A Honda XL750 Transalp chega finalmente para preencher o “buraco” que existia entre a CB500X e a Africa Twin. Mas não se engane: a Transalp não é apenas uma moto de aventura que “cresceu”. Ela é um projeto que pega o motor explosivo da nova Hornet e coloca em um chassi focado em versatilidade. Será que ela faz sentido nas nossas estradas esburacadas e no trânsito caótico das grandes capitais?

A chegada da Honda XL 750 Transalp ao Brasil não é apenas o lançamento de mais um modelo; é o movimento mais inteligente que a marca fez na última década. Para quem já pilotou a CB500X, a sensação de que faltava um pouco mais de fôlego para subidas ou ultrapassagens era comum. Por outro lado, para quem tem uma Africa Twin, o uso urbano e o custo de manutenção podem ser barreiras. A Transalp surge exatamente como o “meio-termo” que ninguém sabia que precisava até ver os números: ela pesa quase o mesmo que a CB500X, mas entrega o dobro da potência.

O coração: motor de Hornet, alma de Transalp
Para entender a Honda XL750 Transalp, primeiro precisamos falar de motor. Ela utiliza o bicilíndrico paralelo de 755 cm³ com comando Unicam (o mesmo da Hornet 750). No mercado brasileiro, devido às legislações de emissões, o motor foi calibrado para entregar 69,3 cv de potência a 7.000 rpm e 7,04 kgf.m de torque também em 7.000 rpm. Pode parecer “pouco” se comparado aos 90 cv da versão europeia, mas a entrega de potência é extremamente linear e quando o torque máximo chega, garante fortes retomadas e ultrapassagens.

A Honda XL750 Transalp é perfeita para rodar na cidade ou para quem curte passeios sossegados apreciando a paisagem da estrada, sem pressa, rodando em baixa rotação, com seu motor liso e fácil de gerenciar, sem aquela agressividade que exige embreagem constante. Mas em alta rotação, a partir das 6.000 rpm ele acorda, com um “chute” extra dos 7.000 rpm até a faixa de corte nas 9.500 rpm que satisfaz quem quer pilotar com um pouco mais de esportividade nas estradas bem pavimentadas ou se divertir nos trechos de terra.

Comportamento na estrada e no off-road leve
A proposta da Honda XL750 Transalp é clara: ela é uma moto de estrada com aptidão para enfrentar vias maltratadas. A suspensão tem curso longo e é propositalmente macia. Embora possa parecer “subamortecida” em velocidades muito baixas, ela brilha ao absorver imperfeições urbanas e o asfalto castigado das nossas rodovias. Mesmo com a roda dianteira de 21 polegadas, a dirigibilidade é leve e surpreendentemente precisa.

Na tocada forte numa estrada sinuosa senti a moto grudada no asfalto e mesmo com inclinações insanas nas curvas de baixa e média velocidades não cheguei a raspar as pedaleiras, até porque o tempo não era ensolarado e a temperatura do asfalto não me deixou à vontade para arriscar. No trecho de terra bastante úmido por conta da chuva do dia anterior, rodei tranquilo e sem sustos com escorregadas repentinas, mantendo a moto obediente e no trilho, e até por um riacho com meio metro de altura com fundo de pedras eu atravessei numa boa.

As suspensões dianteira e traseira (Showa invertida SFF-CA de 200 mm e Pro-Link de 190 mm), são ajustáveis apenas para pré-carga da mola, e um detalhe que dividiu opiniões no teste é a opção por pneus com câmara. Para uma moto que a Honda projeta para um uso rodoviário intenso, a praticidade de um pneu tubeless seria superior, especialmente em casos de furo durante uma viagem.

O sistema de freios conta com dois discos de 310mm com pinças de pistão duplo na dianteira e um disco simples de 256mm com pinça de pistão simples na traseira, ambos amparados pelo ABS. O freio é bastante satisfatório, com frenagens bem potentes no asfalto e nas altas velocidades, e bastante modulável para o fora de estrada, bastando apenas um dedo para adequar a velocidade ao trecho.

Fato legal da Honda XL750 Transalp é que, com a intrusão imperceptível do sistema ABS, na tocada esportiva você pode ancorar o pé no pedal do freio traseiro que as frenagens são bem fortes e, é claro, a roda não trava e reduz bastante o espaço percorrido. Para rodar na terra é bom desligar o ABS traseiro para poder derrapar de forma controlada, e eu sinceramente achei bem legal o ABS dianteiro continuar funcionando, pois ele evita a roda de travar e você controla a tocada com perfeição.

Tecnologias de auxílio ao piloto
A inteligência embarcada na nova Honda XL750 Transalp eleva o patamar de conveniência e segurança na pilotagem. Ela conta com seis modos de pilotagem inteligentes – Sport, Standard, Rain, Gravel, User 1 e User 2 – que ajustam automaticamente a potência, o nível de intervenção do controle de tração (HSTC), o ABS e o freio motor para garantir o máximo desempenho e segurança em qualquer situação ou terreno. O controle de tração e o ABS traseiro podem ser desligados para maior controle no fora de estrada.

Toda essa interação é gerenciada por meio de um painel TFT colorido de 5″, que projeta as informações de maneira clara e intuitiva, com iluminação que se adapta automaticamente à luz ambiente, garantindo que o foco do piloto seja mantido sem comprometer a concentração, independentemente do terreno.

Para facilitar o acesso a esse ecossistema tecnológico, a Honda XL750 Transalp oferece um joystick iluminado internamente no punho esquerdo, permitindo operar as funções do painel de maneira intuitiva, mesmo durante a pilotagem noturna.

A Honda XL 750 Transalp é a escolha lógica para o motociclista moderno que quer uma moto para “tudo”. Ela não tenta fingir que é uma moto de competição de deserto, como a Ténéré 700 faz tão bem.

A Transalp é honesta: ela se posiciona como uma estradeira capaz, tecnológica e absurdamente versátil. As cores dispon[iveis são a branca e a preta, ambas com os aros de alumínio anodizado em amarelo. O preço é de R$ 65.545 mais o frete conforme a sua região.