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Motos para trabalho estão entre as mais visadas em SP, revela estudo

  • Publicado: 03/06/2026
  • 4 Minutos de leitura

As ocorrências envolvendo motos na Região Metropolitana de São Paulo registraram queda no primeiro trimestre de 2026. É o que mostra um levantamento da Ituran Brasil, empresa especializada em telemetria veicular, elaborado com base em dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP).

Apesar da redução geral dos casos, um dado chama atenção: a entrada da Sport 110, modelo amplamente utilizado por entregadores, entre as dez motos com mais ocorrências registradas na Grande São Paulo. A Honda CG 160, por sua vez, manteve a liderança do ranking.

Sport 110 é um modelo da indiana TVS licenciado pela startup Mottu – Foto: Fernando Sigma

Segundo o estudo, as ocorrências envolvendo motocicletas de até 499 cilindradas passaram de 6.876 para 5.451 registros na comparação entre os primeiros trimestres de 2025 e 2026. A queda foi observada em praticamente todos os modelos que figuram entre os principais alvos.

Honda CG segue na liderança

A Honda CG 160 permanece como o modelo com maior número de ocorrências registradas na Região Metropolitana de São Paulo. Mesmo apresentando redução de aproximadamente 19% em relação ao período anterior, a motocicleta segue isolada na liderança do ranking.

City: Honda CG 160 – 354.296 unidades

Confira os dez modelos com mais ocorrências registradas no primeiro trimestre de 2026:

  1. Honda CG 160 – 1.968
  2. Honda CG 150 – 247
  3. Honda XRE 300 – 201
  4. Yamaha XTZ 250 – 186
  5. Yamaha Fazer 250 – 183
  6. Honda CB 300 Twister – 166
  7. Honda PCX 150 – 161
  8. Honda NXR 160 Bros – 138
  9. TVS Sport 110 – 137
  10. Honda CG 125 – 126

A presença dominante da família CG continua sendo um dos destaques do levantamento. Somados, os modelos CG 160, CG 150 e CG 125 acumulam mais de 2,3 mil ocorrências no período analisado.

Entrada da Sport 110 chama atenção

A principal novidade do ranking é a presença da TVS Sport 110, que aparece pela primeira vez entre os dez modelos com mais ocorrências registradas.

A motocicleta ganhou grande visibilidade nos últimos anos por meio das operações de locação destinadas a entregadores e profissionais que trabalham com aplicativos de entrega. O dado pode indicar uma mudança gradual no perfil da frota observada pelos criminosos, acompanhando a expansão de novos modelos voltados ao trabalho urbano.

Ao mesmo tempo, o ranking reforça que as motos mais utilizadas como ferramenta de trabalho continuam sendo os principais alvos. Modelos como CG, Bros, XRE, Fazer, XTZ e PCX seguem entre os mais recorrentes no levantamento.

Furtos avançam e roubos de motos perdem espaço

Outro dado importante do estudo é a mudança no perfil das ocorrências. Os furtos representaram 74,35% dos casos registrados no primeiro trimestre de 2026, enquanto os roubos responderam por 25,65%. No mesmo período do ano anterior, os furtos correspondiam a 67,52% das ocorrências.

A mudança sugere uma preferência crescente por ações sem abordagem direta ao motociclista, reduzindo o risco de confronto durante a prática do crime.

Santo Amaro lidera ocorrências de motos entre os bairros

No recorte geográfico, Santo Amaro assumiu a liderança entre os bairros com maior número de ocorrências registradas no período.

O bairro aparece à frente de regiões tradicionalmente presentes nesse tipo de levantamento, como Tatuapé e Santana.

Os dez bairros com mais registros foram:

  • Santo Amaro – 117
  • Barra Funda – 80
  • Tatuapé – 74
  • Santana – 73
  • Freguesia do Ó – 61
  • Capão Redondo – 59
  • Campo Limpo – 58
  • Jardim São Luís – 54
  • Grajaú – 53
  • Área Rural – 51

O estudo aponta que a Zona Sul continua concentrando parte importante das ocorrências, com bairros como Santo Amaro, Capão Redondo, Campo Limpo, Jardim São Luís e Grajaú figurando entre os destaques.

Motos de alta cilindrada têm comportamento diferente

Entre as motocicletas acima de 500 cilindradas o levantamento também identificou queda nas ocorrências durante o primeiro trimestre de 2026. Os registros passaram de 669 para 406 casos na comparação anual.

Segundo a análise da Ituran, o comportamento observado nesse segmento é diferente do registrado entre as motos populares. Enquanto os furtos predominam entre os modelos de menor cilindrada, as motocicletas de alta cilindrada continuam registrando maior incidência de roubos.

Os dados mostram que os roubos representaram 64,78% das ocorrências envolvendo motos acima de 500 cm³, enquanto os furtos responderam por 35,22%.

Outra diferença aparece nos dias da semana. Nas motos populares, os registros se concentram principalmente entre quarta e sexta-feira. Já entre os modelos de maior cilindrada, os finais de semana seguem como o período mais crítico, com destaque para os domingos, quando há maior circulação de motocicletas utilizadas para lazer, viagens e passeios.

O levantamento conclui que, embora o volume total de ocorrências tenha diminuído em 2026, os padrões observados continuam refletindo dois cenários distintos: de um lado, motocicletas populares amplamente utilizadas no trabalho e na mobilidade urbana; do outro, modelos de maior valor agregado, que seguem atraindo ações mais seletivas e de maior risco.

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