Depois de completar seu primeiro ano de operação no Brasil, a marca italiana Moto Morini prepara novos lançamentos, prevê investir R$ 250 milhões no País e já estuda antecipar a implantação de uma fábrica própria em Manaus. Em entrevista exclusiva à Motociclismo Online, o presidente da operação brasileira, Fabrício Morini, detalha a estratégia para os próximos anos e revela, em primeira mão, novidades que chegam ao mercado entre 2026 e 2027.
Entre os destaques estão a chegada da Alltrhike 450, da X-Cape 1200, o retorno da icônica Tremezzo 350 (3½) e o plano de implantação de uma fábrica própria em Manaus.
Vamos a entrevista:
A Moto Morini está comemorando seu primeiro ano de atuação no Brasil. Como você avalia os resultados obtidos até agora? Eles correspondem às expectativas?
Fabrício Morini – O balanço é extremamente positivo. Essa é a principal mensagem. Avaliamos o cenário como muito favorável porque seguimos exatamente o planejamento traçado desde o início da operação, em 4 de julho do ano passado.
Nosso primeiro grande objetivo era apresentar a Moto Morini ao mercado brasileiro. Apesar de sermos uma marca com 88 anos de história, muitos motociclistas ainda não nos conheciam. Existem diversas fabricantes tradicionais no exterior que ainda estão construindo sua presença no Brasil.
Por isso, o foco deste primeiro ano foi a apresentação da marca: permitir que o motociclista conhecesse a Moto Morini e, ao mesmo tempo, entender melhor o mercado brasileiro.
Agora iniciamos uma nova fase, voltada para a expansão da comunidade de clientes. Essa estratégia está baseada em três pilares: oferecer uma excelente relação custo-benefício, ampliar a rede de concessionárias e lançar novos modelos.
Tudo isso vem acompanhado de componentes de alto nível, preços competitivos e um pacote completo de produtos e serviços. Acredito que este segundo ano será marcado justamente por essa consolidação.
Recentemente, você participou de uma comitiva da Moto Morini à China para homologação de novos produtos. Além disso, a marca prepara lançamentos para este segundo semestre. O que já pode ser revelado?
Fabrício Morini – Esse é o nosso próximo grande passo. Teremos três importantes lançamentos no segundo semestre e posso adiantar algumas informações em primeira mão para a Motociclismo Online.
O primeiro deles é a Moto Morini Alltrhike 450, que deverá chegar às concessionárias entre agosto e setembro.

Ela entra em um segmento extremamente aquecido no mercado brasileiro. Existe uma tendência mundial, já consolidada na Europa, de crescimento da categoria entre 390 cc e 500 cc, que começa a atrair consumidores que antes buscavam motocicletas entre 650 cc e 900 cc.
Quem serão os principais concorrentes da Alltrhike 450?
Fabrício Morini – Vamos disputar espaço com excelentes fabricantes. Destaco a KTM, muito bem representada no Brasil pelo Waldyr Ferreira, de quem sou admirador; a Kawasaki, com sua linha Versys, e a CFMOTO, que vem fazendo um excelente trabalho.
Não vejo uma concorrência direta com a Royal Enfield Himalayan porque ela é uma motocicleta monocilíndrica, com proposta e faixa de preço diferentes.
A Alltrhike é bicilíndrica e oferece um nível de desempenho bastante superior.
A X-Cape 1200 também chega ainda este ano?
Fabrício Morini – Exatamente. A X-Cape 1200 Miledue é um modelo extremamente importante para a Moto Morini porque marca o retorno dos motores desenvolvidos integralmente pela própria fábrica.

Ela utiliza o motor Corsa Corta Bialbero 1200, um projeto criado na década de 2000 e reconhecido por sua confiabilidade. São 125 cv de potência aliados a um pacote eletrônico bastante sofisticado e componentes de primeira linha.
Carinhosamente, chamamos esse modelo de nosso “puro-sangue”. Ela já foi lançada na Argentina e no Uruguai, e nossa expectativa é trazê-la ao Brasil ainda durante este segundo semestre.
E qual é o terceiro lançamento previsto?
Fabrício Morini – Durante nossa viagem à China, aproveitamos para realizar as homologações internacionais, já que não havia agenda disponível no Brasil. Foi lá que homologamos a Tremezzo (3½), nosso futuro modelo de 350 cilindradas.

