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Kawasaki Ninja 650: o segundo passo da família

Autor: Carlos Bazela


Kawasaki, Ninja, Ninja 650, esportiva, viagem, teste, Superteste, 1000 quilômetros, ZX, moto, motos, Motociclismo, Revista Motociclismo, Motociclismo Online, Z650, Intermot, Salão de Colônia, AlemanhaO calor forte de janeiro e o trânsito mais congestionado que o normal, pelo pessoal aproveitando as férias no litoral norte de São Paulo, eram sinais de que teríamos mais trabalho que o normal para realizar nosso variado e rigoroso percurso de 1 000 quilômetros em dois dias. Mas nada disso pode interferir na qualidade do teste da moto do mês, que é a nova Ninja 650, esportiva de média cilindrada da Kawasaki, marca que completa dez anos de Brasil em 2018.

Nosso primeiro encontro com esta japonesa foi em outubro de 2016, quando foi revelada ao mundo na Alemanha — no bienal Intermot — e que reforça a linha de motos da Kawasaki no Brasil. Em comparação à geração anterior da Ninja 650, mudou praticamente tudo, mas não vamos enfocar aqui um comparativo entre gerações, apenas pontuar alguns detalhes. Para quem hoje possui a Ninja 650 antecessora e está satisfeito, podemos afirmar que vale muito trocá-la pela atual, pois melhorou muito e você ficará ainda mais feliz. Basicamente, está muito mais bonita, ágil e prazerosa de pilotar. Continua sendo uma moto para uso no dia a dia e também nas estradas, onde sobra motor. Quem pensa em tempo de volta andando em autódromo, sim, poderá sentir falta de mais desempenho — claro, falando da moto original, sem preparação —, mas a Ninja 650 não tem essa pretensão. Para isso existe a ZX-10R.

Kawasaki, Ninja, Ninja 650, esportiva, viagem, teste, Superteste, 1000 quilômetros, ZX, moto, motos, Motociclismo, Revista Motociclismo, Motociclismo Online, Z650, Intermot, Salão de Colônia, AlemanhaAinda que seja algo subjetivo, não dá para negar que o novo visual fez muito bem ao modelo, principalmente quando ela traz a tradicional cor verde da marca. Para o teste, usamos uma preta — a única disponível —, que mesmo assim atraiu olhares por onde passou. A nova frente, com uma pitada de ZX-10R, ficou realmente atrativa, dando a sensação de que estamos diante de uma legítima superbike. Conferindo alguns dados antes de ir para a estrada, vi que a largura e a altura do assento são os mesmos da Honda CG, uma moto urbana pensada para ser prática. Sinal de que me daria bem com essa esportiva também na cidade, o que pudemos comprovar logo nos primeiros quilômetros do teste. Ela percorre com facilidade a grande maioria dos corredores. Só naqueles superapertados é que os proeminentes retrovisores — que estão fixos na carenagem e não no guidão — exigem mais atenção para não esbarrarmos em nada. Em corredores médios, siga tranquilo, mas quando à sua frente você notar uma moto pequena parando e fazendo manobra para passar, vá para trás dos carros e espere o corredor abrir novamente.

O antigo guidão inteiro deu lugar a semiguidões — mais uma mudança para reforçar o apelo esportivo —, e os manetes têm ajuste de distância. Se você está acostumado a parar a moto, girar o guidão até o batente e virar a chave até o limite acreditando que travou a moto, cuidado. A última posição da chave no sentido anti-horário habilita o uso das setas (o que nos permite deixar o pisca-alerta ligado sem precisar deixar a chave na moto), um recurso bem útil, mas cuidado para não esquecer a moto com a seta ligada porque ela vai ficar lá, piscando, até você voltar. Aconteceu conosco no primeiro dia de uso. O acabamento geral é muito bom, mas pena que a Kawasaki não se preocupou em esconder os parafusos que prendem a carenagem integral, como, por exemplo, faz a Honda. Se ao menos os parafusos fossem pintados de preto, e não de cinza, passariam despercebidos para muitos, provavelmente.

Kawasaki, Ninja, Ninja 650, esportiva, viagem, teste, Superteste, 1000 quilômetros, ZX, moto, motos, Motociclismo, Revista Motociclismo, Motociclismo Online, Z650, Intermot, Salão de Colônia, AlemanhaAntes de iniciar o percurso oficial, abastecimento e calibragem dos pneus, momento em que sentimos falta do bico de ar em ângulo de 90° já que os grandes discos dianteiros de 300 mm (os mesmos da geração anterior) atrapalham a tarefa de encaixar a mangueira de ar no bico. Um detalhe, mas que já é esperado em uma moto de R$ 34 000. As pinças Nissin são novas e, agora, o ABS é de série. Como em quase toda moto da marca, a sensação de pilotá-la é muito boa. É realmente impressionante como a Kawasaki consegue transmitir isso para o motociclista em suas motos…  E não vamos negar que o “Ninja” no tanque faz até a nossa autoestima se elevar. Acredite, isso faz diferença para muita gente na hora de escolher qual moto comprar.

No primeiro trecho do teste, tudo muito tranquilo já que sobra moto em todos os sentidos. Freia muito bem e, quando provocada, a velocidade sobe rápido. Um instante de descuido e você fatalmente estará acima do limite de velocidade permitido. Manter os baixíssimos 40 km/h no trecho de Bertioga, já no litoral, é quase um martírio para uma moto como a Ninja. Não porque ela seja arisca demais ou não funcione com suavidade andando devagar, mas, por ser tão gostoso sentir o seu bicilíndrico subindo de giro (e ele faz isso tão bem), nós ficamos constantemente instigados a acelerá-lo. Mas, quando o palco dos testes são as vias públicas, são esses limites que trabalhamos e respeitamos. Em uma pista fechada, onde não há pedestres, cachorros, óleo no asfalto, motoristas negligentes e radares, tudo muda.

