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Harley-Davidson Iron 1200; custom customizada de fábrica

7 Minutos de leitura

  • Publicado: 14/05/2019
  • Atualizado: 14/05/2019 às 14:50
  • Por: Marcelo Barros

A Iron 883 é a moto mais popular da Harley-Davidson. Inspirada nas customizações da 883 e com um motor maior, nasceu a Iron 1200!

Com o encerramento da operação Indian no Brasil e a retirada de motos custom da linha de produtos de grandes fabricantes de motos, como Honda, Yamaha e Triumph, a Harley-Davidson tem praticamente o monopólio quando falamos dessa categoria. Mesmo com esse reinado, a marca vem trabalhando para melhorar seus produtos ano após ano e criando também produtos para explorar novos segmentos, como a LiveWire, a moto elétrica da marca que chega ao mercado em 2019, lá no exterior, por hora.

O foco da marca com as novidades é muito claro: trazer novos motociclistas para a marca e e criar novas gerações de clientes, já que a média de idade dos proprietários se mantém alta.

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Na linha 2019 um dos destaques é a Iron 1200. É uma moto da linha Sportster, família de motos criada em 1957 com foco em minimalismo. A Iron 883 é conhecida, além de ser a mais acessível (R$ 42.400), por ser fácil de customizar, inclusive é uma das motos mais usadas no dirty-track, modalidade que está crescendo no Brasil.

Com base em tudo que os clientes da 883 modificavam, a Harley-Davidson criou a Iron 1200. Guidão alto (Mini Ape) — que trouxe uma grande melhoria no conforto pela posição de pilotagem mais natural —, banco monoposto, carenagem em torno do farol e pintura inspirada nos anos 1970, quando a marca havia sido comprada pela AMF, curiosamente, uma época que muitos preferem esquecer…

Voltando ao presente, para sair com a moto, a praticidade de ter uma ignição sem chave na moto agrada. A ciclística é ágil, compacta se comparada às motos da linha Softail e Touring, além de mais leve, mesmo com seus 256 kg.

Na cidade, o guidão mais alto deixa o ir e vir mais fácil e confortável, se comparado ao guidão baixo da Iron 883. A diferença de posição é de mais 222 mm de altura e 165 mm mais  próximo do motociclista. Me lembrou a posição de pilotagem da touring Road Glide Special, bem natural e confortável.

Andar de Harley-Davidson traz algo que muitas vezes é difícil explicar. Existe um respeito e admiração das pessoas que olham você passar, incluindo as que dividem o trânsito, abrindo espaço para você passar, mesmo quando você não quer ultrapassar ninguém… Esse status traz satisfação extra ao passeio, já que faz muita gente se apaixonar pelas Harley-Davidson. Com a Iron 1200 não é diferente.

 Além dessas diferenças visuais para a 883 e a inspiração lá no passado, a marca usou a mesma receita aplicada nas motos touring para aumentar o prazer na pilotagem da Iron e colocou o motor Evolution 1200, o mesmo usado na Forty-Eigth.

De acordo com a marca, o aumento no torque — já que a marca não divulga a potência máxima — é de 36% quando comparada à 883 (9,5 kgf.m na 1200 contra 6,83 kgf.m na 883). Como usa os mesmos chassi, rodas, pneus e suspensões, a diferença na hora de fazer a rotação do motor subir é notável, deixando realmente a moto mais divertida e prazerosa de pilotar.

Motor forte… E quente

O que senti quando usei a Iron 883, e principalmente a Forty-Eight, também senti na Iron 1200. O motor esquenta bastante! Percorri de ponta a ponta a sempre congestionada Avenida Paulista, cartão-postal de São Paulo, e o calor gerado pelo motor incomodou.

Sim, o dia estava quente, mas o incômodo nas pernas afeta o prazer na pilotagem nessas condições de menos movimento e vento. Assim como na Triumph Street Scrambler 900, a Iron 1200 parece ter sido uma moto projetada para lugares com temperatura média em torno de 25ºC. Mais quente que isso vai incomodar.

A marca trabalha a Iron 1200 como uma moto urbana, mas é claro que você vai gastar quase R$ 50 mil e querer viajar com ela! Dá para pegar a estrada com ela, como fizemos. Mas tem que ficar muito atento à luz amarela que indica que a moto entrou na reserva, pois ela não tem marcador de nível de combustível!

