BMW R 1200 GS; a maxitrail que todas querem ser. Veja análise

Autor: Marcelo Barros


Melhorar ainda mais a R 1200 GS é uma tarefa árdua, no entanto a BMW vem conseguindo fazer isso acertando detalhes e melhorando os equipamentos

Faz mais de uma década que a BMW R 1200 GS é um verdadeiro fenômeno, um modelo que não só vendeu no mundo mais motos do que todas as suas concorrentes somadas, como também é a grande responsável pelo segmento maxitrail ter tomado a proporção que tem hoje.

Faz muitos anos que as marcas concorrentes tentam atacar de todas as formas esse domínio da moto alemã, umas apostando no aspecto esportivo, outras no lado touring e algumas ainda na capacidade off-road. A “GS” resistiu a todas as investidas, mas nos últimos anos as rivais se reforçaram e, assim, a BMW achou que era hora de cobrir qualquer brecha que pudesse ameaçar a “hegemonia GS”. 

O visual da versão Rallye destaca o típico azul BMW e o lendário nome “GS”

Por um lado, marcas como Ducati, KTM e Triumph vêm dotando seus modelos com equipamentos de série em que a eletrônica foi reforçada ao máximo, multiplicando os modos de condução, suspensões eletrônicas etc. Por outro lado, além da insistência da KTM com a sua Adventure R, as recentes estreias da Ducati Multistrada Enduro e da Honda Africa Twin abriram o apetite de muitos usuários adeptos de levar suas maxitrail por caminhos longe do asfalto.

A renovada R 1200 GS continua sendo a mesma moto equilibrada que é referência no segmento, mas agora, desde uma versão base, a BMW oferece a possibilidade de encontrar uma GS mais adequada às suas necessidades. O maior foco no desenvolvimento da linha 1200 GS 2017 ficou na utilização fora de estrada, visto que esse ambiente é o mais complicado para uma moto desse peso e tamanho.

A BMW trabalhou para que a R 1200 GS 2017 seja mais efetiva no fora de estrada

Assim surgiu a versão Rallye, que além de muito mais chamativa nas cores e grafismos, traz algumas mudanças em equipamentos. Mecanicamente não há grande novidades na linha 2017 exceto a nova programação eletrônica e o novo catalisador necessários para adequar a moto às novas normas de emissão de poluentes.

Além disso, as mudanças se resumem a pequenas alterações na carenagem frontal, com um novo desenho das proteções do tanque visando melhorar a ergonomia quando pilotamos em pé. Contudo, se na mecânica tudo segue igual, a gestão eletrônica sim avançou muito, ainda que o realmente bom só chegue nos modos de pilotagem Pró, que faz parte do pacote opcional mais completo.

O visual da versão Rallye destaca o típico azul BMW e o lendário nome “GS”

De série, as GS trazem os modos de pilotagem Rain e Road. O “Pack Dinâmico” é o que agrega toda a eletrônica possível. Ela conta com a centralina inercial IMU, que atua tanto sobre os modos de potência do motor quanto no controle de estabilidade e ABS. Também inclui o assistente de arrancada em rampa e o câmbio “up&down”, que dispensa o uso da embreagem e a necessidade de aliviar o acelerador tanto nas trocas de marcha ascendentes quanto nas reduções.

O pacote completo traz ainda o novo sistema de ajuste eletrônico das suspensões, que agora ajusta a altura da moto automaticamente em função da carga e aumenta a altura livre do solo em 20 mm em pilotagem off-road. Essa é sem dúvida a maior aposta da BMW nessa nova versão.

Velocímetro e conta-giros seguem analógicos e são complementados por uma grande tela digital

Enquanto as versões com rodas de liga leve ganharam aprimoramentos que favorecem o comportamento esportivo, na Rallye o foco foi torná-la apta a ir além de estradas de terra compactada. De fato, para esse nosso primeiro contato com a moto, a BMW preparou um longo percurso por entre as montanhas da região espanhola de Almería, transitando por caminhos repletos de pedras soltas, subidas, descidas e, em geral, terrenos por onde a grande maioria dos usuários desse tipo de moto jamais pensaria em passar. E a Rallye sobrou!

A nova ergonomia proporcionada por assento e carenagens nos permite um “encaixe” perfeito ao pilotar em pé. O motor segue sendo um verdadeiro “Panzer”, que empurra a moto como um tanque de guerra sobre qualquer obstáculo, mesmo a rotações próximas de marcha lenta. O baixo centro de gravidade também ajuda, transmitindo a sensação de que a GS é muito mais leve do que seus quase 250 kg com gasolina fazem supor.

No asfalto, a GS segue impecável. Nas mãos certas, pode dar sufoco em muita esportiva

Em estradas asfaltadas ela se manteve igual, isto é, continua excepcional. Os 125 cv do motor boxer podem não parecer muito em um segmento em que algumas rivais declaram 35 cv a mais, entretanto, a forma como eles chegam à roda traseira é perfeita para uma proposta polivalente como a da GS.

Mostra enorme resposta em baixas e médias rotações, poucas vibrações e suficiente pegada em alta. Outro diferencial é o sistema de suspensão dianteira Telelever, que se em condições radicalmente esportivas não mostra a rapidez de movimentos das bengalas tradicionais, por outro lado é absolutamente neutro e muito mais confortável.

A moto não sofre alterações na geometria, não tem tanta transferência de carga entre os eixos nas acelerações e frenagens mais fortes e a absorção das irregularidades do piso é mais eficiente. Definitivamente, a sensação de equilíbrio fruto da combinação entre motor, suspensões, freios e chassi é impecável e seguem sendo o grande destaque da best-seller alemã.

Família numerosa

Para este ano a BMW preparou não apenas uma GS, mas sim três bases de partida. A standard é a mais básica, se é que podemos falar isso de uma moto como essa. Ela se identifica facilmente pelas cores e grafismos sóbrios. Assim como nas versões anteriores, ela vem com rodas de liga leve. O passo seguinte é a versão Exclusive, que somente se diferencia pelas cores, grafismos e alguns detalhes estéticos mais caprichados.

O assento em peça única da versão Rallye favorece a pilotagem no off-road e comporta bem um passageiro

Ela traz pinças de freio douradas, motor preto e chassi e carroceria em um tom de marrom com um grande logotipo da marca nas laterais do tanque. Finalmente, a mais dinâmica das três é a versão Rallye, que traz um pacote de equipamentos que a torna a opção certa para quem quer uma GS 1200 pronta para encarar aventuras off-road.

Visualmente, a versão Rallye se diferencia pela cor azul, que está presente tanto nos grafismos quanto no chassi. Ela substitui as rodas de liga leve por robustas rodas raiadas, a bolha com ajuste de altura é mais baixa e, no lugar de um assento bipartido, entra um de peça única mais baixo e apropriado para uma pilotagem off-road. As três versões contam com três pacotes de opcionais: Dynamic, Touring e Comfort.

No Brasil, hoje são comercializadas versões da R 1200 GS partindo de R$ 64.900, com o pacote Sport+, passando pela versão com pacote Premium+ (com opções de cor e assento baixo variando o preço) e chegando nas completas versões Rallye (mais off-road) e Exclusive (mais on-road), ambas por R$ 75.900 (preços de julho de 2017).

Texto: Gabriel Berardi e Pepe Burgaleta Fotos: Marcus Barth e Jorg Künstle


Comentários