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Honda CB 650F é sinfonia em quatro cilindros

Autor: Carlos Bazela


Texto: Marcelo Barros
Fotos: Gustavo Epifanio

Para se manter competitiva, a Honda renovou sua linha 650, com a qual tivemos um rápido contato na pista do Circuito dos Cristais — matéria publicada na edição de novembro (239) —, onde notamos que a CB 650F foi a que mais evoluiu com as melhorias. Seu design, revisto, a deixou alinhada às atuais concorrentes, com destaque para o novo farol, todo em LED, o qual, além de aumentar a segurança na pilotagem noturna, iluminando mais, ganhou linhas futuristas. As carenagens laterais também mudaram, reforçando o visual moderno da CB 650F.

Na ergonomia, uma posição de pilotagem típica de motos naked com DNA esportivo. O guidão está mais avançado e baixo que na CB 2017, deixando o piloto levemente inclinado, o suficiente para ter a sensação de estar em uma moto mais esportiva, mas sem perder o conforto. Gostamos! Para quem sonha com as poderosas motos de 1 000 cm³, a CB 650F funciona muito bem como “porta de entrada”, com porte equivalente, mas com desempenho menos radical, mas, ainda assim, que diverte e empolga bastante e, claro, custando menos — um dos seus pontos fortes!

O motor de quatro cilindros com 649 cm³ tem som bonito e instigante. Sem dúvida, não é uma moto para tímidos, pois no teste urbano o visual (ainda mais nesta cor azul) e o ronco do motor nos faziam o centro das atenções. Além disso, não foi raro crianças pedirem para “assumir o comando”, quando parado no semáforo, para acelerar a moto — elas queriam ouvir a hipnótica sinfonia do motor em alta! A todo momento essa CB nos convida a subir rápido as rotações, sensação reforçada pelo novo câmbio, com engates mais precisos e primeira marcha longa, enquanto a segunda até a sexta são curtas. Esse recurso aumenta ainda mais a sensação de desempenho, mas cuidado na empolgação, pois o abuso no acelerador pode render multas.

Ela entrega a potência de forma bem linear. Mudanças no motor geraram mais 1,5 cv na potência máxima (88,5 cv declarados e 76 cv no nosso dinamômetro), um aumento que ficou por conta da reprogramação do módulo da injeção, devido à nova ponteira de escapamento.

Os dutos de admissão de ar aumentaram 1 mm no diâmetro para melhorar a admissão do motor. Para ser mais preciso, ao comparar as curvas de potência e torque da 2017 com a 2018 avaliada, ela ganhou potência e torque de 3 000 a 6 000 rpm e entre 9 500 e 11 800 rpm. O aumento do desempenho em baixas rotações é notado e é útil no uso urbano, onde — após nos acostumarmos ao seu porte — ela impressiona pela agilidade, inclusive nos estreitos corredores. São apenas 784 mm de largura. Gostaríamos de um novo painel e de flexíveis de malha de aço, o que aumentaria a eficiência dos freios, que têm boa modulação do ABS, disco duplo na frente (320 mm) e disco de 240 mm atrás, ambos com pinças Nissin.

O lugar ideal para aproveitar melhor o desempenho da CB 650F é a estrada. Não deixe de ir com ela para algum autódromo, aprimorar sua pilotagem e sentir tudo que esta naked oferece, com segurança. Quanto mais curvas pelo caminho, mais você vai curtir esta moto! O assento, é bem confortável, inclusive para o passageiro, e a nova suspensão dianteira de dupla válvula (Showa Dual Bending Valve) torna a pilotagem mais segura e estável, tanto nas frenagens quanto em curvas, permitindo ao motociclista andar mais rápido. Essa suspensão não tem regulagem externa para ajustes e trabalha da seguinte forma: andando devagar, as duas válvulas estão abertas e a suspensão trabalha mais macia para absorver as irregularidades das vias, dando conforto. Andando rápido, a carga sobre a suspensão é maior, e isso faz com que a pressão interna feche uma válvula, endurecendo a suspensão, o que é ideal para uso esportivo e para garantir estabilidade. Isso funcionou muito bem nos dois extremos de uso, pista e cidade. Sem dúvida, é a principal melhoria na nova CB 650F. Na traseira, o monoamortecedor tem regulagem de pré-carga da mola, mas, mesmo ajustada, parece ter ficado “um passo atrás” da ótima suspensão dianteira, o que é notado apenas andando de forma esportiva. O peso cheio relativamente alto (208 kg) exige mais das suspensões, principalmente no uso urbano.

Além do azul perolizado, a CB está disponível na cor vermelha. O preço, de R$ 33 900 (sem frete e seguro) não sofreu reajuste sobre o modelo 2017. Pelas melhorias efetivas da nova CB, muito bom ver o consumidor não ser impactado no preço. Ela tem três anos de garantia e o Honda Assistance, um conjunto de serviços 24 horas para apoiar em situações emergenciais válido em Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai. Mais um diferencial para você levar a CB 650F para casa.

CONCLUSÃO: No lançamento, na pista de Curvelo, gostei muito de como a nova suspensão dianteira melhorou a pilotagem. Há estabilidade para manter a moto sempre na mão, mesmo andando bem forte. Mesmo ajustando a pré-carga, a suspensão traseira parece ter ficado um nível abaixo em eficiência, mas isso só é notado quando se anda bem rápido. Uma “dieta” para aliviar um pouco seu peso deixaria a CB ainda melhor. Nas vias públicas, com e sem passageiro, me impressionou a agilidade e a facilidade de pilotar. Para os fãs do motor de quatro cilindros, é o melhor custo-beneficio do mercado.

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