São 12,5 litros no tanque e acredite, não é difícil você ficar sem combustível no acostamento da estrada. É preciso planejar para não ter seu passeio interrompido!

As suspensões são as mesmas da Iron 883, as quais na estrada vão bem e se comportam com eficiência. Na cidade, vão bem, até aparecerem no seu caminho os naturais buracos, valetas e irregularidades maiores do asfalto, quando geralmente ela bate final de curso e incomoda com a transferência das pancadas para o corpo. É bom ficar atento.

Os amortecedores traseiros têm ajuste de pré-carga e trabalham muito bem, me surpreenderam durante o teste. Tanto que a impressão que fiquei é que a suspensão dianteira poderia ter uma calibragem diferente, para absorver melhor pequenas irregularidades do piso,  e dar mais estabilidade em alta velocidade, gerando um ‘equilíbrio’ entre suspensões.

Mas pela proposta da Iron 1200, uma custom, poderia afirmar que a suspensão traseira está é muito boa, acima da necessidade da ciclística, e que a dianteira está bem ajustada. Poucos motociclistas vão notar o que comentei sobre a dianteira, por não pilotar tantas motocicletas diferentes, como fazemos normalmente aqui na MOTOCICLISMO.

Em trechos sinuosos do percurso no teste me diverti bastante com a facilidade que essa moto inclina e mantém a estabilidade. Você consegue direcionar e até corrigir uma curva em que entrou errado sem dificuldades. Isso é um dos destaques dessa moto.

Vale a pena lembrar que é necessário um cuidado extra com curvas para a direita, pois é o lado do escapamento, e, se inclinar muito, pode fazer uma alavanca nele tirando a roda traseira do chão.  O susto é grande! Se você é um devorador de curvas, vai gastar bem as pedaleiras e a parte debaixo do escapamento, peças que limitam as inclinações.

A Iron 1200 tem freio a disco nas duas rodas. O disco dianteiro do tipo flutuante ajuda a arrefecer a sua temperatura. Não tem tanta potência quanto eu esperava do sistema, mas tem boa modulação e trabalha bem o suficiente para manter você seguro, tanto na cidade como na estrada. O ABS atua nas duas rodas e não entra tão cedo em ação, o que eu particularmente gosto, pois age só quando é realmente necessário a ação antibloqueio das rodas. A aderência dos pneus é boa e dá bastante confiança nos trechos de estrada recheados de curvas.

Preços apimentados

Se você tem a Iron 883 e pensa em customizá-la inspirado na 1200, fizemos uma cotação das peças da nova Iron, que estão no catálogo de acessórios (guidão, cabos, banco, carenagem do farol), o orçamento ficou em R$ 8.870. Quase duas vezes a diferença de preço entre a 883 e a 1200… Se quiser levar a patroa nos passeios, separe a bagatela de R$ 3.043.

No Brasil, há poucas alternativas custom, a mais próxima da Iron 1200 é a Triumph Bobber, que custa R$ 51.200, com boa ciclística, motor mais forte e igualmente estilosa. A Iron 1200 é oferecida em três cores. Abrindo mão dos nomes pomposos das cores, são simplesmente preta, branca ou vermelha as opções. Seu preço é R$ 46.900 e a Harley-Davidson dá dois anos de garantia. Comparada à Iron 883, a 1200 tem melhor custo-benefício, mas quem decide no final, claro, é você!

Conclusão

A Iron 1200 me chamou a atenção desde o lançamento da linha 2019. É uma moto ágil, minimalista, mas cheia de personalidade. A ideia é muito boa: uma Iron 883 já customizada de fábrica e com mais motor.

O guidão alto deixa a posição natural para pilotar e tem tudo para dar certo no mercado, pois a diferença de “só” R$ 4.500 para a 883 deixa a 1200 muito atrativa pelo que oferece. As ressalvas ficam pelo motor esquentar muito no uso urbano, a suspensão dianteira que poderia ter uma calibragem diferente, para permitir uma pilotagem mais arrojada em estradas sinuosas e claro… O apimentado preço das peças.

Existe mundialmente uma grande cultura em torno das motos custom. Sem dúvidas a Iron tem seu público fiel,  que vai curtir essa Iron customizada de fábrica.

Fotos: Johanes Duarte