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Honda CB 1000R Black Edition: streetfighter com disfarce Neo Sports Café

6 Minutos de leitura

  • Publicado: 16/03/2024
  • Por: Alexandre Nogueira

A Honda CB 1000R é uma super naked desenvolvida sobre o motor da superbike CBR 1000RR, no entanto a marca da asa escolheu um caminho diferente, entregando uma motocicleta mais acessível para ser usada por quaisquer níveis de piloto.

A Honda CB 1000R não é uma motocicleta agressiva e com potência colossal, por isso a fabricante decidiu voltar no tempo e se inspirou em sua história de café racer, mais especificamente nas CBs que desafiaram as marcas britânicas das décadas de 1960 e 70, adicionando um toque moderno para criar a CB 1000R Neo Sports Café.

Fotos: Gustavo Epifânio

A CB1000R surgiu em 2018, e em 2021, a Honda apresentou a nova CB 1000R com um motor revisado e já compatível com as mais severas normas antipoluição, a Euro5, mas sem perder nada em potência. Esta elegante versão Black Edition que apresentamos neste teste vem equipada com um quick shifter bidirecional, um novo painel TFT colorido de 5 polegadas com conectividade Bluetooth, um novo sub chassi, um novo escapamento e novas rodas muito elegantes, além de um acabamento preto impressionante.

O motor de quatro cilindros em linha recebeu alterações no sistema de escape e no mapeamento, trazendo 1,4 cv a mais. Agora são 142,8 cv a 10.500 rpm, e o torque foi mantido em 10,2 kgf.m, porém seu pico está 500 rpm acima daquele da versão anterior, chegando a 8.500 rpm. Os quatro modos de pilotagem – Sport, Standard, Rain e User – estão ligados ao controle de frenagem e tração do motor e oferecem diferentes níveis de desempenho e caráter. O câmbio rápido para cima e para baixo vem de série na Black Edition e funciona perfeitamente, mesmo em velocidades lentas, por isso é super liso e uma delícia de usar.

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Pela cidade, a CB é tranquila e despretensiosa, mas longe da cidade e elevando as rotações, ela certamente mostra um outro caráter. Não é explosiva como a Fireblade que é uma superbike, mas o escapamento tem uma mudança perceptível no ronco em torno de 5.000rpm, e então ela mostra toda a sua fúria.

Há muito torque utilizável nas baixas rotações ao rodar na cidade, com uma entrega bastante amigável, especialmente nos modos Standard e Rain. Então, acima das 5.000 rpm e até a faixa vermelha de 11.000 rpm, o poder pode surpreendê-lo, e então você precisa de braços fortes, pois aí ela mostra que é uma legítima streetfighter, atingindo altas velocidades com uma rapidez impressionante, quase assustadora.

Obviamente, sendo uma naked, não há proteção contra o vento. Mas, com a ótima pegada do largo guidão e um tanque de combustível relativamente grande, não é tão doloroso andar em altas velocidades na estrada à medida que a velocidade aumenta. Em velocidade de cruzeiro de 100 km/h você vai relativamente relaxado, mas à medida que você roda acima de 160 km/h, é preciso deitar sobre o tanque e ter braços como o Popeye. O assento é mais confortável do que parece e a ergonomia é espaçosa, o motor é suave e a qualidade de condução da suspensão Showa é bastante agradável.

A autonomia teórica de combustível está a cerca de 300 km com o tanque de 16,2 litros, rodando numa boa até as 5.000 rpm, mas acima disso e esticando as marchas até a faixa de corte nas 11.000 rpm o consumo cai drasticamente e cheguei a ver 7 km/l no computador de bordo da tela TFT. Falando nisso, este novo painel TFT de 5 polegadas é bem claro e fácil de ler, com quatro layouts diferentes, dois trips, nível de combustível, consumo médio e instantâneo, enfim, tudo o que você durante seus passeios. Não é uma tela futurista estilo iPad como em alguns modelos europeus, mas eu gostei demais de sua facilidade de uso e simplicidade. A iluminação é total LED.

A Honda CB 1000R pesa 214 kg, o que pode parecer muito, mas ela é mais leve que a Z1000R da Kawasaki. Esta Black Edition se comporta notavelmente bem em baixas velocidades, e isso se deve à excelente suspensão Showa. O garfo de pistão grande é totalmente ajustável, enquanto o amortecedor traseiro tem ajustes na velocidade do retorno e pré-carga de mola, embora sem ajuste de amortecimento de compressão. Ela se comporta muito bem em todas as solicitações, seguindo como se estivesse num trilho, o que lhe dá muita confiança para ir um pouco alé numa tocada mais esportiva, graças também aos ótimos pneus Pirelli Diablo Rosso 3 que equipam essa atual versão.

O sistema de freios é muito competente e conta com dois discos de 310 mm de diâmetro mordidos por pinças radiais de quatro pistões na dianteira. Atrás, o disco de 265 mm é casado com uma pinça de dois pistões e ambos são assistidos pelo sistema ABS. Os freios têm ótimo tato e progressividade, permitindo frenagens fortes com precisão e eficácia. O ABS não é invasivo demais e transmite confiança nas frenagens fortes.

Quando você freia forte ou quando o ABS entra em ação, as setas piscam como alerta para avisar outros usuários da estrada. Há três níveis de frenagem eletrônica do motor, definidos simplesmente como baixo, médio e alto, que, com a embreagem deslizante padrão, tenta evitar que a roda traseira trave durante a frenagem do motor ao fazer reduções bruscas através do quick-shifter.

As ajudas eletrônicas ao piloto são simples: potência, freio motor e controle de tração (HSTC), e o controle de tração pode ser desativado. Alguns modelos mais sofisticados de hypernakeds têm ajudas ao condutor demasiadamente complexas, mas a Honda CB 1000R é relativamente simples e fácil de entender. A única desvantagem é que os auxílios ao piloto não são sensíveis à inclinação, não há IMU de 6 eixos, portanto, a moto não tem como saber o ângulo de inclinação. O ABS e o TC são convencionais, trabalhando a partir de sensores de roda, simples assim.

Eu sou fã da CB 1000R desde 2018, pois ela é muito agradável em sua simplicidade. Tem fácil manuseio nos passeios, grande potência e uma dose farta de torque exatamente onde você precisa. É uma moto que também pode lidar com um dia de pista agressivo. Com a versão Black Edition, a Honda simplesmente melhorou o nível de sofisticação e qualidade, por isso a CB 1000R parece impressionante de todos os ângulos, muito elegante e atraente.

Ela pode não ter 200 cv, mas toda a potência que tem é altamente gerenciável e bem disposta. A CB 1000R não pretende ser algo colossal e insano, ela é simplesmente uma ótima moto de estrada com um estilo mais que genuíno.

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