Notícias Competições MT-07 Yamaha

Yamaha fornecerá protótipo com motor da MT-07 para a Moto3 a partir de 2028

  • Publicado: 30/06/2026
  • 4 Minutos de leitura

O cenário das categorias de base do campeonato mais importante do planeta está prestes a mudar de forma radical. O diretor executivo da Yamaha Racing, Paolo Pavesio, confirmou os bastidores de um projeto ultra-secreto que vinha sendo desenhado com a Dorna (grupo Liberty Media): a partir da temporada de 2028, a Yamaha na Moto3 será a dona absoluta do grid, atuando como fornecedora única de motocicletas completas para a categoria de entrada.

imagem nova moto3 com motor yamaha mt-07
Nova Moto3 utilizará motor da MT-07 – foto: Divulgação

A decisão encerra a era dos motores monocilíndricos de 250 cm³ e introduz uma filosofia técnica completamente inédita, focada em duas missões claras: aumentar brutalmente o desempenho dos jovens talentos e reduzir os custos operacionais das equipes pela metade. Confira o raio-X desse projeto bombástico.

Coração CP2 modificado e chassi 100% protótipo

Esqueça qualquer boato de que veremos uma R7 ou uma Ténéré 700 de corrida na pista. Pavesio foi categórico ao afirmar que, embora o bloco do motor seja baseado no aclamado dois cilindros CP2 de 700 cm³ de produção em massa, o desenvolvimento para as pistas é cirúrgico e extremo. “Não há um único parafuso de uma moto de rua no chassi. É puramente uma moto protótipo“, disparou Pavesio. O uso de materiais nobres como o magnésio foi o segredo para derrubar o peso do conjunto e suportar o estresse das pistas.

imagem do motor da yamaha mt-07
Motor CP2 da MT-07 – foto: Divulgação

Relação peso-potência brutal e custos reduzidos em 50%

A proposta que fez a Yamaha vencer a licitação da Dorna há um ano e meio equilibra um desempenho assustador com uma acessibilidade financeira agressiva para os times independentes.

Parâmetro Técnico e EconômicoAtual Moto3 (Monocilíndrica 250)Nova Yamaha Moto3 (A partir de 2028)
Configuração de MotorMonocilíndrico 250 cm³Bicilíndrico 700 cm³ (Base CP2)
Potência EstimadaCerca de 60 hp95 cavalos de potência
Peso Total da MotoPróximo de 85 kgCerca de 120 kg
Custo de Aquisição100% do valor de mercado atualRedução de aproximadamente 50%

Matematicamente, a nova relação peso-potência do protótipo da Yamaha fará a Moto3 registrar velocidades finais e tempos de volta consideravelmente mais rápidos do que as motos atuais, encurtando o abismo de desempenho que hoje existe para a Moto2.

imagem da moto3 com motor mt-07
Protótipo utilizará chassis e motor da Yamaha – foto: Divulgação

Grid monomarca restrito e “Portas Abertas” geopolítica

Ao contrário da Moto2, onde as equipes utilizam o motor Triumph, mas são livres para escolher chassis como Kalex ou Boscoscuro, a Yamaha na Moto3 entregará um pacote fechado e lacrado. Suspensão, freios e escapamentos serão pré-determinados e uniformes para as 20 ou mais motos do grid. O objetivo é isolar a influência do equipamento e avaliar puramente o talento do piloto.

imagem do diretor executivo da Yamaha Racing, Paolo Pavesio
O diretor executivo da Yamaha Racing, Paolo Pavesio – foto: Divulgação

E há um detalhe geopolítico genial: a Yamaha não exige exclusividade de marca. Se um fabricante rival (como a KTM ou a Honda) quiser comprar o pacote completo da Yamaha e rebatizá-lo com suas próprias carenagens e logos para promover seus jovens talentos, os japoneses aceitam de braços abertos.

O cronograma do projeto e a versão “B-Spec” para a América do Sul

O cronograma de desenvolvimento já está acelerado. O primeiro protótipo funcional vai para as pistas realizar testes de validação dinâmicos entre setembro e outubro deste ano (2026). A meta é apresentar o design finalizado no início de 2027 para que as equipes possam se estruturar.

E a melhor notícia para o mercado brasileiro: a partir de 2029, a Yamaha lançará a versão “B-Spec” dessa moto. Trata-se de uma versão com a mesma base conceitual, mas com custos e desempenho ligeiramente menores, desenhada especificamente para os campeonatos nacionais das regiões das Américas Ocidental e do Sul, Ásia-Pacífico e América do Norte. É a tentativa definitiva da Liberty Media de descentralizar o domínio de pilotos espanhóis e italianos, criando uma pirâmide global de captação de talentos.

O romantismo cede espaço à sobrevivência do esporte

Para nós, puristas que crescemos assistindo às lendárias batalhas de engenharia mecânica das antigas 125 de dois tempos nos anos 90, ver a Moto3 se transformar em uma categoria de especificação única e monomarca deixa um gosto amargo na boca. Mas a verdade nua e crua é que o esporte mudou. O custo sufocante de manter equipes competitivas estava canibalizando o grid e elitizando as vagas para jovens que não fossem europeus.

Ao colocar um motor bicilíndrico de 95 cv e reduzir o custo do campeonato pela metade, a Yamaha na Moto3 não está apenas vendendo motos; está salvando a sustentabilidade financeira do paddock e pavimentando o futuro da MotoGP. É uma jogada de mestre da gigante de Iwata.

Notícias relacionadas

Comentários

guest

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado

Conteúdo Recomendado