A Dafra entrou em uma nova fase no Brasil. Depois de anos apostando em modelos vendidos com sua própria marca, a empresa agora quer aproximar o público das fabricantes que representa. E o primeiro grande passo dessa estratégia atende pelo nome de SYM ADXTG 150 2026.
Recapitulando: vale destacar que a marca taiwanesa é parceira de longa data da Dafra, caminhando lado a lado desde 2010 e comercializando por aqui um dos scooters mais emblemáticos do mercado brasileiro: o Citycom 300. Agora, nesta nova fase, a empresa quer dar mais relevância às fabricantes que representa.

Em outras palavras: na prática, o nome Dafra ficará ligado à montagem e à operação local, enquanto motocicletas e scooters passarão a ser vendidos com as marcas originais em evidência. Além da SYM, a Dafra pretende fechar parcerias com outras fabricantes asiáticas, e novidades devem ser anunciadas futuramente. Isso posto, vamos falar da grande novidade da marca para o segmento dos scooter urbanos e ao mesmo tempo aventureiros.
O Dafra SYM ADXTG 150 e seus rivais
O novo scooter, desenvolvido pela taiwanesa SYM e vendido no Brasil como um produto “SYM by Dafra”, chega às lojas por R$ 21.990, já com frete incluso. O preço o coloca exatamente no território de rivais como o Shineray Urban 150 e abaixo do Honda ADV 160 — este último, hoje, a principal referência entre os scooter de visual aventureiro.

Mas o SYM ADXTG não tenta vencer apenas pelo valor. A proposta é diferente. A marca fala em um scooter “crossover”, capaz de manter a praticidade no uso urbano sem abrir mão de alguma versatilidade para pisos irregulares. Parece promessa de marketing, mas depois de um primeiro contato ficou claro que há qualidades reais no pacote.
O que significa ADXTG?
Ficou curioso em saber o significado do nome do novo scooter da SYM? Nós também, e a Dafra se preocuopou em nos dar uma explicação no evento de apresentação.
A nomenclatura une as abreviações ADX e TG. A primeira que significa Adventure Cross Country, enquanto a segunda faz referência ao Tigre, com suas linhas agressivas e conjunto dianteiro, em alusão à bravura do felino.

Um scooter que chama atenção antes mesmo de sair do lugar
O primeiro encontro com o SYM ADXTG 150 foi promovido pela Dafra no Rio de Janeiro. A marca levou jornalistas para conhecer o produto e participar de um test ride de aproximadamente 50 quilômetros, partindo da Barra da Tijuca com destino a Grumari. O trajeto incluiu longas avenidas à beira-mar, trechos sinuosos de serra, subidas, descidas e até uma breve incursão em estrada de terra.
Ao bater o olho na novidade, o visual é, sem exagero, um dos grandes trunfos do ADXTG 150. Em um segmento onde muitos scooters acabam parecendo variações do mesmo tema, o modelo da SYM consegue ter identidade própria.

As linhas são angulosas, a dianteira transmite robustez e o conjunto tem presença. É um scooter que parece maior do que realmente é e desperta olhares por onde passa. A sensação é de estar diante de um modelo de categoria superior, principalmente nas versões Verde Petróleo e Cinza Epóxi.
A proposta aventureira aparece em detalhes como os pneus de uso misto, a posição de pilotagem mais elevada e o conjunto traseiro com monoamortecedor. Ainda assim, o ADXTG não perde a elegância urbana e consegue misturar bem os dois mundos.
Ergonomia e espaço agradam logo nos primeiros quilômetros
Ao subir no scooter, a primeira impressão é positiva. A posição de pilotagem é confortável, com o banco em dois níveis oferecendo bom apoio para a lombar e espaço suficiente para acomodar bem piloto e garupa.
Outro destaque está sob o assento. O compartimento surpreende pelo tamanho e comporta até um capacete fechado tamanho 62 (como o meu) e ainda sobra espaço para pequenos volumes, como um par de luvas ou a capa de chuva, algo que nem sempre acontece nos scooter da categoria. Para quem usa a moto no dia a dia, isso faz bastante diferença.

O tanque de 15 litros também chama atenção. É um dos maiores do segmento e ajuda a ampliar a autonomia, tornando o modelo ainda mais interessante para quem roda bastante na cidade.
Pacote tecnológico coloca o ADXTG entre os mais completos da categoria
A SYM caprichou na lista de equipamentos. O ADXTG 150 chega equipado com iluminação full LED, chave presencial, controle de tração, freios ABS nas duas rodas, entrada USB, sistema Start/Stop e painel TFT.
O painel, aliás, é um dos elementos mais interessantes do scooter. A tela tem boa definição, ótima leitura e permite escolher mais de um layout, além dos modos night e day.

