Quando o executivo Grady Davis comprou um Ford GT40 em 1966 e adotou o tom azul-pó combinado ao laranja corporativo da Gulf Oil, ele criou sem saber o esquema de cores mais cultuado do esporte a motor. Mais de meio século depois dessa parceria — eternizada pelas vitórias do chassi P/1075 no circuito de Sarthe em 1968 e 1969 —, o famoso visual continua marcando presença nos grids mundiais.
Neste fim de semana, de 9 a 11 de outubro de 2026, os protótipos Aprilia RS-GP da equipe SuperFile Trackhouse MotoGP Team alinharão no GP da Indonésia ostentando a icônica Gulf Livery em homenagem aos 125 anos da gigante do setor de petróleo e combustíveis. A ação se repetirá na etapa da Malásia (30 de outubro a 1º de novembro).

A trajetória da Gulf Livery na temporada 2026 da MotoGP
A presença das cores azul e laranja na temporada de 2026 não é inédita, mas ganha força nesta reta final de campeonato:
- O retorno ao Brasil, em março de 2026: No início da temporada, as motos da Trackhouse já haviam estampado a Gulf Livery durante o GP do Brasil no Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia. O evento marcou o histórico retorno da categoria ao país após 22 anos de ausência.
- GPs da Indonésia e Malásia, em outubro e novembro de 2026: Agora em Mandalika e Sepang, a equipe retoma o visual especial. O circuito indonésio traz boas memórias: em 2025, o piloto Raúl Fernández conquistou um pódio na corrida Sprint no local.
A pintura que é sinônimo de vitórias nas pistas
A dupla da Trackhouse conta com o espanhol Raúl Fernández e o japonês Ai Ogura. O primeiro conquistou em 2025 a primeira vitória da história da equipe na categoria, na Austrália. Já o segundo sagrou-se campeão mundial de Moto2 em 2024 e também faturou sua primeira vitória na MotoGP este ano, no GP da Holanda, na lendária pista de Assen.

O design das motos para as etapas asiáticas resgata elementos diretos do Ford GT40 clássico, como a tipografia do número de competição e a releitura da pintura “Passion”, originalmente criada em 2025 via votação popular dos fãs.
“Temos orgulho da nossa história e fazia sentido buscar nessa trajetória a inspiração para celebrar os 125 anos da marca”, afirma Mike Jones, CEO da Gulf Oil International UK Limited.
Para Justin Marks, fundador da Trackhouse, carregar essa herança é um privilégio: “Cresci ouvindo histórias sobre as grandes disputas em Le Mans nas décadas de 1960 e 1970. Ver essa referência nas motos da Trackhouse traz um pouco desse passado para a MotoGP.”

Em resumo, quase seis décadas após a estreia no circuito de Le Mans, o legado nascido no Ford GT40 provou que continua vivo, conectando o passado lendário sobre quatro rodas ao presente acelerado da MotoGP em 2026.
