O retorno da MotoGP ao Brasil em 2026 não marca apenas a volta de uma das maiores categorias do motociclismo ao país, mas também traz uma série de desafios técnicos inéditos para equipes e fabricantes.
E nesse sentido, Brembo e Michelin compartilham curiosidades técnicas sobre pneus e freios para o Estrella Galicia 0,0 Grande Prêmio do Brasil, que acontece entre os dias 20 e 22 de março, no Autódromo Internacional de Goiânia, etapa que promete ser uma das mais exigentes da temporada.
Circuito de Goiânia desafia pneus e pilotos
De volta ao calendário após décadas, o circuito de Goiânia surge como uma incógnita total para a Michelin. Sem testes prévios, toda a preparação foi baseada em simulações, que já indicam um cenário desafiador.

Com 3,835 km de extensão e um traçado assimétrico, a pista conta com nove curvas à direita e cinco à esquerda, o que faz com que os pilotos passem mais de 50 segundos por volta inclinados para o lado direito. Esse comportamento gera altas cargas e temperaturas elevadas, principalmente no ombro direito dos pneus.
Diante desse cenário, a Michelin classificou Goiânia como um dos circuitos mais exigentes do calendário da MotoGP para os pneus, exigindo soluções específicas para garantir desempenho e segurança.
Mais opções de pneus para um circuito desconhecido
Para lidar com as incertezas, a Michelin adotou uma estratégia fora do padrão. Em vez das tradicionais duas opções por eixo, serão disponibilizadas três especificações na dianteira e três na traseira, todas assimétricas.
Os pneus dianteiros Michelin Power Slick terão compostos Macio, Médio e Duro, com reforço no lado direito. Já na traseira, além das opções com carcaça reforçada inspirada no Red Bull Ring, haverá uma terceira alternativa com estrutura diferente, pensada para reduzir a geração de temperatura.

Outro diferencial será a quantidade ampliada de pneus: cada piloto da MotoGP terá mais unidades disponíveis do que em um fim de semana tradicional, além de sessões de treinos mais longas para adaptação ao circuito.
Em caso de chuva — possibilidade real para março em Goiânia — entram em cena os pneus Michelin Power Rain, com compostos específicos para pista molhada.
Freios também entram no limite em Goiânia
Se os pneus já enfrentam condições extremas, o sistema de freios também terá papel decisivo. Segundo a Brembo, o circuito brasileiro recebe nota 4 em uma escala de 1 a 6 em exigência de frenagem, mesmo com apenas sete pontos de freio por volta.
A maioria dessas frenagens apresenta desaceleração de pelo menos 1,3 g, e os pilotos utilizam os freios por cerca de 20 segundos a cada volta.
A curva mais crítica do circuito
O ponto mais desafiador para os freios é logo na primeira curva. Nela, as motos reduzem de 337 km/h para 117 km/h em apenas 4,4 segundos, percorrendo 259 metros sob forte desaceleração.
Durante esse processo, os pilotos da MotoGP aplicam cerca de 5,6 kg de força na alavanca de freio, enquanto o sistema atinge pressão de 12 bar e desaceleração de 1,5 g — números que mostram o nível extremo de exigência.

Tecnologia Brembo: do passado ao presente
A Brembo tem uma longa história na MotoGP e no Brasil. A primeira vitória com seus freios no país aconteceu em 1988, com Eddie Lawson, que venceu com ampla vantagem utilizando discos de 320 mm.
Desde então, a tecnologia evoluiu significativamente. Hoje, os discos de carbono utilizados na MotoGP variam entre 320 mm e 355 mm, dependendo do nível de exigência do circuito. Já nas categorias Moto2 e Moto3, os sistemas Brembo também são padrão.
O destaque brasileiro no cenário mundial
Entre as curiosidades recentes, o Brasil ganhou protagonismo com Diogo Moreira, campeão mundial de Moto2. O piloto utilizou equipamentos com tecnologia Brembo durante sua campanha e já estreou na MotoGP.

Programação do GP do Brasil de MotoGP 2026
A etapa brasileira começa na sexta-feira, 20 de março, com treinos livres. No sábado acontecem as classificações e a corrida Sprint. Já o Grande Prêmio principal, com 31 voltas, será disputado no domingo, 22 de março, às 15h (horário local).
Retorno histórico ao Brasil
A MotoGP volta ao Brasil após mais de duas décadas — a última vez foi em 2004. O autódromo de Goiânia, inaugurado em 1974 e modernizado recentemente, já recebeu corridas entre 1987 e 1989 e agora retorna completamente atualizado para os padrões atuais da categoria.
Com um público apaixonado e um circuito desafiador, o GP do Brasil de 2026 promete não apenas emoção nas pistas, mas também um verdadeiro teste de engenharia para pneus e freios.