Triumph Street Scrambler, a diferentona

Autor: Marcelo Barros


Lançada no Salão de Milão, a Street Scrambler segue a tendência das motos com visual clássico e tecnologia bem atual. Bonita é, mas agora te contamos o resto!

Fotos: Gustavo Epifanio

Após o teste da Bobber, na edição passada, completamos a safra inglesa de ‘clássicas modernas’ com a avaliação da Triumph Stre­­­­­et Scrambler,derivada da eficiente Street Twin. Na Triumph, ela sucede a Scrambler, que era derivada da Bonneville com motor de 865 cm³, arrefecida a ar, que todo mundo lembra por três detalhes: era pesada e não tão ágil, o escapamento esquentava bem a perna e era linda. Esse modelo nunca foi lançado aqui, e quem queria ter essa moto tinha que comprar por importação direta.

Comparando com a antiga Scrambler, a nova é mais ‘jovem’ visualmente, melhor resolvida, mais leve, mais ágil e tem melhor desempenho das suspensões e freios. Usando a antiga Scrambler como referência, sim, temos evolução. Ela pode ser utilizada em duas configurações: com assento e pedaleiras do garupa ou com um bagageiro e sem as pedaleiras, com banco monoposto. Com três parafusos de fixação do bagageiro ou assento do garupa, mais quatro (dois de cada lado) das pedaleiras, você facilmente muda a configuração da moto, o que achamos bem interessante. O melhor: não é um acessório, você recebe tudo com a moto e usa como preferir, sem custo extra. Recebemos a moto sem a garupa, configuração que você vê nas fotos publicadas aqui, e que combina mais com a essência das scrambler, mas também rodamos com o assento, para conferir como é a vida do passageiro. Basicamente, é uma moto para andar sozinho ou levar esporadicamente alguém na garupa, pois é pequeno e pouco confortável.

Com impecável acabamento, é vendida por R$ 41 990, R$ 2 000 acima da Street Twin, e se diferencia pelo escapamento de saída dupla, na lateral direita da moto, protetor de cárter, rodas raiadas com pneu de uso misto, guidão mais largo (831 mm, o que atrapalhou em alguns momentos no uso urbano, mais pelo pouco esterçamento do que pela largura), setas com haste flexível e acerto mais ‘macio’ das suspensões, que tem os mesmos 120 mm de curso da Street Twin.

Ela usa roda aro 19” na dianteira, e a geometria mudou, com mais trail e cáster (109 mm e 25,6º), melhorando sua estabilidade em alta velocidade (o entre-eixos é 31 mm maior), mas comprometendo sua capacidade de fazer curvas tão bem quanto a Street Twin. Pensando no uso na terra, a Scrambler tem ABS e controle de tração comutáveis. No caso do sistema antibloqueio, ele desativa apenas a roda traseira, mantendo a atuação na dianteira, o que não interfere na pilotagem. Um porém nessa condição são seus 206 kg, que comprometem sua agilidade e as respostas na terra, onde uma moto mais leve tornaria a pilotagem mais Scrambler, ou melhor, mais divertida.

Scrambler, a pioneira do off-road. Afinal, de onde surgiram essas tais Scrambler? Diferente do que temos hoje, no passado, não existiam motos tão diversificadas. Basicamente, todas eram naked, e seus proprietários as adaptavam conforme a necessidade. Tiravam tudo o que podiam e preparavam seus motores para correr nas ruas ou colocavam guidão mais largo, pneus de off-road e um escapamento mais alto e iam andar na terra, o que hoje é o enduro.

A Triumph foi nitidamente pensada para uma pilotagem mais tranquila e fácil, mas ainda assim não consideramos que possa ser a primeira moto de alguém. O motor bicilíndrico é bem linear e, em baixas rotações, entrega mais torque do que potência, lembrando o comportamento de motores de motos custom. Mas se provocado, o desempenho é fantástico. O câmbio de cinco velocidades tem a primeira longa e as outras marchas curtas e sentimos falta de uma sexta marcha, para reduzir a vibração do motor em estrada. Em quinta, a 120 km/h, são 4 000 rpm com o painel indicando média de 23 km/l. Aliás, se na estrada não se nota o calor do escapamento e do eletroventilador do radiador nas pernas, bastou cruzar a famosa Avenida Paulista para ficar bem incomodado com isso.

A Street Scrambler é linda, mas esperávamos uma dinâmica mais ágil por sua proposta de versatilidade, ao contrário da Bobber, que ‘enganou’ no visual, nos surpreendendo na prática.Após o teste da Bobber, na edição passada, completamos a safra inglesa de ‘clássicas modernas’ com a avaliação da Triumph Stre­­­­­et Scrambler,derivada da eficiente Street Twin. Na Triumph, ela sucede a Scrambler, que era derivada da Bonneville com motor de 865 cm³, arrefecida a ar, que todo mundo lembra por três detalhes: era pesada e não tão ágil, o escapamento esquentava bem a perna e era linda. Esse modelo nunca foi lançado aqui, e quem queria ter essa moto tinha que comprar por importação direta.

CONCLUSÃO. O visual sem dúvidas chama atenção por onde passa e essa mistura de naked e trail antiga pode agradar alguns motociclistas. Na terra, com controle de tração desligado, a diversão é grande, mas seu peso elevado para a proposta a torna limitada para derrapadas e pulos, sem o domínio pleno das técnicas de pilotagem. O calor vindo do escapamento incomoda tanto piloto quanto garupa, que sofre no assento pequeno, mas a falha mesmo é o calor alto que é jogado nas pernas pelo eletroventilador. Um defletor jogando esse ar para baixo resolveria. No fim, ela é mais beleza do que funcionalidade.

 


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