BMW R NineT Scrambler; estilo e prazer na pilotagem

Autor: Motociclismo


A bela BMW R nineT lançada dois anos atrás trazia herança das motos esportivas da década de 1970, porém, vinha equipada com certo grau de sofisticação, como as suspensões dianteiras, reguláveis e invertidas, freios poderosos com pinças de encaixe radial e painel completo.

BMW R nineT, a base para a Scrambler alemã

Evidente que esse pequeno apelo esportivo resultava em um preço não muito atraente, apesar de ela não estar tão equipada quanto outros modelos que vinham com este mesmo boxer de dois cilindros, refrigerado a ar.  A tendência Scrambler foi a tônica do Salão de Milão de 2015, quase todos os fabricantes quiseram surfar essa onda, e a BMW, espertamente, não perdeu tempo e também mostrou a sua versão.

BMW R nineT ScramblerApesar de certa semelhança e de ter até a mesma base, não é fácil transformar uma R nineT convencional em uma versão R nineT Scrambler original. Começando pelo chassi, na Scrambler, a suspensão dianteira é convencional e não possui regulagens.

Esqueça o sistema Telelever que equipou a linha R desde meados dos anos 90. A ideia principal com a Scrambler foi simplificar no que fosse possível, e, assim, aquele nosso velho conhecido boxer refrigerado a ar, que compartilhava o mesmo cárter para motor e transmissão, se mantém na linha.

A versão Scrambler é mecanicamente igual a R nineT convencional, tem aquela mesma tendência de cair para o lado quando aceleramos parada, mas sua proposta de uso é mais versátil e também oferece mais conforto. Porém, a lista de modificações é extensa, começando por toda a parte dianteira que resultou também em diferenças de geometria de chassis.

R nineT e R nineT Scrambler

Por causa das novas mesas, o ângulo de cáster está ligeiramente mais aberto, facilitando, portanto, a condução em terrenos irregulares. A posição de pilotagem também mudou, adaptando-se a suas novas possibilidades, e consequentemente está mais cômoda.

A Scrambler também traz uma alteração importante no ruído do escapamento, em relação a sua irmã. A BMW trabalhou em parceria com a Akrapovic para desenhar um escapamento com duas ponteiras altas, de titânio e com um som muito mais grave que o da R nineT padrão.

A dupla ponteira alta, entrega melhor a identidade Scrambler

Esse escape conta com uma válvula localizada no coletor central, que tem a função de conter os decibéis em baixos giros, porém, quando este motor ganha rotações, a orquestra toca todos os seus instrumentos mais graves, e torna-se inevitável a vontade de acelerar cada vez mais. 

Em movimento, esta nova BMW mostrou-se bem equilibrada em baixas velocidades. Por um lado, é estável e baixa, favorecendo manobras e a utilização dentro da cidade. Por outro, seu motor é vigoroso e com respostas imediatas para diversão em estradas recheadas de curvas.

Não tem a roda dianteira com aro de 17 polegadas, mas faz curvas com muita intuição, mesmo equipada com aro de 19. A fabricante alemã trabalhou com muita dedicação no mapa de injeção, para que esse velho/novo motor, passasse com folga pela novas normas antipoluição Euro 4 (PROMOT 4 no Brasil).

Uma nova versão da BMW R nineT, mais simples, sem pinças de freio radiais e suspensões invertidas, era o que procuravam alguns amantes do motor boxer

A maior preocupação foi evitar que o piloto percebesse alguma perda de potência em altos giros, apesar de o melhor dessa Scrambler estar em médias rotações, onde o torque máximo está mais presente. Ela pode, sim, atingir mais de 200 km/h, mas é evidente que uma moto dessa categoria, com guidão alto e sem bolha para-brisa, se torna bastante incômoda de pilotar em alta velocidade.

Na verdade, essa moto é toda estilo, pois assim que assumimos o posto de comando, percebemos que a BMW seguiu à risca o conceito. O painel, por exemplo, surpreende pela sua simplicidade, trazendo apenas um mostrador redondo com velocímetro e um pequeno retângulo digital internamente, nada de conta-giros.

Na Scrambler, o painel é simplificado, o que facilita a customização

Interessante também notar que as pedaleiras são do melhor estilo off-road e as do acompanhante podem ser facilmente removidas. A própria BMW declara que a Scrambler não é uma moto definitiva, ou seja, a lista de acessórios é extensa para que o proprietário a personalize da maneira que melhor lhe convier.

Exemplo disso é a opção de equipá-la com rodas raiadas e pneus off-road, banco pequeno, somente para o piloto, e até acrescentar um number plate lateral.

Ainda não temos notícias sobre a chegada do modelo ao Brasil — pode chegar no Salão Duas Rodas 2017 — mas como acontece na Europa, ela custaria menos que a R nineT convencional. 

Protetor de cárter, item de série na Scrambler para garantir a diversão na terra, sem problemas para o motor

FICHA TÉCNICA

Motor bicilíndrico boxer  I  4T  I  arrefecido a ar  
DOHC  I  8 válvulas  I  injeção eletrônica  I  6 marchas transmissão por cardã

Cilindrada    1 170 cm³ 
Potência máxima    110 cv a 7 750 rpm 
Torque máximo    11,8 kgf.m a 6 000 rpm 
Diâmetro x curso    101 x 73 mm 
Taxa de compressão    12,0:1 
Quadro    Multitubular de aço
Cáster / Trail    28,5° / 110 mm 
Suspensão dianteira    Telescópica convencional 43 mm
Suspensão traseira    BMW Paralelever 
Curso dianteiro / traseiro    125 mm / 140 mm 
Regulagens    não possui / pré-carga 
Freio dianteiro    2 discos de 320 mm
Freio traseiro    1 disco de 265 mm 
Pinça dianteira    Brembo de 4 pistões (ABS)
Pinça traseira    2 pistões (ABS) 
Pneu / roda dianteira    120/70-19”/ 3,0”
Pneu / roda traseira    170/60-17”/ 4,5”

Medidas
Comprimento • 2 175 mm    Largura • 880 mm
Altura do assento • 820 mm     Entre-eixos • 1 527 mm
Peso cheia • 220 kg    Tanque • 17 litros


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