Por outro lado, nem tudo é perfeito. Alterar funções exige pressionar botões instalados nas laterais do painel, algo pouco prático com o scooter em movimento. Além disso, faltou conectividade com smartphone. Segundo a Dafra, um sistema próprio está em desenvolvimento e deve ser disponibilizado futuramente.
Outro ponto que poderia melhorar é a posição da tomada USB. Ela está localizada ao lado do botão de acionamento das funções do scooter, seria mais prático se fosse instalado no porta-trecos dianteiro do ADXTG. Isso significa que, para utilizá-la, o motociclista terá que recorrer a um suporte para celular.

Motor responde bem e deixa o uso urbano bastante agradável
Debaixo da carenagem está o já conhecido motor monocilíndrico de 149,6 cm³, o mesmo utilizado no Cruisym 150, mas com uma nova calibração voltada para entregar mais torque em baixas rotações.
São 14,7 cv de potência e 1,4 kgfm de torque, sempre acompanhados da transmissão CVT. Na prática, o resultado agrada.

No trânsito urbano, o ADXTG se mostrou rápido nas respostas, com acelerações convincentes e retomadas eficientes. É um scooter que sai bem dos semáforos e acompanha o fluxo com facilidade.
Em um trecho de serra, porém, o conjunto perdeu parte do fôlego. Ainda assim, é preciso relativizar: todas as unidades utilizadas no teste estavam zeradas, ainda em período de amaciamento. Isso certamente influenciou no desempenho.
Suspensão traseira surpreende, mas a dianteira pede evolução
Se existe um ponto realmente positivo no comportamento dinâmico do ADXTG, ele está na suspensão traseira. O monoamortecedor instalado em posição quase horizontal trabalha muito bem. Nas ruas irregulares do Rio de Janeiro, especialmente sobre paralelepípedos, o scooter mostrou conforto acima da média e absorveu as imperfeições sem transmitir impactos excessivos ao piloto.
A dianteira, no entanto, não acompanha o mesmo nível de eficiência. O garfo telescópico, com apenas 90 mm de curso, acusou fim de curso diversas vezes, inclusive em buracos relativamente pequenos.

Isso ficou ainda mais evidente quando o trajeto incluiu um pequeno trecho de terra. Era o momento ideal para testar a proposta aventureira do ADXTG, mas a experiência mostrou que a suspensão dianteira poderia ser mais parruda.
Os pneus de uso misto ajudam um pouco, porém não foram suficientes para impedir que o scooter acusasse os golpes, principalmente na dianteira.
Ou seja, apesar da aparência aventureira e da proposta crossover, o ADXTG 150 tem suas limitações em estradas de terra, assim como todos os scooter da categoria. Seu habitat natural continua sendo o asfalto.
E isso não é um problema
Na verdade, talvez esteja aí a principal virtude do ADXTG.
Quando usado no ambiente urbano e até em estradas vicinais ele funciona muito bem. Na cidade, entrega conforto, bom espaço, visual marcante, desempenho satisfatório e um nível de equipamentos que poucos concorrentes oferecem.

Os freios, com discos e ABS nas duas rodas, também merecem elogios. O sistema respondeu de forma segura em todas as situações, reforçando a sensação de confiança ao pilotar.
No fim das contas, o SYM ADXTG 150 não precisa ser um aventureiro de verdade para convencer. Basta ser um bom scooter urbano com visual diferente — e nisso ele acerta em cheio.
Preço competitivo ajuda a transformar o ADXTG em uma grata surpresa
Por R$ 21.990, com frete incluso, o novo modelo da SYM chega muito bem posicionado.
Ele custa o mesmo que o Shineray Urban 150 e fica abaixo do Honda ADV 160, tabelado em R$ 25.520 sem frete. Considerando o pacote de equipamentos, o espaço sob o banco, o tanque de 15 litros e a garantia de cinco anos, o custo-benefício é um dos pontos mais fortes do scooter.
E a família deve crescer em breve. Durante a apresentação de seu novo scooter, a Dafra também confirmou que a gama ADXTG deve crescer em breve, com versões de 300 e 400 cilindradas previstas para os próximos meses, possivelmente com uma aparição pública já no Festival Interlagos.
Se a ideia da empresa era usar o ADXTG 150 para inaugurar essa nova fase da parceria com a SYM, a missão parece cumprida. O modelo chega ao Brasil como uma grata surpresa e, sem dúvida, merece entrar na lista de quem procura um scooter diferente, completo e competitivo.


