A espera finalmente acabou. Nesta terça-feira, 24 de fevereiro, a Kawasaki do Brasil reanima o mercado nacional com o lançamento da aguardada Kawasaki Z1100. O Motociclismo Online traz, em primeira mão, diretamente da pista do Haras Tuiutí, em Tuiutí, no interior de São Paulo, todos os detalhes técnicos, as mudanças dinâmicas e impressões de pilotagem, e o que você pode esperar da sucessora da lendária Z1000.

Herdeira de uma linhagem que remonta à icônica Z1 de 1972, a moto que definiu o conceito de “Super Four” no mundo, a nova Kawasaki Z1100 carrega o peso de um legado de mais de 50 anos de brutalidade em quatro cilindros. O público fiel da marca sempre venerou o visual “Sugomi”, aquela postura de predador agachado que tornou a linha Z inconfundível nos retrovisores. Mas a grande questão que respondo agora é: a Kawasaki conseguiu elevar a cilindrada e a eletrônica sem castrar a alma mecânica e o “soco no estômago” que consagraram suas antecessoras?

O coração da fera: o novo motor de 1.099 cm³
O motor de quatro cilindros em linha, agora com 1.099 cm³, é derivado das consagradas Ninja 1100 SX e Versys 1100, mas não se engane: ele foi recalibrado para entregar o caráter agressivo que o “nudismo” da Kawasaki exige.

Este bloco entrega uma potência máxima de 136 cv a 9.000 rpm e torque de 11,5 kgf.m a 7.600 rpm. Para os puristas que olham apenas para os números frios, um aviso: embora declare alguns cavalos a menos que a antiga Z1000 de 2020, a mágica aqui está na entrega. O novo propulsor de quatro cilindros em linha agora entrega uma curva de torque muito mais cheia em baixas e médias rotações. Isso se traduz em respostas imediatas ao menor toque do acelerador, e caso você “torça totalmente o cabo”, aí você vai sentir toda a fúria da usina para fazer ultrapassagens nas rodovias com muita segurança.

O que isso significa na prática?
Esqueça a necessidade de “caçar” a marcha certa para ter fôlego. Na prática, a Kawasaki transformou a Z1100 em uma usina de força muito mais elástica e onipresente, o torque se faz presente desde as rotações mais baixas, eliminando aquela hesitação em saídas de curva lenta. No uso urbano, ela se tornou uma moto mais “civilizada”, mas não se engane. Essa docilidade é apenas uma máscara para uma entrega de potência muito mais linear e consistente. Para rodar na cidade sem trânsito, você engata a sexta marcha e esquece, pois o motor atende desde as mais baixas rotações, e com um funcionamento liso sem a menor vibração.

Mas, quando você provoca o acelerador eletrônico, a resposta não é apenas um aumento de velocidade, é uma mudança de personalidade instantânea. É a capacidade de ignorar o câmbio e deixar que os 1.099 cm³ façam o trabalho sujo, catapultando a moto com uma força que parece não ter fim, transformando qualquer reta de asfalto em um borrão em questão de segundos. Problema é segurar tudo no peito, sem carenagem.

Ciclística e chassi: evolução, não revolução
A Kawasaki optou por manter a arquitetura de chassi em alumínio, mas com refinamentos na rigidez torsional. A grande estrela aqui é o conjunto de suspensões. Na versão que testamos, a Z1100 SE, o monoamortecedor traseiro multiajustável Öhlins faz um trabalho espetacular da leitura do piso, e ao atacar curvas você sente realmente uma moto mais equilibrada, precisa e grudada no chão.

A posição de pilotagem foi refinada: o guidão está 22mm mais largo e avançou 13mm. Parece pouco, mas no “corpo a corpo” urbano ou no ataque às curvas, isso se traduz em uma alavanca muito mais eficiente e uma sensação de agilidade superior, pois você se sente mais engajado com a moto. Para frear a Kawasaki Z1100 SE a Casa da Akashi escalou discos de 310mm, mordidos por pinças Brembo Stylema e mangueiras Auroquip, que são o padrão ouro para motos que ultrapassam os 250 km/h de velocidade final, garantindo mordida imediata para as altas velocidades e modularidade para o trânsito, sem aquela mordida inicial forte.

Eletrônica: o salto tecnológico que faltava
Se havia uma crítica à Z1000 anterior, era a sua eletrônica “analógica” perto das concorrentes europeias. Na Z1100, a Kawasaki resolveu o problema de uma vez por todas.
A nova moto conta com uma IMU de 6 eixos (Unidade de Medição Inercial) da Bosch, que gerencia:
- KTRC (Kawasaki Traction Control): agora com 5 níveis de intervenção e modo desligado.
- KIBS (Kawasaki Intelligent Anti-lock Brake System): o ABS de curva que permite alicatar o freio mesmo com a moto inclinada.
- KCMF (Gerenciamento de Curvas): segurança ativa para inclinações extremas.
- KQS (Quickshifter Bidirecional): trocas de marcha sem embreagem que, nos nossos testes iniciais, mostraram-se extremamente precisas, mesmo em baixas rotações.
- Power Modes: três modos de entrega de potência (Sport, Road e Rain), além de um modo “User” customizável.

Painel TFT e conectividade
O novo painel TFT de 5 polegadas é uma obra de arte. Além de ser antirreflexo, ele se conecta ao seu smartphone via o aplicativo Rideology The App, permitindo que você veja telemetria da viagem, ajustes da moto e notificações diretamente na tela.

Design Sugomi: mais agressiva que nunca
O conceito Sugomi, que dita a postura de um predador pronto para o bote, foi levado ao extremo. As linhas da Kawasaki Z1100 são mais angulares, com entradas de ar maiores e um conjunto óptico Full LED que parece encarar quem vem no sentido oposto, e ele é a grande identidade inconfundível da Kawasaki Z1100.

A ergonomia foi levemente revisada. O guidão está 10mm mais largo e as pedaleiras foram recuadas milimetricamente, colocando o piloto em uma posição de ataque, mas sem o cansaço excessivo das superesportivas de pista.
A Z1100 vale o investimento?
Versões e preços no Brasil
A Kawasaki posiciona a Z1100 como o degrau mais alto de sua linha convencional (abaixo apenas da Hypernaked extrema Z H2 sobrealimentada).
- Kawasaki Z1100 (Black): R$ 74.990,00
- Kawasaki Z1100 SE (Grey): R$ 84.990,00

A Kawasaki Z1100 chega para brigar no topo do segmento das Supernakeds. Ela não tenta ser a moto mais potente do mundo (título que pertence à sua irmã sobrealimentada Z H2), mas tenta ser a naked de alta cilindrada mais equilibrada do mercado e a evolução natural de quem já teve uma Z800 ou Z900 e buscava o próximo nível de performance com segurança eletrônica.