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Gigante chinesa da mobilidade elétrica, AIMA prepara ofensiva no Brasil

  • Publicado: 07/06/2026
  • 6 Minutos de leitura

A mobilidade elétrica ainda engatinha no Brasil, mas uma das maiores fabricantes do setor no mundo já trabalha para ampliar sua presença no país. Líder chinesa em veículos elétricos de duas rodas desde 2011, a AIMA revelou à MOTOCICLISMO seus planos para o mercado brasileiro durante uma visita exclusiva a uma de suas fábricas, localizada em Tianjin, na China.

Os números ajudam a dimensionar o tamanho da empresa. Segundo dados apresentados pela própria fabricante, a operação produziu 11,56 milhões de veículos em 2025. Desse total, 10,95 milhões foram modelos elétricos de duas rodas, incluindo 8,33 milhões de bicicletas elétricas e 2,62 milhões de motocicletas elétricas. A produção também incluiu mais de 607 mil triciclos elétricos no período.

Fundada em 1999, a AIMA iniciou suas atividades produzindo bicicletas e ingressou no segmento de motos elétricas em 2005. Atualmente, está presente em mais de 80 países, possui cerca de 100 milhões de usuários acumulados, mais de 9 mil funcionários, 11 bases produtivas e mais de 900 patentes registradas.

Visita revela operação muito além das scooters elétricas

Durante a visita à unidade de Tianjin, a reportagem acompanhou diferentes etapas do processo produtivo. Ao contrário do que acontece com diversas marcas que atuam apenas como montadoras, a AIMA participa diretamente da fabricação de componentes estruturais dos veículos.

A empresa produz internamente chassis, estruturas metálicas e até mesmo as carenagens utilizadas em seus modelos. Máquinas realizam processos de estampagem, conformação e soldagem, enquanto operadores acompanham as etapas consideradas críticas para garantir os padrões de qualidade.

Outro destaque são os laboratórios de validação. Componentes e veículos completos passam por testes de durabilidade, resistência estrutural e exposição a condições severas de uso antes de chegarem ao mercado.

A planta visitada em Tianjin possui capacidade produtiva para milhões de unidades por ano e ajuda a explicar como a companhia alcançou a liderança do mercado chinês.

Reconhecimento internacional reforça estratégia da marca

O crescimento da AIMA nos últimos anos também vem sendo acompanhado por uma série de reconhecimentos internacionais. A fabricante acumula premiações em importantes concursos de design e inovação, incluindo conquistas no TITAN Awards 2024, no NY Product Design Awards 2024 e no French Design Awards 2024.

Além disso, a consultoria internacional Frost & Sullivan reconheceu a empresa como líder global no segmento de veículos elétricos de duas rodas em volume de vendas. O reconhecimento reforça a posição da companhia como uma das principais referências mundiais em mobilidade elétrica e ajuda a explicar a ambição dos planos anunciados para o mercado brasileiro.

A busca por unir tecnologia, design e mobilidade sustentável aparece, inclusive, como um dos pilares da estratégia global apresentada pelos executivos durante a visita da MOTOCICLISMO à sede da fabricante, em Tianjin.

Fábrica no Brasil entra no radar da AIMA para 2027

A principal novidade revelada durante a entrevista com Gao Hui, presidente da divisão global da AIMA, foi a intenção de iniciar uma operação fabril no Brasil por volta de 2027.

Segundo o executivo, os trabalhos preliminares já começaram e fazem parte de uma estratégia global de longo prazo da companhia.

“Nós já iniciamos os trabalhos preliminares de planejamento e preparação”, afirmou.

O presidente da divisão global da AIMA, Gao Hui – Foto: Divulgação

A futura operação deverá ser conduzida pela própria AIMA, embora a fabricante também pretenda estabelecer parcerias com fornecedores locais e empresas brasileiras.

A localização da unidade ainda não foi oficialmente definida. Fontes ligadas ao projeto apontam que Manaus e São Paulo aparecem entre as possibilidades estudadas, mas as discussões seguem em estágio inicial.

