O Rally Dakar 2026 chegou ao fim nas margens do Mar Vermelho, mas o que se viu na última etapa não foi uma procissão, foi um “Sprint de MotoGP” no meio do deserto. Após mais de 8.000 quilômetros percorridos, a vitória na categoria motos foi decidida pela margem inacreditável de 2 segundos.

Nunca antes, em 48 anos de competição, a diferença entre o campeão e o vice-campeão foi tão ínfima, provando que o nível técnico dos pilotos e a confiabilidade das máquinas atingiram um patamar de perfeição absoluta.

O domínio e a queda de Sanders
A primeira metade do rali teve um dono absoluto: Daniel Sanders (KTM). O campeão de 2025 parecia imbatível até à Etapa 9, abrindo mais de 6 minutos sobre Ricky Brabec. No entanto, o “Monstro do Dakar” atacou na Etapa 10, em Bisha. Sanders sofreu uma queda violenta, fraturando o ombro esquerdo. Numa demonstração de resiliência samurai, ele suportou a dor e continuou na prova, mas a perda de 30 minutos naquele dia selou o seu destino, deixando a decisão para o “segundo tempo”.

O cenário perfeito de Ricky Brabec
Com a lesão de Sanders, a disputa afunilou entre o bicampeão Ricky Brabec (Honda) e Luciano Benavides (KTM). Na Etapa 12, Brabec deu o que parecia ser o golpe de misericórdia. Com uma pilotagem cirúrgica e aproveitando uma ordem de largada favorável, o americano venceu a etapa e abriu uma vantagem de 3 minutos e 20 segundos para o último dia.

Para a etapa final em Yanbu, um sprint curto de 108 km, a vitória da Honda era dada como certa. Ninguém tira 3 minutos numa distância tão curta sem que ocorra um cataclismo.
A tragédia de Yanbu: o erro de 7 quilômetros
No km 98,4 da última especial, a apenas 7 quilômetros da linha de chegada, o impensável aconteceu. Sob a pressão de abrir pista, Brabec cometeu um erro de navegação fatal. Um desvio de poucos metros para a esquerda forçou-o a um loop de 3 km para retomar a rota.

Enquanto isso, Luciano Benavides pilotava em transe. “Nunca parei de sonhar”, disse o argentino. Atacando além dos limites, quase sofrendo um acidente nas duas últimas curvas, Benavides cruzou a meta e esperou. O monitor mostrou a realidade mais cruel para a Honda: Brabec chegou tarde demais. Por apenas 2 segundos, a terceira coroa de Ricky evaporou-se no calor de Yanbu.
O triunfo da estirpe Benavides
Com este resultado, Luciano entra para a história ao lado do seu irmão, Kevin Benavides, tornando-se a primeira dupla de irmãos a vencer o Dakar. Para a KTM, foi o 21º título; para a Honda, foi um pesadelo duplo. Além da derrota de Brabec, a marca viu Preston Campbell (filho da lenda Johnny Campbell) perder a liderança da classe Rally 2 nos instantes finais para Toni Marek, da KTM.

Resultado final – Dakar 2026
| Posição | Piloto | Marca | Tempo / Diferença |
| 1º | Luciano Benavides | KTM | 49:00:41 |
| 2º | Ricky Brabec | Honda | + 0:00:02 |
| 3º | Tosha Schareina | Honda | + 0:25:12 |
| 4º | Skyler Howes | Honda | + 0:56:41 |
| 5º | Daniel Sanders | KTM | + 1:03:15 |