A proposta da Royal Enfield é clara: oferecer motocicletas que transbordam estilo, mas que permanecem acessíveis. E isso não se limita apenas ao preço competitivo; a marca foca na “facilidade de pilotagem”, democratizando o prazer de rodar. Seguindo a receita de sucesso das grandes fábricas, a Royal diversifica seu lineup utilizando uma base técnica sólida para criar modelos com personalidades distintas. A Royal Enfield Classic 350 é a prova viva de que é possível honrar o passado sem ficar preso a ele.
Imagens: Gustavo Epifanio

Consolidando a Plataforma J
A Classic 350 compartilha o conjunto mecânico da Meteor e da Hunter 350. Estamos falando de um motor monocilíndrico de 350 cm³, comando SOHC de duas válvulas e refrigeração mista (ar e óleo). O chassi é do tipo berço duplo, apoiado por bengalas convencionais de 41 mm na dianteira e dois amortecedores na traseira. Para garantir a segurança, o sistema de freios a disco em ambas as rodas conta com assistência de ABS de canal duplo.

O Triunfo do Design: Adeus, Vibrações!
O grande trunfo da Classic é o seu desenho, que segue fielmente as linhas das motos dos anos 1950. Diferente da antiga Classic 500 — que, embora charmosa, sofria com uma mecânica defasada que vibrava excessivamente e não inspirava confiança — a nova 350 é uma moto completamente atualizada.

O nível de acabamento é impecável. Durante o teste, fui questionado diversas vezes se a moto era uma “antiguidade restaurada”. Esse é o poder da Classic: ela faz jus à aparência, com para-lamas metálicos envolventes, escapamento tipo “charuto” e farol clássico, mas com componentes de precisão moderna. A ampla gama de cores e acessórios permite uma customização que torna cada exemplar único, uma estratégia de personalização que a Royal vem executando com maestria.

Performance: Torque sobre Potência
Não se deixe enganar pelos 20,5 cv a 6.500 rpm. No papel, parece pouco se comparado aos 25,4 cv de uma XRE 300, por exemplo. No entanto, a “mágica” da Classic está no torque: são 2,7 kgf.m entregues logo aos 4.000 rpm.

Na prática, isso se traduz em arrancadas firmes e retomadas vigorosas no tráfego urbano. Você sente a moto “cheia” o tempo todo. Na estrada, a proposta é contemplativa. A velocidade máxima gira em torno dos 120 km/h em condições normais, podendo chegar aos 140 km/h em descidas. Ela não foi feita para pressa, mas sim para quem aprecia a jornada.
Dinâmica e Ergonomia
A posição de pilotagem é natural e confortável. A ciclística é bem acertada e as suspensões trabalham com eficiência, raramente chegando ao final de curso mesmo em pisos irregulares. Os amortecedores traseiros oferecem uma boa dose de conforto, inclusive para o garupa. Uma pequena ressalva vai para o tato do freio dianteiro, que se mostra um pouco “borrachudo”, exigindo mais força no manete, embora a frenagem seja progressiva e segura. O ABS é eficiente, sendo ligeiramente mais intrusivo na roda traseira.

Vale o investimento?
A Royal Enfield Classic 350 tem uma missão clara: ser fácil de pilotar e entregar o máximo de estilo por metro rodado. É uma excelente opção para novos motociclistas, para quem está migrando de scooters ou para quem quer uma segunda moto com personalidade para o lazer. Com preço sugerido a partir de R$ 23.490 (+ frete), ela oferece uma relação custo-benefício difícil de bater para quem busca exclusividade e história.