Nos bastidores, existe a expectativa de que uma futura fábrica brasileira possa atender não apenas o mercado nacional, mas também outros países da América do Sul.

Produtos desenvolvidos para o consumidor brasileiro

De acordo com Gao Hui, a estratégia da AIMA para o Brasil não passa pela simples importação dos modelos vendidos na China.

A empresa pretende desenvolver produtos adaptados às necessidades do consumidor brasileiro, levando em consideração fatores como regulamentação, autonomia, infraestrutura e condições de uso.

Cada linha de produção da AIMA em Tianjin consegue fabricar 1.000 unidades por dia – Foto: Divulgação

“Nós faremos pesquisas e desenvolvimento localizados e específicos voltados para o mercado brasileiro, desenvolvendo produtos exclusivos para lá”, explicou o executivo.

A primeira fase da operação deverá priorizar veículos elétricos de baixa velocidade, categoria que reúne modelos voltados à mobilidade urbana. Em uma segunda etapa, a empresa pretende ampliar sua atuação com motocicletas elétricas de média e alta velocidade.

Conheça os modelos que a AIMA já vende no Brasil

Enquanto os planos industriais avançam, a marca segue ampliando seu portfólio nacional. Atualmente, a AIMA comercializa diferentes scooters e ciclomotores elétricos voltados para perfis variados de uso.

Entre os destaques estão os modelos Liberty, Kmay, Bliss, Santa Monica, Mike, X6, Kuyan Litio, Mini Kuyan, Klitio Pro e Big Sur Sport. A linha inclui opções focadas em mobilidade urbana, transporte diário, uso corporativo e aplicações de carga.

X6 é a primeira moto elétrica do portfólio da AIMA no Brasil – Foto: Thiago Dantas

Tecnologia, conectividade e inteligência artificial

Durante as apresentações realizadas em Tianjin, os executivos reforçaram diversas vezes que a AIMA pretende ser reconhecida como uma empresa de tecnologia, e não apenas como uma fabricante de veículos elétricos.

Entre os projetos em desenvolvimento estão sistemas de conectividade com smartphones, diagnósticos remotos, integração com inteligência artificial e recursos voltados à segurança dos usuários.

A empresa também trabalha em soluções que permitam assistência técnica remota, monitoramento dos veículos por aplicativos e integração cada vez maior entre motocicleta e ambiente digital.

Outro foco está nas baterias. A companhia busca aumentar a autonomia dos veículos e reduzir os tempos de carregamento por meio de novas tecnologias desenvolvidas em conjunto com parceiros especializados.

Meta é chegar a mil pontos de venda AIMA no Brasil

A expansão comercial também faz parte dos planos da fabricante para o Brasil.

Atualmente, a AIMA já conta com operações distribuídas por diversos estados brasileiros por meio de revendedores especializados e parceiros multimarcas. Durante a entrevista, Gao Hui revelou que a meta de longo prazo é alcançar entre 500 e 1.000 pontos de venda e atendimento em todo o país nos próximos três a cinco anos.

Executivos brasileiros em visita a showroom da AIMA na China – Foto: Divulgação

Fontes ligadas à operação nacional afirmam ainda que a empresa trabalha para ampliar significativamente o número de lojas dedicadas à marca até o final de 2026.

Muito além de uma fabricante de scooters

Ao final da visita, fica claro que a estratégia da AIMA para o Brasil vai muito além da simples importação de scooters elétricas.

A empresa trabalha simultaneamente em expansão comercial, desenvolvimento tecnológico, adaptação de produtos, reciclagem de baterias e estudos para produção nacional.

Ainda é cedo para saber se a companhia conseguirá repetir no Brasil o mesmo sucesso alcançado na China. Mas uma coisa parece certa: a maior fabricante chinesa de veículos elétricos de duas rodas está olhando para o mercado brasileiro com atenção cada vez maior.

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