Embora a lendária 916 de 1994 seja a “moto pôster” da Ducati, a verdadeira heroína financeira da marca atende pelo nome de Monster. Lançada em 1993, a Monster não apenas inventou o segmento super naked, mas tornou-se o motor econômico da empresa por décadas. Com mais de 350.000 unidades vendidas até hoje, este modelo representou, em seus auges, até 70% da produção total da fábrica.

O nascimento de um ícone: “guidão, tanque, banco e só”
A história da Ducati Monster começou como um projeto pessoal de Miguel Galluzzi. O designer argentino, inspirado pelas canyon racers que via na Califórnia, acreditava que uma moto não precisava de excessos. Sua filosofia era simples: “Você só precisa de guidão, tanque de gasolina e um banco”.
Em 1991, aproveitando as férias da fábrica, Galluzzi montou um protótipo usando o que havia de melhor nas prateleiras da Ducati: o motor da 900SS, o chassi de treliça da 888 Superbike e a dianteira da 750SS. O nome “Monster” surgiu de forma curiosa: era como seus filhos chamavam uns brinquedos de borracha da época. O apelido pegou internamente e acabou batizando a lenda.
A evolução das gerações: do ar ao líquido
Abaixo, os marcos que definiram a história da Ducati Monster através das décadas:
1ª geração: a pureza do ar (1993 – 2007)
- M900 (1993): a origem. Motor 904 cm³ refrigerado a ar com 67 cv. Foi um sucesso imediato que gerou a M600 (1994), a versão acessível que democratizou a marca na Europa.

- Monster S4 (2001): a primeira grande ruptura. Introduziu o motor 916 refrigerado a líquido (101 cv), trazendo performance de Superbike para as ruas, apesar da polêmica visual das mangueiras expostas.

- S4RS (2007): o ápice da brutalidade clássica, com motor Testastretta de 129 cv e suspensões Öhlins.

2ª geração: modernização estética (2008 – 2013)
Quinze anos após o original, surgiram a 696 e a 1100. Trouxeram escapes sob o assento, painel LCD e freios radiais, mantendo o icônico quadro de treliça.

3ª geração: a era da performance líquida (2014 – 2020)
Com a Monster 1200, o resfriamento a líquido tornou-se o padrão para as grandes. A M1200R (2016) tornou-se a Monster mais potente da história até então, entregando 158 cv — mais que o dobro da original de 1993.

4ª geração: a quebra do tabu (2021 – 2025)
A Monster 937 causou choque ao abandonar o quadro de treliça por um chassi frontal de alumínio inspirado na Panigale V4. O foco mudou para a leveza extrema (166 kg em ordem de marcha).

2026: o futuro com a quinta geração
A nova Monster 890 (2026) chega para consolidar a evolução. Baseada no novo motor V2 de 890 cm³ (111 cv), ela baixa o peso para impressionantes 164 kg. Com ergonomia mais fina e eletrônica de última geração, ela promete manter o DNA de Galluzzi: o máximo de diversão com o mínimo de peso.

A Monster em números
- Vendas Totais: +350.000 unidades.
- Impacto: chegou a representar 42% das vendas globais da marca entre 1993 e 2000.
- Evolução de Peso/Potência: de 67 cv / 185 kg (1993) para 111 cv / 164 kg (2026).
A história da Ducati Monster é a prova de que, no motociclismo, a simplicidade aliada ao caráter é a receita infalível para a imortalidade.