Em Milão, Royal Enfield revela motor e duas motos inéditas

Autor: Marcelo Barros


Com menos de um ano de atividade no Brasil, e exatamente um ano após lançar em Milão a trail Himalayan, com motor monocilíndrico de 411 cm³ e 24,5 cv de potência máxima declarada, a Royal Enfield, fabricante de origem inglesa e hoje bem estabilizada na Índia, trouxe novidades importantes ao Eicma, o mais importante evento de motos do planeta!

Usando slogan “One heart, two souls” (um coração, duas almas), apresentou o novo motor bicilíndrico, de 648 cm³, OHC, com 8 válvulas, arrefecido a ar e óleo. A marca declara 47 cv de potência máxima e pico de torque em 5,3 kgf.m. A segunda foram duas novas motos, que utilizam este propulsor: a Continental GT 650, uma versão maior da conhecida café racer de 535 cm³, já comercializada no Brasil, e a Interceptor 650, uma naked clássica cheia de estilo, que resgata o nome já usado na Royal Enfield em outra moto, comercializada entre 1960 e 1970. Estas novidades têm chassis tipo berço em aço, desenvolvidos pela equipe no Centro Tecnológico da marca no Reino Unido, com a colaboração das equipes de engenharia e design da marca em Chennai, na Índia, e pela Harris Performance, empresa britânica de projetos, que desde junho de 2015 faz parte da Eicher Motors, grupo indiano gestor da marca Royal Enfield.  O foco durante o desenvolvimento foi em garantir agilidade e facilidade ao lidar com diferentes terrenos e velocidades.

Interceptor 650 tem seu design inspirado na praiana Califórnia dos anos 1960. Com o seu tanque de combustível clássico — lembrando muito a Triumph Bonneville —, tem assento com bastante espuma e um guidão longo, característica das motos da época. A posição de pilotagem é ereta, confortável. Vem equipada com rodas aro 18 polegadas, raiadas e com pneus Pirelli, além de amortecedores duplos na traseira e freio a disco nas duas rodas com ABS (as vendidas no Brasil tem apenas tambor na traseira). Esta é a primeira Royal Enfield com seis marchas, sistema especialmente desenvolvido para esta motocicleta. A caixa de câmbio é melhorada pela embreagem deslizante e assistida, também inédita em um modelo da marca, deixando o acionamento do manete da embreagem mais leve e evitando que as rodas travem em fortes reduções de marcha.

Novidade também é a Continental GT 650, uma café racer. Apesar de compartilhar motor, chassi e itens estéticos com a Interceptor 650, tem posição de pilotagem bem diferente, com o piloto naturalmente mais inclinado para frente, como nas motos esportivas. A capacidade do tanque de combustível é de 12,5 litros, o que compromete um pouco a autonomia para uso em viagens. Como toda café racer, o assento é único, monoposto, não tendo conforto como prioridade. Possui discos de freio dianteiro e traseiro com ABS, como a Interceptor 650.

“Ser autêntico, acessível e criar motocicletas que evocam é a essência de tudo o que fazemos. Como marca, incentivamos nossos pilotos em sua jornada de autoconhecimento e exploração. É com essa ideia que eles se relacionam, mesmo antes de comprar nossas motocicletas. As novas 650 nos ajudarão a fortalecer ainda mais essa proposta”, declarou durante a coletiva Rudratej Singh, presidente da Royal Enfield.

E os planos da Royal Enfield são otimistas. Eles querem liderar o segmento de motocicleta de média cilindrada globalmente.  Esperamos que quando os novos modelos aportarem por aqui sigam a política amigável de preços que a Royal Enfield vem mantendo no país, como frisou o presidente da marca na apresentação das motos. “O que fazemos é criar uma moto que as pessoas desejam e podem pagar”. Que assim seja!


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