Honda atualiza visual e desempenho da linha 650

Autor: Carlos Bazela


A Honda segue com a atualização do seu line-up no mercado brasileiro. Desta vez, a novidade foi a linha 650, com a naked CB 650F e a esportiva CBR 650F. Essa segunda geração dos modelos foi apresentada ao mundo em novembro de 2016, no Salão de Milão e agora chega ao mercado brasileiro. Para o lançamento, a Honda nos levou até Minas Gerais, no Circuito dos Cristais, na quase desértica Curvelo. E, assim como nós, muitos motojornalistas também estavam no circuito mineiro pela primeira vez. Conosco, o piloto Alex Barros — que compete no SuperBike Brasil com patrocínio da Honda —, que tinha a função de nos mostrar o traçado do circuito para tirar melhor proveito da experiência de acelerar as novas 650 da Honda.

As duas tiveram sutis mudanças no visual e estão disponíveis nas cores azul ou vermelho – esta última, particularmente, foi a que gostamos mais. Na dianteira, as duas ganharam farol em LED, que além de deixar a frente da moto mais bonita e moderna, aumenta bastante a eficiência do sistema de iluminação para andar a noite. Ponto (bem) positivo!

A ergonomia da CBR 650F não foi alterada. Já a CB 650F tem novo guidão, mais baixo, que deixa a posição um pouco mais esportiva, mas ainda bem confortável. O assento das duas segue o mesmo, assim como o painel, que divide opiniões pela sua disposição. O indicador de marchas continua sendo uma ausência sentida.

O motor é um quatro cilindros em linha, com 649 cm3, que com pequenas alterações nos mapas de injeção e um novo escapamento — para reduzir a contrapressão interna e garantir um fluxo mais livre — ganhou 1,5 cv de potência e perdeu 0,2 kgf.m de torque, ficando com 88,5 cv e 6,2 kgf.m. Números que não fazem seu coração disparar, mas que com certeza garantem um belo sorriso no rosto após cada passeio. O câmbio de seis marchas foi alterado. Da segunda até a quinta marcha o escalonamento está mais curto, o que faz as rotações do motor subirem mais rápido, garantindo uma sensação extra de desempenho e melhores retomadas, por exemplo, em ultrapassagens.

Mas, a principal melhoria para nós, após provar as duas motos no Circuito dos Cristais — e andar nas motos 2017 que também estavam disponíveis no evento —, foi a nova suspensão dianteira, fabricada pela Showa. Ela trabalha com duas válvulas (Showa Dual Bending Valve) e funciona basicamente assim: quando pouco exigida, a suspensão dianteira funciona normalmente, com ambas abertas. Quando a pilotagem é mais agressiva, freando com mais força e andando em velocidades maiores — como em um track day, em circuito fechado —, uma válvula é fechada pela pressão extra, deixando a suspensão mais dura, o que gera maior estabilidade nas frenagens e em uso esportivo.

Por essa ‘ação inteligente’, a nova suspensão dianteira não tem ajustes externos. No circuito, aprovamos essa novidade, principalmente quando voltamos para a pista com o modelo 2017. A suspensão traseira não mudou, e tem ajuste de pré-carga da mola. O sistema de freio tem ABS e basicamente é o mesmo. A pinça dianteira é nova, mas segue com dois pistões. Rodas e pneus também não sofreram alteração.

No test ride, demos as primeiras voltas com a moto calibrada como sai da concessionária. E andando em autódromo, sem limites de velocidade, carros e pedestres, podemos andar bem rápido. As duas chamam a atenção pela fácil pilotagem e respostas lineares. É natural após decorar o traçado que você consiga andar rápido e com segurança. Logo após as primeiras voltas, notamos que a calibragem estava alta para esse uso, sentindo uma ligeira falta de aderência em alguns pontos rápidos do circuito.

Uma boa notícia é que essas novidades não inflacionaram o preço. A Honda manteve o preço que vinha trabalhando nestes modelos: A naked tem preço de R$ 33.900 e a esportiva CBR 650F continuará sendo comercializada por R$ 35.500lembrando que são preços sem frete e sem seguro. Consulte a concessionária Honda mais próxima para saber o preço exato, pois varia pela região. Outro detalhe importante: a linha 650 2018 está com três anos de garantia e já está chegando nas concessionárias.

Texto: Marcelo Barros – Editor de testes da MOTOCICLISMO


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