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Testamos a Honda CG 160 Fan, a mais vendida do Brasil

Autor: Marcelo Barros


Como entender o mercado de motos brasileiro, em que a Honda lidera em vendas com imensa folga sobre a segunda marca (Yamaha), diferença que não existe em nenhum outro lugar do planeta? O começo dessa saga de sucesso no Brasil se mistura com a história da CG, que chegou em 1976 com a primeira geração, carburada, com motor de 125 cm³.

Mais de 40 anos depois e muita coisa mudou, tanto no Brasil, quanto na própria CG e – por que não? – na Honda, que construiu nesse tempo um verdadeiro império, com seu forte consórcio e uma rede de concessionárias que cobre praticamente todo o território brasileiro. A CG está em sua nona geração, com duas 125i (Fan e Cargo) e quatro 160 (Start, Cargo, Fan e Titan). Dessas versões, a mais vendida no Brasil é a CG 160 Fan. 

A última atualização dessa moto foi em setembro de 2017, quando ganhou nova suspensão dianteira Showa, com conceito assimétrico, batizada de SFF (Separate Function Fork). No lado direito tem um circuito hidráulico (o amortecedor) e no lado esquerdo, a mola, que retém os impactos. Sua adoção na CG gerou melhorias na estabilidade da moto e mais precisão nas mudanças de direção. Outra novidade foi o sistema de freio combinado (CBS), que desde 2014 já equipava a versão mais completa, a Titan, aumentando a segurança nas frenagens emergenciais.

Aliás, as diferenças da Fan para a Titan são carenagens do tanque, desenho das rodas, painel, alça do garupa e o pneu traseiro, que na Titan é maior (100/80 contra o 90/90 da Fan), mas do mesmo modelo, o ótimo Pirelli City Dragon. Então, na primeira troca, o motociclista já pode, se desejar, trocar a medida original da Fan pelo da Titan e terá uma diferença a menos sobre a versão completa da CG. Na prática, além do pneu, essas diferenças são “perfumaria”, o que justifica a maior preferência de compra pela Fan e não pela Titan, uma diferença suficiente para pagar toda a documentação da Fan 0 km e ainda sobrar dinheiro!

Com a moto em mãos, conferimos como seu visual está harmonioso, com acabamento sem ressalvas e como é popular, pois dividimos espaço nas ruas com muitas Fan iguais a do teste. No trânsito, com 739 mm de largura, ela flui como água entre os carros, com boas respostas do motor nas retomadas. Minha primeira moto foi uma Honda CG 1997 e hoje ela segue com a mesma facilidade de pilotar, mas com mais beleza, desempenho e segurança.

O painel digital com conta-giros ajuda a buscar melhor rendimento, mantendo a moto na zona de rpm de maior torque e potência — pela nossa medição no dinamômetro, entre 5 000 e 7 310 rpm. Para quem quer economizar no consumo, o mesmo conta-giros serve para monitorar se você não está pesando a mão no acelerador. Andando dentro da cidade, sem garupa, poucas vezes passamos dos 5 000 rpm.

O câmbio é preciso e com engates suaves. A 50 km/h, em quarta marcha, o motor trabalha em 4 000 rpm e nossa medição de consumo com a Fan foi de 48,6 km/l com gasolina, média ótima, mas não é difícil superar a casa de 50 km/l de consumo, um diferencial da CG em tempo de aumentos sucessivos no preço da gasolina. Quanto menor o consumo, menor o gasto. Lembrando que o motor de 162,7 cm³ é alimentado com injeção eletrônica flex, ou seja, usa gasolina e/ou etanol em qualquer proporção.

Com garupa, foi preciso ajustar a suspensão traseira, enrijecendo ao máximo a pré-carga da mola, pois no ajuste macio deu fim de curso nos primeiros quilômetros — são 5 níveis de ajuste que mudam bem o comportamento da moto. Assim, a moto manteve-se estável, tanto no zigue-zague dentro dos corredores formados pelos carros parados no trânsito quanto em curvas, com mais estabilidade. Se quer uma dica sobre a Fan é esta: a primeira coisa é endurecer a pré-carga; deixe no mais duro e seja feliz. Com passageiro, o rendimento cai um pouco, principalmente em subidas, mas nada que a desabone. Na sua faixa de cilindrada, é a com melhor desempenho hoje.

Mas o que poderia ser melhor no veículo mais vendido do Brasil? Esperamos ver freio a disco na traseira, assim como os botões de corta-corrente e do lampejador do farol nos punhos, algo de que sentimos falta sempre que testamos a CG. Ela custa R$ 9.035 (sem frete, preço de julho de 2018) e além da robustez já comprovada, a moto tem três anos de garantia. A CG continua sendo uma boa opção para entrar no mundo das motos e vai formar ainda muitos novos motociclistas.

CONCLUSÃO
Um amigo motojornalista sempre me disse que é mais fácil testar uma moto de alta cilindrada, do que uma de baixa, como a CG. Concordo, pois é preciso entender o seu real propósito e ter cuidado para não se perder procurando pelo em ovo. A Honda vem evoluindo a CG passo a passo, pensando no que realmente importa: o motociclista. Ela é 100% razão, pensada para mobilidade, mas evoluiu tanto que ficou atrativa também para quem deseja apenas dar uma volta pela cidade no domingo. Fácil de pilotar, confortável, segura e com baixo custo para usar e manter, é justificável ser a moto mais vendida.

Fotos: Renato Durães

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