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A moto impulsionando a economia | Sim à Motocicleta

  • Publicado: 14/01/2026
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A motocicleta tornou-se ferramenta de trabalho para muitas pessoas, isso faz com que ela movimente muitos negócios em uma cadeia de bens e serviços imensa. Por outro lado, é preciso informar e treinar os motociclistas para evitar acidentes

Embora o motofrete tenha sido iniciado nos anos 1980, as entregas por moto começaram a ficar mais estruturadas nos anos 2000, ainda voltadas a documentos e pequenas encomendas. Era um serviço essencial para empresas, mas pouco integrado à tecnologia. Houve grande aumento no setor de entregas a partir de 2015, com a popularização dos aplicativos de delivery de alimentação, que transformaram o setor ao conectar restaurantes e consumidores em escala nacional.

Durante a pandemia de 2020, o mercado explodiu: milhões de brasileiros passaram a depender das entregas dos mais variados tipos de produtos, da alimentação às compras de mercado, e os motociclistas se tornaram protagonistas da economia urbana. A moto se tornou uma ferramenta de trabalho lucrativa para os motociclistas e, segundo uma pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), só uma das plataformas de entrega de comidas gerou mais de 900 mil postos de trabalho em sua cadeia de negócios.

Segundo pesquisa recente do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), a única realizada no país a partir dos registros administrativos das empresas, atualmente são 455.621 entregadores, 18% a mais que na pesquisa anterior, de 2021/2022.

Motor da economia

Se, por um lado, o trabalho de motoboy, ou motofretista, pode ser a tábua de salvação de uma família, por outro, a moto cada vez mais torna-se necessária para o ir e vir de forma rápida e eficaz nas grandes metrópoles, seja como alternativa ao transporte público, seja como segundo veículo.

Há alguns anos o surgimento das bicicletas elétricas e autopropelidos (patinetes) vem impulsionando o comércio, e cada vez mais eles estão presentes em nossas ruas, ciclofaixas e, muitas vezes, calçadas. Assim, o ciclo de todos esses veículos de duas rodas também movimenta a economia em várias áreas, das indústrias e lojas de lubrificantes, pneus, peças de reposição, acessórios e equipamentos de proteção às oficinas, postos de gasolina etc.

Ordem na casa

Contudo, na busca de um meio de locomoção mais acessível, alguns usuários optam por adquirir, nas plataformas de comércio eletrônico, motores a combustão de dois tempos que são proibidos pela legislação brasileira, colocando em risco a segurança do usuário e o meio ambiente.

Há ainda a utilização dos modelos elétricos que, no caso dos ciclomotores, necessitam de registro, emplacamento, habilitação e capacete para a sua utilização, tendo seu prazo de regularização encerrado em 31 de dezembro de 2025.

Além da economia

Mesmo com todo o movimento econômico que a motocicleta é capaz de oferecer, seja para as famílias que dependem do trabalho de um motociclista, seja das empresas que dependem deles para realizar as entregas, há uma preocupação que atinge a todas as pessoas que se locomovem, a segurança.

Trânsito intenso, condições climáticas adversas, o desrespeito à legislação de trânsito e a não utilização de equipamentos de segurança são desafios diários a serem enfrentados pela classe de entregadores e de motofretistas. Mas a segurança é um direito de todos os atores do trânsito.

Esforço coletivo

Várias entidades governamentais e associações se esforçam para tentar aumentar a segurança no trânsito e dos motociclistas. Os abusos acontecem, isso é indiscutível, contudo, temos que concordar que são feitos por uma minoria inconsequente. Ações voltadas à segurança dos motociclistas se multiplicam pelo país e vão gerando bons resultados. Solicitações de sindicatos, como o Sindicato dos Mensageiros Motociclistas, Ciclistas e Mototaxistas Intermunicipal do Estado de São Paulo (SindimotoSP) são atendidas pelo poder público.

Em São Paulo, uma das mais bem-sucedidas medidas no trânsito tem reduzido os acidentes onde foi implantada, é a Faixa Azul, faixa de compartilhamento de vias para motocicletas. Desenvolvida pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), já tem mais de 232 quilômetros na capital e deve chegar a 400 quilômetros em breve.

Ações educativas de conscientização também ocorrem pelo país a fim de abrir os olhos dos motociclistas (e motoristas) para a segurança individual e do próximo. Exemplos não faltam: a Abraciclo faz o Pit Stop educativo em blitz no trânsito de várias cidades do Brasil, e o Detran/SP oferece cursos para motofretistas. Ações educativas de conscientização também ocorrem pelo país afim de abrir os olhos dos motociclistas (e motoristas) para a segurança individual e do próximo.

Só com pessoas conscientes de suas responsabilidades no trânsito é que vamos conseguir conviver em paz no trânsito, hoje esse lugar tão hostil. Devido à importância e ao numeroso contingente de motociclistas na capital paulista, a Prefeitura de São Paulo está construindo locais para descanso com banheiro, Wi-Fi, micro-ondas e TV para esses trabalhadores. Uma forma de reduzir o estresse no dia a dia e aumentar a qualidade de vida dessas pessoas.

Talvez assim quem sente aquela pressão de fazer a entrega mais rapidamente não o faça, afinal abusos são sempre perigosos e assumir certos riscos em cima de uma motocicleta não se pode admitir. Assim, você que está lendo esta reportagem, se por acaso receber um pedido de comida um pouco mais demorado, lembre-se de avaliar o entregador pelo zelo à vida no trânsito e não pela espera ou temperatura de sua comida – tenha empatia. Afinal, em algum momento, você também faz parte do trânsito de sua cidade e sabe como ele é. Certo?

Para melhorar o tráfego e a saúde

Assim, talvez mais pessoas tirem os carros das ruas e se entusiasmem a entrar no mundo da motocicleta, afinal muitos não o fazem por medo do comportamento de alguns motociclistas no trânsito.

Do mesmo jeito que nós exigimos respeito, devemos respeitar as pessoas independentemente de seu meio de locomoção, pois um acidente em via de grande passagem, mesmo sem consequências físicas, pode atrasar a vida de muita gente, numa reação em cadeia.

A motocicleta é o mais ágil e econômico meio de locomoção que existe, mas depende de quem está ao guidão fazer bom uso para chegar em casa em segurança após ter cumprido sua tarefa diária. Você não acha?

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