Baseado em fatos reais: o papel da moto na mobilidade urbana

Autor: Carlos Bazela


Quem já usa a moto muitas vezes não dá o devido valor para os benefícios dela na rotina. Que tal relembrar alguns prós da vida com ela?

sim à motocicleta, mobilidade urbana, motos, carros, Honda, Yamaha, NMax, CG, Fit, Citroên, metrô, bicicleta, Waze, Google, Maps, Motociclismo, Motociclismo Online, Revista Motociclismo“Casa de ferreiro, espeto de pau”, você provavelmente já ouviu esse ditado popular algum dia. Como editor de testes desta revista que você está lendo agora, minha rotina é testar as novas motos do mercado, para levar a você o máximo de informação possível. Isso faz com que minha moto de uso pessoal fique parada na garagem por muito tempo. Por isso, tive a precipitada ideia de vender minha moto e não fazia ideia, ou melhor, havia esquecido completamente de quão ruim é ficar sem uma até ter que provar a vida dependendo apenas de transporte público. Afinal, qual o problema de ir para casa de metrô e ônibus uns dias por mês na capital paulista? Bom, nesse ponto começou meu pesadelo urbano…

Andar de moto é tudo de bom? Sim. Mas com certeza você já ouviu alguém bocejar que moto é perigoso. Não concordamos aqui na MOTOCICLISMO com essa afirmação, afinal, o que é perigoso mesmo é alguém despreparado subir em uma moto. Isso é muito perigoso! Assim como portar uma arma, dirigir um carro, saltar de paraquedas ou mergulhar no mar sem o devido preparo. Sem entender o que é necessário para fazer bom uso, melhor não andar de moto mesmo. Aqui, vamos mostrar alguns pontos que talvez você ainda não tenha levado em conta sobre a utilização da moto no seu dia a dia. Se você já anda de moto, parabéns! Se ainda não anda, poderá te abrir os olhos do que está perdendo.

sim à motocicleta, mobilidade urbana, motos, carros, Honda, Yamaha, NMax, CG, Fit, Citroên, metrô, bicicleta, Waze, Google, Maps, Motociclismo, Motociclismo Online, Revista MotociclismoPara os fãs de tecnologia, o Waze, aplicativo que busca a melhor rota para você chegar ao seu destino, fugindo do trânsito, agora tem também a opção de mostrar as melhores rotas para motos, o que é muito útil, pois até então esses aplicativos mostravam apenas o melhor caminho considerando como veículo o carro. O aplicativo de navegação da Google, o Maps, que se diferencia do Waze por mostrar também a melhor rota para mais opções, como transporte público, bicicleta, a pé, de táxi, etc., testa o mesmo recurso das rotas para moto, mas por enquanto, apenas na Índia. A escolha não é à toa: o país asiático constitui o maior mercado do mundo pra o segmento.

Fizemos a comparação no Waze, usando como referência o deslocamento entre a redação da MOTOCICLISMO e minha casa, em Santo André, cidade vizinha da capital paulista. No aplicativo, o percurso com 24 quilômetros deu 1h18 de tempo gasto com carro e 48 minutos com moto. É uma economia de 30 minutos em apenas uma viagem! São duas viagens por dia, dez por semana, cerca de 44 viagens por mês. Só fazer a conta. Se todos os dias enfrentar o mesmo trânsito (obviamente alguns dias está melhor, outros pior), a economia de tempo — e porque não, de vida — usando a moto seria de 1 320 minutos, equivalente a 22 horas por mês! Por quanto você venderia uma hora da sua vida? Já pensou nisso algum dia? O custo de um automóvel e sua respectiva documentação é mais alto que o de motos de baixa cilindrada, projetadas para o ir e vir urbano.

sim à motocicleta, mobilidade urbana, motos, carros, Honda, Yamaha, NMax, CG, Fit, Citroên, metrô, bicicleta, Waze, Google, Maps, Motociclismo, Motociclismo Online, Revista MotociclismoUsando como base apenas o gasto com gasolina, um Honda Fit 1,5 VTEC 2018 fez 10,4 km/l, enquanto um Yamaha NMax, usado nesta reportagem, fez 31,1 km/l, ou seja, “apenas” três vezes mais econômico, ambos rodando dentro dos 50 km/h, limite de velocidade urbano. Usando como base a gasolina por R$ 4 o litro, o custo a cada 100 km rodados no carro é de R$ 38 contra R$ 13 na moto, uma economia de R$ 25, valor que pago por um bom almoço perto da MOTOCICLISMO. Se sair da comparação entre carro e moto e ir para o transporte público, usando como base o Google Maps, o tempo subiria de 48 minutos da moto para 1h45 no transporte público. Saindo dos aplicativos, uma semana fazendo a rota de transporte público e a seguinte com moto, cheguei nos seguintes números: duas horas de deslocamento de transporte público, sendo cerca de 30 minutos a pé, pela distância dos pontos da minha casa e trabalho, contra 40 minutos na moto. O ganho com a moto por viagem nesse caso é de 1h20. Por mês, a economia de tempo usando a moto é de 88 horas ou três dias e meio perdidos por mês dentro de ônibus e metrô… O que você faria com esse tempo? Ficar mais com a família? Dormir mais? Ler um livro? Namorar? Se exercitar? Aprender algo novo na cozinha? Arrumar aquela bagunça que sempre posterga na sua casa?

São muitas opções, mas o inegável é: sabendo usar, a moto é um espetacular meio para garantir sua mobilidade urbana e mais qualidade de vida. Quando comprei minha primeira moto, uma Honda CG, a primeira mudança na minha vida foi abandonar um curso de química e me inscrever no de automobilística, que era em uma cidade vizinha, cerca de uma hora de viagem no ônibus e apenas 20 minutos na moto. Ai apenas começou a revolução da moto na minha vida. Com ela conheci novos lugares, fiz muitos amigos e hoje tenho o privilégio de ter a moto como fonte de renda. Se estes argumentos não foram suficientes — o que acho improvável —sinceramente, sinto muito pelo desperdício de vida e dinheiro que você faz, sem ter noção disso, ou provavelmente por medo, acreditando na lenda urbana de que “moto é perigoso”. Faço uso da moto há mais de dez anos e minha única queda foi participando de uma prova de enduro, fora das ruas, e claro, devidamente equipado, cai na terra, levantei, vi que estava tudo bem e segui acelerando!

Lembrando, esta comparação é feita com base na minha rotina. Claro que existe muita gente que trabalha perto de casa, que pode ir até mesmo a pé, ou de bicicleta, se a topografia da região for gentil. Eu adoraria ter essa realidade e usar apenas a moto para lazer, mas hoje minha realidade é essa, no que fica nítido como ganho qualidade de vida ao escolher a moto. Se você usa o carro, faça essas contas que apresentei aqui com base na sua realidade. Arrependido da venda da moto, um mês depois comprei outra, dando fim ao meu pesadelo urbano. Se eu que estudo e trabalho com isso cometi esse erro, imagina quem não parou para pensar nisso? Lição aprendida e jamais fico sem moto de novo!

Texto: Marcelo Barros

Fotos: Renato Durães


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