Ela tem previsão de ser comercializada no primeiro semestre de 2027, mas posso antecipar outra novidade: o público poderá conhecê-la em breve.
Para nós, a Tre Mezzo representa um enorme orgulho. Foi justamente esse motor que, na década de 1970, transformou a Moto Morini em uma marca de alcance internacional, levando seus produtos muito além da Europa e conquistando espaço especialmente no mercado norte-americano. Agora, essa história ganha um novo capítulo com o lançamento da Tremezzo Sport.
A Moto Morini anunciou um plano de investimentos bastante ambicioso para o Brasil. Como esses recursos serão aplicados?
Fabrício Morini – Temos um planejamento de investimento de aproximadamente R$ 250 milhões para a operação brasileira. Nosso grande objetivo é, gradualmente, transformar a Moto Morini em uma fabricante com estrutura própria no País.
Hoje operamos em Manaus (AM) por meio de uma parceria com a DBS, responsável pela montagem das motocicletas. No plano original, a implantação de uma fábrica própria estava prevista para o quarto ano de operação.
No entanto, venho defendendo junto à matriz, na Itália, a antecipação desse projeto para o segundo ou terceiro ano. O mercado está cada vez mais competitivo e uma fábrica própria representa um ganho expressivo em logística, eficiência operacional e competitividade tributária. Inclusive, estudamos a possibilidade de adquirir uma estrutura já existente para acelerar esse processo.
Além disso, continuaremos investindo fortemente em marketing institucional, expansão da rede de concessionárias e homologação contínua de novos produtos.
Como está hoje a rede de concessionárias e qual é o volume de vendas da Moto Morini no Brasil?
Fabrício Morini – Atualmente contamos com oito concessionárias em operação, localizadas em praças estratégicas como Santa Catarina, Paraná, Goiânia, Brasília, Santo André, São Paulo, Salvador, Vitória e Belo Horizonte.
Nos próximos meses anunciaremos outras oito operações, priorizando mercados importantes como São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas, além da expansão para as regiões Norte e Nordeste, que considero estratégicas.
Em relação às vendas, estimamos ter comercializado entre 500 e 600 motocicletas neste primeiro ano. Mais do que buscar volume imediato, nossa estratégia inicial foi consolidar a marca no Brasil. Queríamos entender o comportamento do consumidor brasileiro, ajustar processos e estruturar corretamente a operação.
Agora, com uma linha de produtos mais completa e uma rede de concessionárias ampliada, acreditamos que o crescimento acontecerá de forma natural.
Para encerrarmos, que mensagem você gostaria de deixar aos leitores da Motociclismo?
Fabrício Morini – Gostaria de fazer uma reflexão.
Acompanho diariamente o noticiário do setor e percebo que, muitas vezes, algumas empresas são alvo de críticas infundadas nas redes sociais. Isso não acontece apenas com a Moto Morini. Também vejo profissionais extremamente competentes da Shineray, da CFMOTO e até de marcas tradicionais, como a KTM, enfrentando esse tipo de situação.
Acredito que o mercado precisa de mais profissionalismo, mais diálogo e debates construtivos, e menos polarização ou ataques sem fundamento.A Moto Morini possui um patrimônio que nenhum concorrente pode copiar: seus 88 anos de história.
Desde 2018 fazemos parte de um grupo chinês, seguindo um movimento que praticamente todas as grandes fabricantes europeias adotaram para ganhar escala global. No entanto, preservamos nossa identidade.
Nossa sede histórica continua na Via Trivulzio, na Itália, assim como o centro de desenvolvimento e design da marca. Nossa essência permanece exatamente a mesma.
No fim das contas, o que realmente importa é a relação de confiança construída com os motociclistas e o respeito ao consumidor.
