EPI_1297
Testes

KTM Duke 390 tem óbvias aspirações de moto grande

4 Minutos de leitura

  • Publicado: 02/09/2023
  • Por: Alexandre Nogueira

A KTM 390 Duke parece pequena aos olhos, mas ao rodar você sente que tem todas as qualidades que tornam a pilotagem tão fascinante e emocionante quanto uma moto maior. A pequena Duke 390 é inspirada na irmã KTM 1290 Super Duke R, com o design afilado e a traseira levantada.

A KTM 390 Duke tem tamanho reduzido sem parecer básica e proporciona um desempenho que agrada tanto a pilotos mais jovens, ou iniciantes que pretendem usar a moto no ambiente urbano, como também os mais experientes e atrevidos que também querem desfrutar de um track day nas pistas com muita adrenalina. Vale lembrar que este modelo 2022 na cor cinza que testamos é o mesmo que está à venda nas lojas da marca, o que difere é apenas a cor, agora laranja.

Fotos: Gustavo Epifânio

A 390 Duke é uma máquina verdadeiramente global, projetada e desenvolvida pela KTM na Áustria, mas construída pela Bajaj na Índia, por isso, há diferentes especificações da moto para atender diversos cantos do mundo. A versão destinada ao nosso mercado, com certeza passou por ajustes severos na injeção eletrônica para lidar com a nossa gasolina “batizada” com etanol. Esta Duke tem um entre-eixos encurtado 10 mm em relação a geração anterior, e isso garante agilidade ainda maior. O chassi tem uma geometria altamente elaborada para máximo desempenho, e a suspensão foi totalmente projetada para oferecer um nível de qualidade de controle superior e reforçar o apetite por maneabilidade com o mínimo esforço. A balança traseira em alumínio é uma obra de arte, ligada a um monoamortecedor com regulagem na pré carga da mola, por isso a esguia 390 Duke atinge velocidades de tirar o fôlego sem nunca ficar instável.

LEIA MAIS:

O motor da KTM 390 Duke tem 373,2 cilindradas, duplo comando no cabeçote para acionar as quatro válvulas, injeção eletrônica de combustível e refrigeração líquida. A potência é de 44 cv e o torque é de 3,8 kgf.m. O câmbio de seis marchas é muito bem aproveitado pela ampla faixa de rotação até as 10.000 rpm, por isso você estica as marchas e troca rapidinho. O acelerador eletrônico ride-by-wire refina as respostas do motor e ajuda a economizar combustível e a diminuir as emissões de escapamento. O motor é esperto demais, ele é arisco e mal educado intencionalmente, ronca alto e empurra com vontade sem sentir falta de fôlego ou cansaço, e ainda encoraja você subir o giro e arrancar a última gota de potência e torque dele.

Na cidade, andando em baixa velocidade em meio ao trânsito, você nota mais as vibrações no guidão, mas ela não chega a incomodar. Na estrada, em velocidade de cruzeiro na faixa entre as 6.000 rpm e 8.000 rpm as vibrações desaparecem e a viagem é bem confortável aliada à ótima ergonomia, salvo o assento um pouco duro e que cansa após duas horas de estrada. A garupa é bem ao estilo superbike.

A ergonomia é bem neutra com o corpo levemente inclinado à frente e é surpreendentemente confortável, com o assento a 830 mm em relação ao solo, permitindo que grande parte dos pilotos não tenham problemas para colocar os dois pés no chão. Para uma motocicleta de pequena capacidade, a posição de pilotagem é surpreendentemente e enganosamente confortável para pilotos de até 1,80 metros como eu.

O sistema de freios é bem potente, com um disco dianteiro com 320 mm em conjunto com a pinça de quatro pistões da Bybre, uma marca de segunda linha da renomada Brembo. O ABS atua bem discretamente e fora o modo desligado, há também o modo Supermoto que desliga o ABS apenas da roda traseira, permitindo escorregadas.

Siga a MOTOCICLISMO nas redes:
Instagram | Facebook | Youtube | Twitter | GoogleNews

A KTM 390 Duke traz um painel TFT multicolorido antireflexo similar ao das irmãs maiores da linha Duke e os punhos retroiluminados com o conhecido conjunto de quatro botões da família KTM no punho esquerdo para controlar e definir as configurações do painel. As alavancas de embreagem e freio dianteiro tem regulagem de altura.

A 390 Duke é uma moto polivalente do tipo “vá das ruas para a pista”. O motor monocilíndrico é mais suave do que você esperaria, mas as poucas vibrações inevitáveis fazem com que você nem se preocupe em velocidades de cruzeiro nas estradas. O assento é realmente mais adequado para passeios curtos e pitstops frequentes do que para longas jornadas, mas dá para andar até secar o tanque numa boa, já que você sabe bem que é impossível aliar esportividade e conforto.

No entanto, a 390 Duke tem um carisma tão grande que é praticamente impossível você não se apaixonar por ela, pois ela carrega um caráter genuinamente surpreendente que nenhuma outra moto em sua categoria chega perto de ter. 

Deixe seu Comentário

Conteúdo Recomendado

Comentários

[Fancy_Facebook_Comments_Pro language="pt_BR"]