Triumph Street Triple RS é revolução entre as nakeds

Autor: Carlos Bazela


A primeira geração da Triumph Street Triple é de 2007 e, a segunda, (a que tínhamos no Brasil) estreou em 2013 e fez muito sucesso por aqui. Mas ela mudou e nós tivemos a oportunidade de provar a terceira geração da naked tricilíndrica inglesa, que chegou em setembro ao País. Na Europa, são três versões: S, que é a mais simples, a R, intermediária, e a RS, completíssima. Por questões comerciais, para o mercado brasileiro a marca optou por trazer os dois extremos — S e RS.

A moto é praticamente toda nova. O destaque é seu motor tricilíndrico em linha de 765 cm³, que será utilizado a partir de 2019 no Mundial de Motovelocidade, na categoria Moto2. Criado com base no motor 675 da geração anterior, tem mais de 80 modificações, entre elas, claro, aumento no curso e diâmetro dos pistões. Na versão RS, que tivemos a oportunidade de provar na estrada, o tricilíndrico rende eletrizantes 123 cv de potência máxima para 166 kg de peso (seco) da moto. O alto torque também contribui para as sensações esportivas: são 7,85 kgf.m a quase 11 000 rpm.

A moto ganhou acelerador eletrônico, o que melhora o gerenciamento do motor, que agora conta com cinco modos de pilotagem na RS: Road, Rain, Sport, Track e Rider, que é programável a gosto do motociclista. O freio ABS tem três níveis de ajuste de sensibilidade (Road, Track e desligado), enquanto o controle de tração tem quatro níveis de atuação (Road, Rain, Track e desligado). Tudo para permitir um melhor ajuste da eletrônica, por exemplo, para andar forte em um autódromo. O quickshifter, que permite trocas de marcha sem o uso da embreagem (acima de 2 500 rpm e apenas para trocas ascendentes) vêm de série na RS e é opcional na S. O câmbio de seis velocidades ainda tem embreagem deslizante — evitando travamento da roda em reduções de marcha bruscas — e assistida, o que aliviou o esforço no acionamento pelo manete em 30%, quando comparado à geração anterior.

Para segurar todo esse desempenho, a Street Triple RS vem equipada com os ótimos pneus Pirelli Diablo Supercorsa RS e um poderoso sistema de freios Brembo, com ABS, claro. Na frente, pinças radiais M50 e bomba radial MCS 19.21, que tem no manete, além do ajuste de altura, também regulagem de pressão, permitindo que você deixe a sensibilidade do freio dianteiro a seu gosto, mais “bruto” ou mais progressivo, algo inédito em uma moto dessa categoria. Para equilibrar esses poderes de aceleração e frenagem, o alto nível segue nas suspensões, sendo Showa na frente, totalmente regulável, e Öhlins na traseira. Curiosidade: o monoamortecedor STX40 tem ajuste em três vias (pré-carga, compressão e retorno), mas a Triumph indica não alterar o ajuste de fábrica da pré-carga, alegando ser o melhor possível para qualquer uso.

Nosso primeiro contato com ela foi saindo da capital paulista, com destino a Campos do Jordão, porém, em um diversificado percurso, com cerca de 500 km no total, alternando entre vias urbanas, longas retas e trechos repletos de curvas… Onde mais gostamos de estar com a RS.

A moto é realmente espetacular e o alto nível do seu conjunto torna a pilotagem empolgante. No teste, navegamos pelo moderninho painel TFT (apanhamos um pouco para achar o joystick no punho esquerdo, acionando a seta algumas vezes) e testamos os diferentes modos de pilotagem. Na prática, a diferença mais nítida se dá no modo Rain (Chuva), que deixa as respostas do acelerador mais “mansas”. A iluminação à noite é bem eficiente e a luz de condução diurna (DRL) em LED é um charme à parte no farol duplo. Com tanta eletrônica, é fácil andar rápido com essa 765. E v er o velocímetro subindo de forma veloz enquanto trocamos as marchas sem precisar da embreagem, graças ao quickshifter, é viciante.

A 8 000 rpm seu ronco já é encantador, mas acima de 9 000 rotações ele arrepia! A moto é leve e muito ágil na mudança de direções, acelera realmente rápido — empina fácil sem uso da embreagem, mas a eletrônica segura —, e as igualmente robustas suspensões (das quais não alteramos a regulagem de fábrica) garantem segurança e total estabilidade em qualquer situação. A sensação é de que a moto está sempre na sua mão, e sempre pedindo para ir mais rápido.

Para uma moto que é praticamente uma esportiva, com pedaleiras recuadas e posição de pilotagem curvada para frente, o nível de conforto é bem satisfatório, permitindo rodar bastante sem cansar. Não tem jeito, para explorar todo o potencial
da RS, vista o macacão e vá para algum circuito fechado. E não precisa fazer nenhuma modificação, pois o conjunto da RS vai bem na pista também. As novas Street Triple RS e S — versão mais acessível, cujo teste de 1 000 quilômetros você encontra na MOTOCICLISMO 240, que está nas bancas – já estão à venda.

Se o fator prazer ao pilotar contar na hora da compra, a RS com certeza vai vender mais, e com tudo que oferece redefine o termo “moto premium”. A nova Street Triple 765 é o triunfo da engenharia na busca por uma moto espetacular em todos os sentidos, para quem é fã de adrenalina no asfalto. Acreditamos que, dentro da marca ela vai “roubar” clientes da Speed Triple R, pois seu conjunto garante uma performance similar, porém é mais leve, mais ágil, fácil de pilotar e gastando menos! Para quem espera por uma Daytona 765que pode vir mais cedo do que se imagina -, só falta pôr semiguidão e carenagem na Street Triple RS e lançar. Não falta nada para dar show nas pistas.

Texto: Marcelo Barros

Fotos: Gustavo Epifanio / Triumph


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