Yamaha completa 62 anos; relembre sua história

Autor: Marcelo Barros


No dia 1º de julho, a Yamaha completou 62 anos de história. Por isso, trazemos aqui uma reportagem especial, contando a história desta fabricante de motos japonesa, que tem uma legião de fãs pelo mundo.

YA-1, a primeira motocicleta comercializada pela Yamaha no mundo. Foi lançada em 1955 e ganhou o apelido de Akatombo, libélula em japonês

Foi graças à experiência adquirida em consertar relógios que Torakusu Yamaha (1851-1916), nascido na província de Wakayama, no Japão, aprendeu também a consertar instrumentos musicais e aparelhos musicais, entre eles um órgão.

Ao perceber a facilidade em entender todo o funcionamento e também consertar tal instrumento, Torakusu decidiu por construir seu próprio órgão. Ao finalizar seu primeiro modelo, um mini órgão, o sr. Yamaha provou que seu sucesso se deu não só pela competência, mas também pela perseverança.Para apresentar sua criação a alguns músicos em Tóquio – que por sua vez não lhe pouparam críticas –, ele caminhou 214 quilômetros que separavam sua casa da capital japonesa.

Teste do primeiro modelo da Yamaha, o YA-1, tinha motor 2 tempos de 50 cm³

A ida a Tóquio possibilitou a Torakusu estagiar na Faculdade de Música da cidade, e assim, mais experiente e com novas ideias, ele lançou em 1888 um novo órgão que obteve sucesso imediato. Surgia assim no Japão a Yamaha Organ Manufacturing Company.

Com os negócios de vento em popa, em 1892 o Sr. Yamaha já tinha mais de cem empregados e conquistava naquele ano seu primeiro contrato de exportação: 78 órgãos foram produzidos para vários países da Ásia.
Contudo, apesar dos avanços, Torakusu queria mais.

Primeiro logotipo da Yamaha

Viajou para fazer cursos na Europa e nos Estados Unidos, procurando aprender sobre outros tipos de instrumentos musicais a fim de expandir sua linha de produtos e, com isso, em 1898 o sr. Yamaha criava a Companhia de Instrumentos do Japão (Nipon Gakki Company), que produziria em 1900 seu primeiro piano e em 1902 o primeiro piano de cauda.

A Yamaha crescia ano após ano, até que em 1916 sofreria uma grande perda, com a morte de seu patrono, Torakusu, aos 64 anos de idade. Quem assumiu o posto de presidente da companhia foi Chiyomaru Amano, que imediatamente adotou uma política de investimentos muito mais agressiva. Além do aumento de capital, Amano apostou na construção de mais duas fábricas com o objetivo de consolidar a marca em todo o planeta.

Pátio em Guarulhos, em 1982, com a recém-lançada DT 180, um dos maiores sucessos da marca no Brasil

Mas, apesar da busca pela prosperidade, o que aconteceu foi o inverso. A partir de 1923 a empresa passou por momentos difíceis, o que levou Chiyomaru Amano a renunciar anos mais tarde à presidência. Kaichi Kawakami (1883-1950), seu sucessor, salvaria a Yamaha da falência. Ele não só colocaria as contas da Nipon Gaikki em dia, como também aumentaria a sua linha de produtos, passando a atuar na área de manufatura de metais, fabricando hélices para aviões de combate durante a Segunda Guerra Mundial.

O crescimento acelerado voltaria acontecer em 1948. Graças a uma obrigatoriedade imposta pelo Ministério da Educação do Japão, o ensino de música passou a fazer parte do currículo escolar japonês, gerando imensos contratos de vendas e consolidando de vez a companhia.

Valentino Rossi é um dos grandes representantes da marca em sua história nas competições

Em meio a dias prósperos, novamente a Yamaha perderia o seu presidente, já que em 1950 Kaichi morre. Quem assume seu lugar é ninguém menos que seu filho Genichi Kawakami (1912-2002), cujo objetivo desde o início de sua gestão, era fazer sua administração tão boa ou melhor que a de seu pai. E não só conseguiu, como também tornou a Yamaha uma das empresas mais importantes e conhecidas de todo o planeta.

