Há dez anos, partia Evel Knievel, o motociclista alado

Autor: Marcelo Barros


Evel Knievel, uma das figuras mais emblemáticas da história do motociclismo, nos deixou no dia 30 de novembro de 2007, há exatos dez anos. Famoso por seus saltos desafiadores, nasceu em 17 de outubro de 1938 como Robert Craig Knievel, na cidade mineira de Butte, no Estado de Montana, nos Estados Unidos e sempre teve a moto como parceira constante em sua vida. Depois de uma perseguição policial em 1956, em que ele acabou batendo a sua motocicleta, Knievel foi levado à prisão por uma acusação de condução imprudente.

Quando apareceu para verificar os presos, o carcereiro da noite notou Robert Knievel em uma cela e William Knofel em outra ao lado. Knofel era conhecido como “Awful Knofel” — awful (horrível) rima com Knofel. Assim, Knievel começou a ser referido como Evel Knievel (a pronúncia de Evel rima com Knievel). Ele escolheu essa grafia por conta de seu sobrenome (“evel” soa como “evil”, que significa mau) e porque ele queria ser considerado “mau”. E assim a lenda nasceu…

Os feitos desafiadores da morte fascinam a humanidade há séculos. De engolidores de espadas a balas de canhão humanos, os destemidos da história arriscavam a vida e os membros para atrair uma multidão. Porém, por motivos óbvios, poucos artistas ganharam fama duradoura. O primeiro salto de Knievel foi na década de 1960, no National Date Festival, em Indio, Califórnia. Ele executou wheelies, passou através de paredes de fogo e saltou sobre duas picapes. O show foi um enorme sucesso, e Knievel recebeu várias ofertas para fazer mais shows após a primeira apresentação.

A segunda apresentação seria em Hemet, Califórnia, mas foi cancelada devido à chuva. A próxima apresentação foi em 10 de fevereiro de 1966 em Barstow, Califórnia, onde, durante a performance, Knievel tentou uma nova acrobacia, mas saltou muito tarde e, na “aterissagem”, a motocicleta bateu na sua virilha, jogando-o três metros no ar. Ele foi para o hospital e, depois de liberado, voltou para Barstow para terminar a performance que havia começado quase um mês antes.

A partir daí, as acrobacias de Knievel tornaram-se mais ambiciosas e perigosas. Alguns dos seus saltos mais memoráveis incluem Caesars Palace (1967), Madison Square Garden (1971), Twin Falls, Idaho, Snake River Canyon (1975) e, claro, o famoso salto do Wembley Stadium (1975). Na manhã do salto sobre as fontes de água do do Caesars Palace, Knie­­­vel parou no cassino e colocou seus últimos cem dólares na mesa de blackjack (que ele perdeu), parou no bar, deu um “tiro” de Wild Turkey e depois dirigiu-se para fora, onde foi acompanhado por duas showgirls.

Depois de fazer seu show de pré-salto e algumas manobras de aquecimento, Knievel foi para o salto sobre as fontes do Caesar Palace. Quando subiu na rampa de decolagem, foi perfeito. O pouso, no entanto, foi um desastre. Knievel aterrizou antes do previsto, o que fez com que o guidão fosse arrancado de suas mãos e ele caiu e rolou por vários metros no asfalto do estacionamento.

Como resultado do acidente, Knievel teve uma pelve esmagada, um fêmur quebrado, fraturas no quadril, pulso e em ambos os tornozelos, além de uma concussão que o manteve em coma por 29 dias. Com certeza é o acidente de moto mais famoso da história. Não é para menos que ele figura no Guinness Book (Livro dos recordes) como o detentor do maior número de ossos quebrados, quase todos, do corpo.

Embora Knievel nunca tenha tentado pular o Grand Canyon, os rumores do salto do cânion foram iniciados pelo próprio Knievel em 1968, após o acidente do Caesars Palace. Durante uma entrevista, Knievel afirmou: “Não me importo se eles dizem ‘olha, garoto, você vai despencar com sua moto da borda do cânion e morrer’, eu vou fazer isso mesmo assim. Eu quero ser o primeiro. Se eles me deixassem ir para a Lua, eu iria de moto até o Cabo Canaveral apenas para fazer isso. Eu gostaria de ir à Lua, mas não quero ser o segundo homem a ir lá.”

Em 26 de maio de 1975, diante de 90 mil pessoas no Estádio de Wembley, em Londres, Knievel caiu ao tentar pousar após um salto sobre mais de treze ônibus. Após o acidente, apesar de quebrar a pelvis, Knievel dirigiu-se ao público e anunciou sua aposentadoria. Incrivelmente, após o acidente, Evel não cedeu ao pedido de Frank Gifford, apresentador da ABC, para usar uma maca. Saiu do campo de Wembley afirmando: “Eu entrei andando, sairei caminhando!”

As motocicletas

Knievel usou brevemente uma motocicleta Honda de 350 cm³, utilizada para pular uma caixa de cascavéis e dois pumas, naquele que foi seu primeiro salto conhecido. Knievel usou uma Norton 750 por apenas um ano durante 1966. Em 1967 e 1968, Knievel saltou usando uma Triumph Bonneville (com motor de 650 cm³) para o temerário salto e acidente no Caesars Palace na véspera de ano-novo de 1967. Entre dezembro de 1969 e abril de 1970, Knievel usou a motocicleta Laverda American Eagle 750. Em 12 de dezembro de 1970, Knievel mudaria para a Harley-Davidson XR 750, a motocicleta com a qual ele é mais conhecido por saltar. Knievel usaria o XR 750 em parceria com Harley-Davidson até 1977.

Em 8 de setembro de 1974, Knievel tentou pular o Snake River Canyon em uma moto propulsada por foguete projetada pelo ex-engenheiro da Nasa, Robert Truax, apelidado de Skycycle X-2. Porém, o Estado de Idaho registrou o X-2 como um avião, em vez de uma motocicleta. Por uma das muitas ironias do destino, Evel não morreu por conta de suas loucuras acrobáticas. Knievel morreu em Clearwater, Flórida aos 69 anos de idade. Ele sofria de diabetes e fibrose pulmonar idiopática por muitos anos. Um amigo de longa data informou que Knievel teve problemas para respirar enquanto estava em sua residência em Clearwater, mas morreu antes que a ambulância pudesse chegar ao hospital.

Certamente, se pudesse voltar à vida, tentaria seu salto na Lua… Se é que já não o está fazendo entre os anéis de Saturno…

Texto: Roberto Severo

Edição: Carlos Bazela


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