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Segundo o Ministério dos Transportes, a frota de veículos no nosso país cresceu e cresce muito. Nos anos 2.000 tínhamos 29.722.950 de veículos circulando, desses, 19.972.690 eram automóveis e 3.961.922 eram motocicletas e motonetas.
Em janeiro de 2023, os números foram surpreendentes, pois a frota de veículos já era da ordem de 115.385.143, desses, 60.540.927 eram automóveis (52,47% do total) e 31.227.975 eram motocicletas e motonetas (27,07%).
Pois no ano passado, ainda segundo o Ministério dos Transportes, esses números subiram para um total de 123.974.520 de veículos, sendo, 63.300.406 automóveis e 34.503.740 motocicletas e motonetas.
Ou seja, em um ano o aumento foi de 8.589.377 de veículos, sendo 2.759.479 de automóveis (51,06% dos veículos) e 3.275.765 de motocicletas e motonetas (27,83% dos veículos) A frota de motocicletas e motonetas está aumentando mais que a dos automóveis, isso é fato.
Quem vive nos grandes centros já percebeu na prática que esse crescimento gera conflitos no trânsito e a tendência é ele aumentar se algo não for feito para melhorar o convívio no trânsito.
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De onde vem o aumento?
Está cada dia mais difícil circular pelas áreas urbanas, e não apenas em grandes cidades, isso é geral. Por causa de preço das passagens, tempo gasto no trânsito e a agilidade estão fazendo com que muitas pessoas optem por um veículo de duas rodas para uso no dia a dia e no trabalho.
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Os serviços de entrega mudaram os hábitos das pessoas, pois muitas preferem o conforto e a segurança de receber a comida em casa, do que se arrumar, pegar o carro, se deslocar e se arriscar para fazer uma refeição.
Como fica o trânsito?
Nas grandes cidades como São Paulo, a engenharia de tráfego tem que se desdobrar para tentar melhorar o convívio no trânsito, ou não piorar, o que já é difícil, quase caótico. Começou com as limitações aos veículos de carga, o rodízio de veículos e agora estamos com a expansão da faixa azul.
Todos nós sabemos que a tendência é piorar, é uma questão matemática. Os veículos em circulação aumentam e a cidade, principalmente as regiões centrais, não têm muito o que mudar, pois só resta ficar alterando os sentidos das vias para tentar uma melhora.
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Sim à Motocicleta: a responsabilidade dos motoristas e motociclistas
Todos nós (pedestres, ciclistas, motociclistas, motoristas e transporte coletivo e de cargas), como atores no trânsito, temos nossas responsabilidades e devemos fazer a nossa parte, pois, teoricamente, é simples melhorar o convívio e o fluxo no trânsito.
A disputa entre motocicletas e outros veículos no trânsito é diária e implacável. Pois de um lado, os motociclistas sempre tentando ganhar tempo para uma renda extra ou por imprudência mesmo, e, de outro, os motoristas presos nas filas dos congestionamentos tentando encurtar o tempo para chegar ao destino dentro do horário ou mais rápido.
Todos sabemos que existem exageros dos dois lados e não são poucos, contudo, geralmente quem leva a pior, na maioria das vezes, é o motociclista. Ele é a parte mais exposta e vulnerável nas ocorrências e pode ter consequências sérias.
Podemos citar várias situações e comportamentos no dia a dia que são delicados para todos os envolvidos no trânsito. As mudanças de direção sem sinalizar, rodar acima dos limites de velocidade, uso do celular enquanto dirige/pilota, enfim, são inúmeras!
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Não é só isso
Não vamos nos esquecer dos veículos pesados como ônibus e caminhões, pois mesmo com seu tamanho, eles abusam também. Infelizmente é comum ver ônibus municipais cruzando semáforo vermelho em alta velocidade. Infração inaceitável para qualquer veículo! Pois se está para fechar o sinal, diminua a velocidade para ter tempo de parar e não expor inocentes ao risco.

Os caminhões também têm suas particularidades. Por serem maiores que os ônibus e o motorista ficar em posição bem mais alta, os pontos cegos são um problema. Os motociclistas que não estiverem atentos a isso, certamente podem ficar em situação de risco. Cabe ao motorista ficar mais atento, mas pricipalmente ao motociclista para não entrar nos espaços de risco.
Obviamente que existem os maus motociclistas. Em suma eles abusam da velocidade ou fazem manobras arriscadas, pois é comum ver alguns empinando, apostando corrida, subindo calçadas ou trafegando pela contramão. Ou seja, se nem o mais vulnerável colabora para melhorar o convívio no trânsito, como exigir isso de terceiros?
Por isso que a campanha Sim à Motocicleta, com o apoio da Abraciclo, busca abrir os olhos dos motociclistas para uma pilotagem preventiva e responsável. Para que cada um cuide de si e também zele pela vida do próximo. Contudo se conseguirmos plantar essa ideia, já fará uma grande diferença.
Sim à Motocicleta: Dicas para diminuir a tensão
Motoristas, que tal fazer um teste? Nos congestionamentos, não pare seu carro, van ou SUV “espelho com espelho” com o carro ao lado. Pois assim as motos conseguem fluir com mais espaço para evitar o contato com seus retrovisores, e assim poupá-los de possíveis quebras.
No mesmo espírito, motociclistas, que tal diminuir a velocidade nos congestionamentos? Pois só fazendo isso já se reduz absurdamente o risco de acidentes por erro de cálculo, desatenção e excesso de velocidade.
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Atenção! Pessoal, que tal voltar a escutar música nos carros e não usar o celular? É absurda a quantidade e condutores assistindo vídeos, digitando e falando ao celular. Pois isso é visto em todos os tipos de veículos, inclusive nas motos.
A parte dos órgãos de fiscalização
A fiscalização é outra forma de coibir abusos dos dois lados, embora seja difícil controlar o fluxo nos corredores apenas com radares fixos. Pois uma coisa é certa: sentir no bolso o peso das infrações é uma forma de educar e coibir os excessos de todos os envolvidos no trânsito.
A sensação de insegurança no trânsito é geral e vários são os motivos, inclusive assaltos, por isso é preciso que cada um de nós faça a sua parte. Em suma, se precisar utilizar o celular, pare seu veículo em lugar seguro e, de volta ao tráfego fique atento a tudo ao seu redor.
A convivência só vai melhorar, em suma, se cada um fizer sua parte e se preocupar com o próximo. Vamos nessa?
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