Kawasaki, Ninja, Ninja 650, esportiva, viagem, teste, Superteste, 1000 quilômetros, ZX, moto, motos, Motociclismo, Revista Motociclismo, Motociclismo Online, Z650, Intermot, Salão de Colônia, AlemanhaO painel é novo, e é diferente do usado na Z650. Ele é derivado do que equipa a Ninja 1000, com um grande conta-giros dividindo espaço com um display digital rico em informações e com visual “blackout”, que garante ótima visualização, mesmo quando o sol bate direto no painel. Gostamos bastante dele e, mais uma vez, atestamos como contar com um painel bonito, funcional e de boa leitura aumenta o prazer ao pilotar. Além do útil indicador de marchas, encontramos ainda um sempre bem-vindo shift-light, que pode ser ajustado para indicar a troca de marcha entre 5 000 e 10 000 rpm (com intervalos de ajuste de 250 rpm). Durante o teste, deixamos o da “nossa” Ninja em 6 500 rpm, rotação na qual, segundo a Kawasaki, chega o torque máximo de 6,7 kgf.m. No dinamômetro, encontramos 5,74 kgf.m a 6 780 rpm, enquanto, no que se refere à potência máxima, o nosso equipamento indicou (sempre medidos na roda) um pico de 58 cavalos a 7 940 rpm.

Falando sobre o desempenho, na prática, a Ninja 650 parece ter mais que a frieza dos números indica. Um dos mottivos seguramente é a redução de peso da moto sobre a antecessora, que chegou a nada desprezíveis 19 kg. Aliás, a moto de 2018 perdeu 4 cv de potência com relação a de 2017 (68 cv da 2018 contra 72,1 cv da 2017), só que agora tanto a potência quanto o torque máximos chegam 500 rpm mais cedo que no modelo anterior. Isso aumenta a sensação de desempenho do modelo, dando mais prazer à pilotagem para o motociclista.

Kawasaki, Ninja, Ninja 650, esportiva, viagem, teste, Superteste, 1000 quilômetros, ZX, moto, motos, Motociclismo, Revista Motociclismo, Motociclismo Online, Z650, Intermot, Salão de Colônia, AlemanhaNo nosso percurso, além das variações de altitude, temos uma infinita gama de curvas, de todos os tipos. No trecho mais sinuoso, entre Campos do Jordão e São José dos Campos, quando buscamos percorrer as curvas com mais velocidade, sentimos a necessidade de um pneu com mais aderência que o Dunlop Sportmax D214 que equipa esta Ninja. A suspensão traseira nesse trecho também pedia um endurecimento da pré-carga da mola, porém, na Ninja, esse ajuste fica inacessível se não tivermos ferramentas para desmontar a lateral da moto. Poderia ser algo mais prático, como um manípulo, disponível na Ninja 1000. Falando em desmontar, o jogo de ferramentas fica sob o assento do garupa, assento pouco confortável, como em toda esportiva. Para “ajudar” a vida do esporádico passageiro, a rabeta não tem nem vincos para ele se segurar. Só resta ao passageiro grudar no piloto e acreditar! Não vemos maior prova de amor do que fazer uma viagem nessa garupa. Os acessórios originais (importados) são tomada 12V no painel, sliders para proteger carenagens e motor, protetor do radiador e para-brisa mais alto.

Kawasaki, Ninja, Ninja 650, esportiva, viagem, teste, Superteste, 1000 quilômetros, ZX, moto, motos, Motociclismo, Revista Motociclismo, Motociclismo Online, Z650, Intermot, Salão de Colônia, AlemanhaNo último trecho do teste, voltamos ao “problema” do início da viagem. Na reta quase infinita que é a Rodovia dos Bandeirantes é preciso muito autocontrole para manter a Ninja 650 dentro do limite da via. A 120 km/h em sexta marcha, o motor está a cerca de 5 500 rpm. Coincidentemente, é acima dessa rotação que o ronco do motor fica mais encorpado, grave e empolgante. No painel, a informação de consumo instantâneo (ele também informa a média) marcava 23 km/l. A máxima dela fica em torno de 190 km/h, ou seja, mesmo que não suba rápido, é possível curtir um dia na pista, sem grandes ambições.

Ela melhorou muito, mas não espere uma moto campeã na pista, para isso a Kawasaki tem a família ZX. Esta 650 é muito mais alinhada com o que oferece a Ninja 300 do que qualquer outra coisa. Para seu propósito, podemos afirmar: é um tiro certeiro. Resta a marca trabalhar bem o modelo. Test ride, mais concessionárias e bons preços de pós-venda são o caminho. As motos Kawasaki merecem.

Conclusão:

Que bela atualização a 650 da família Ninja ganhou. O visual ficou matador e o conjunto, muito melhor! Durante a viagem-teste, minha cabeça martelava o quanto ela lembra a ótima Ninja 300, só que com mais desempenho. É ágil, com boas médias de consumo e prazerosa de pilotar. Quem tem uma 300 vai ficar realizado com esta 650. Para os fãs de track-day, vale lembrar que ela não tem ajustes nas suspensões, item essencial para alguns, além de precisar de melhoria dos freios e pneus para render mais. Na estrada, não deve nada, mesmo original. Como diferencial, ela traz o DNA Ninja, um legado de respeito.

Texto: Marcelo Barros
Fotos: Renato Durães

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