Honda CB 500 Hornet encara Kawasaki Z500 no segmento das naked de média cilindrada, que é, historicamente, o campo de batalha mais sangrento da indústria. É aqui que o motociclista deixa para trás as “baixas cilindradas” e experimenta, pela primeira vez, o gosto da performance real.

Em 2025, o cenário atingiu o seu ápice: de um lado, a Honda resgata o lendário nome Hornet para batizar a sua 500, elevando o padrão de acabamento e ciclística. Do outro, a Kawasaki responde com a Z500, uma evolução direta da Z400 que traz mais torque e o agressivo DNA “Sugomi”.

Neste comparativo detalhado, dissecamos cada parafuso destas máquinas para entender quem oferece o melhor pacote para o seu perfil.
Design e filosofia visual: minimalismo ou radicalismo
Honda CB 500 Hornet: o legado renovado
A Honda decidiu seguir um caminho sofisticado. A nova Hornet não tenta gritar para ser notada; ela impõe respeito pela solidez. Adotando a estética Neo Sports Café, a moto apresenta linhas limpas, superfícies musculosas e um farol de LED que parece uma peça de escultura. É um visual “premium”, que remete a motos de maior cilindrada como a CB 1000R. O acabamento é impecável, com vãos de carenagem mínimos e uma pintura que transpira qualidade.

Kawasaki Z500: o espírito Sugomi
A Kawasaki joga em outra liga estética. A Z500 é visceral. O design Sugomi (termo japonês que descreve a aura intensa de um predador) é aplicado em cada ângulo. O farol afilado, a carenagem que parece abraçar o motor e a traseira minimalista criam uma silhueta de “ataque”. Enquanto a Hornet é elegante, a Z500 é intimidadora. É a moto para quem quer chegar e ser o centro das atenções no encontro de domingo.

Ergonomia: conforto para viajar ou postura para atacar?
A ergonomia revela a alma de cada projeto.
- Na Honda Hornet, o piloto encontra uma posição neutra. O triângulo entre guidão, assento e pedaleiras foi desenhado para que você possa rodar 500 km num dia sem precisar de um fisioterapeuta no dia seguinte. O guidão é mais largo e próximo do corpo, permitindo um braço de alavanca que facilita manobras em baixa velocidade.

- Na Kawasaki Z500, o convite é para o ataque. Embora o assento seja baixo e acessível (ideal para pilotos de menor estatura), a postura inclina o corpo ligeiramente para a frente. As pedaleiras estão um pouco mais recuadas, o que ajuda a encaixar os joelhos no tanque em curvas fechadas. É uma moto que “veste” o piloto para uma condução mais esportiva.

O coração da máquina: linearidade ou explosão
Aqui reside a maior diferença de personalidade entre as duas rivais.
O refinamento da Honda (471 cm³)
O motor bicilíndrico de 471 cm³ da Honda é uma obra de arte da previsibilidade. Com 49,6 cv, ele entrega a potência de forma tão suave que parece um motor elétrico em baixas rotações. Não há sustos. No entanto, o mapeamento para a versão Hornet trouxe uma “explosão” divertida após as 6.000 rpm, garantindo que a moto tenha o espírito elétrico que o nome exige. É o motor ideal para quem busca eficiência, baixo consumo e a certeza de que a moto estará inteira daqui a dez anos.

O nervosismo da Kawasaki (451 cm³)
A Kawasaki não quer ser suave; ela quer ser rápida. O novo motor de 451 cm³ (derivado da Eliminator 500) entrega 51 cv. Pode parecer uma diferença pequena no papel, mas na prática, a Z500 é muito mais “viva”. O torque aparece mais cedo e a resposta ao acelerador é instantânea. A moto sobe de giro com uma fúria que a Hornet não tenta imitar. Se você gosta de arrancar forte e sentir a moto “puxar” os seus braços em cada troca de marcha, o motor da Kawa é o vencedor.

Ciclística: onde a Honda se torna “Premium”
É neste capítulo que a balança pende fortemente para o lado da Honda CB 500 Hornet. A Honda não apenas trocou o nome da moto; ela deu a ela componentes de Superbike.
- Suspensão invertida Showa SFF-BP: a Hornet utiliza garfos que até pouco tempo eram exclusivos das 600cc de pista. Essa suspensão separa as funções de amortecimento e mola em cada bengala, resultando em uma leitura de asfalto absurda. Ela absorve buracos com elegância e não “afunda” excessivamente em frenagens fortes.

- Freios de disco duplo: a Honda equipou a Hornet com dois discos de 296 mm na frente. Isso garante uma potência de frenagem modular e segura, cansando menos o piloto e oferecendo uma reserva de segurança que a Kawasaki simplesmente não tem.

A Kawasaki Z500 mantém uma receita conservadora: garfo telescópico convencional e disco único de freio na dianteira. O conjunto funciona bem para o peso da moto, mas em uma pilotagem agressiva ou com garupa, o sistema da Honda é nitidamente superior em termos de feeling e resistência ao superaquecimento.
Tecnologia: o dilema da conectividade
Ambas as marcas migraram para os painéis TFT de 5 polegadas, mas com focos diferentes.
Honda: O painel é belíssimo, personalizável e de fácil leitura sob luz solar forte. Oferece dados completos de consumo e autonomia. No entanto, a Honda pecou ao não incluir conectividade nesta versão, algo que o público jovem valoriza.

Kawasaki: O painel pode ser menos “colorido” em termos de layouts, mas traz a conectividade via aplicativo Rideology. Você pode ver quem está ligando no painel da moto e, após a viagem, conferir a telemetria do percurso no seu celular. Para o público geek, a Kawa leva a melhor.

Qual escolher?
Após quilômetros de testes, a conclusão do motociclismoonline é baseada em quem é você como piloto.
Escolha a Honda CB 500 Hornet se:
Você busca a melhor moto do segmento em termos técnicos. A suspensão Showa e os freios duplos não são apenas “enfeites”; eles mudam a forma como a moto se comporta em situações de emergência e em curvas de alta. É a compra racional, segura e com o maior valor de revenda do mercado. É a moto “perfeita”.

Escolha a Kawasaki Z500 se:
Você busca diversão pura e um motor que te faça sorrir toda vez que o sinal abre. A Z500 é mais leve de guiar, mais ágil em mudanças de direção e tem um motor muito mais empolgante para quem gosta de adrenalina. Ela é a “bad boy” da categoria, focada em quem prioriza a emoção sobre o pacote técnico.

Escolha difícil heim. Mas, pelo meu estilo de pilotagem, eu escolho a Kawasaki Z500. E você fica com qual? Deixem seus comentários.