carroonline.terra.com.br//motociclismoonline/staticcontent/images/uploads/motociclismo.kawasaki_.vulcan_.s_.custom_.2016_.11__620x467.jpg" style="margin:0 auto; display:block;" width="620" /></p>

<p><span style="line-height: 1.6em;">Aos puristas amantes de custom, um radiador horizontal na frente do motor pode soar estranho, mas a </span><strong style="line-height: 1.6em;">Kawasaki</strong><span style="line-height: 1.6em;"> aplicou muito bem uns protetores laterais, e em nada atrapalha visualmente ter um radiador ali ou não. </span><span style="line-height: 1.6em;">Todavia, como já havíamos afirmado, a </span><strong style="line-height: 1.6em;">Vulcan S</strong><span style="line-height: 1.6em;"> não é mais uma custom. Ela também é uma roadster, uma estradeira e, por que não, uma ótima companheira para o dia a dia dentro da cidade.</span></p>

<p>Existem acessórios originais da <strong>Kawasaki</strong>, como para-brisa e malas laterais, mas nós gostamos dela assim, simples e eficaz. <strong>Por R$ 25 900 é uma excelente moto.</strong> Branca, roxa ou preta, faça o cheque e seja feliz.</p>

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