Genichi tinha uma ampla visão. Logo ao assumir buscou utilizar todo o potencial da empresa, principalmente no campo da metalurgia, com a expertise adquirida durante a Segunda Guerra Mundial. Ele estudou diferentes áreas de atuação em que haveria possibilidade de sucesso, desde bicicletas, triciclos e scooters a componentes para automóveis e até mesmo máquinas de costura.

Por ser poderosa demais, a RD 350 ganhou a fama de uma motocicleta perigosa, culminado com o apelido de “viúva negra”

Em seu entendimento, a grande oportunidade de bons negócios estava nas motocicletas, algo que mais tarde seria comprovado. A fim de “começar direito”, antes de partir para a produção de motos, os engenheiros da Nipon Gaikki fizeram cursos e estágios destinados à construção de motocicletas. Desses contatos com fabricantes, o que mais gerou frutos foi com a alemã DKW, principalmente no desenvolvimento de motores dois tempos.

A prova disso é o primeiro protótipo da Nipon Gaikki, baseado na DKW RT 125, um dos modelos de maior sucesso em sua época e um dos mais copiados pela concorrência. A nova moto idealizada por Genichi tinha o nome de Yamaha 125 YA1, para homenagear o fundador da companhia. Ela era dotada de um motor dois tempos de 125 cm³ com arrefecimento a ar que rendia potência máxima de 5,6 hp a 5 000 rpm e torque de 0,93 kgf.m a 3 300 rpm.

Com isso, ela era capaz de “empurrar” seus parcos 94 quilos à respeitável velocidade de 80 km/h. Nas laterais do tanque, o emblema aplicado era o logo dos três diapasões, objeto utilizado para afinar instrumentos musicais. Eles representam ritmo, harmonia e melodia, os elementos fundamentais na música.

Apesar de ter menos cilindros e menor potência, a TX 650 foi uma das maiores “pedras no sapato” da Honda CB 750

Genichi era considerado um perfeccionista, e isso se refletiu no sucesso da Yamaha 125 YA1. Para ele, o primeiro modelo da Yamaha era tão importante que ele mesmo fez questão de participar de seu desenvolvimento em campo junto com os pilotos de teste e engenheiros da marca, inclusive pilotando a moto de Hamamatsu a Tóquio para se assegurar sobre a resistência da pequena moto, que cumpriu todo o trajeto sem qualquer tipo de problema.

Em 1955 a Yamaha 125 YA1 passou a ser produzida em série. Em seu lançamento, apesar do alto preço de 138 mil ienes (aproximadamente quatorze vezes o salário médio da época), a nova moto conquistou tamanho sucesso de vendas que a fábrica não conseguiu atender a demanda.

Satisfeito com o sucesso da empresa que presidia, Genichi Kawakami cortou, frente aos seus 274 novos funcionários, a faixa inaugural da então nova Yamaha Motor Corporation Limited.Era o nascimento de uma das marcas de motocicletas de maior sucesso da história, uma gigante que poucos anos depois seria nada menos que o segundo maior fabricante de motos do planeta.

Kenny Roberts em ação, competindo de Yamaha

A Yamaha entrou para a história da indústria de duas rodas ao ser responsável não só por criar modelos que se tornaram verdadeiros ícones – entre tantos, as saudosas TX 650, RD 350 e 500, a família XT e Ténéré, a insana V-Max e a superbike YZF-R1, recentemente renovada para se manter mais competitiva do que nunca –, como traçar uma trajetória irretocável nas pistas de corrida, seja no asfalto ou no off-road.

Yamaha XT 500. Onde começou a fama das motos aventureiras da marca, como a família Ténéré

Os modelos TZ750, YZR500 e M1 foram eternizados por pilotos como Kenny Roberts, Eddie Lawson, Wayne Rayne e o “Deus da velocidade” Valentino Rossi. É considerada ainda a precursora das motos off-road modernas.  Que o som da emoção emanado pelos produtos Yamaha continue a acelerar nossos corações ainda por muito tempo!

10 de outubro de 1974, data em que foi produzida no Brasil a primeira motocicleta. O modelo era a RD 50.

Texto: Laner Azevedo Fotos: Divulgação/Yamaha


Comentários